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Incêndios florestais em Espanha motivam desinformação

Bombeiros recorrem a fogo controlado para travar um incêndio que continua a avançar perto de Cebreros, província de Ávila, Espanha, 28 de julho de 2026
Bombeiros recorrem a fogo controlado para travar um incêndio florestal que continua a avançar perto de Cebreros, na província de Ávila, Espanha, em 28 de julho de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Manu Fernandez
Direitos de autor AP Photo/Manu Fernandez
De James Thomas & Tamsin Paternoster
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Uma capa de jornal fabricada e publicações enganosas sobre centrais solares estão entre as alegações que circulam durante a devastadora época de incêndios em Espanha.

Enquanto Espanha tenta conter os incêndios florestais, numa altura em que se multiplicam os alertas para outra vaga de calor, têm-se espalhado online alegações enganosas sobre a resposta ao fogo e à sua origem.

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, apelou diretamente à população para que recorra a informação credível e alertou para a disseminação de alegações falsas.

Em declarações em Almería, em 13 de julho após uma visita ao local do incêndio em Los Gallardos, no sudeste de Espanha, afirmou que o papel dos meios de comunicação social é “crucial” no combate à “desinformação”, acrescentando que a propagação de informação falsa pode dificultar a gestão de uma situação de emergência.

Mais tarde, a 27 de julho, Sánchez agradeceu aos órgãos de comunicação social o combate à disseminação de desinformação sobre os incêndios.

“Estamos a assistir a muitas notícias falsas, muita desinformação sobre se os incêndios foram provocados para construir centrais solares, minas de lítio, minas de terras raras”, afirmou, acrescentando que as autoridades estão a investigar a verdadeira causa da emergência.

Acrescentou ainda que a crise climática está a provocar vagas de calor que agravam os incêndios florestais.

Espanha já está habituada a teorias infundadas em torno dos incêndios florestais. No ano passado, circularam alegações de que os fogos no país tinham sido ateados de forma deliberada para que promotores imobiliários pudessem utilizar os terrenos para construir, algo que acabou por se revelar falso.

Este ano, muitas dessas narrativas regressaram, a par de novas alegações falsas sobre a resposta do governo aos fogos.

Um exemplo é uma imagem partilhada no X e no Facebook que aparenta mostrar a primeira página do diário espanhol El País, segundo a qual o governo teria reduzido em mais de metade o financiamento para a prevenção de incêndios florestais, de 423 milhões de euros em 2018 para 181 milhões em 2026.

Mas a imagem é falsa.

Publicação no X mostra capa do El País que não foi publicada pelo jornal.
Publicação no X mostra capa do El País que não foi publicada pelo jornal. Cleared

O El País não publicou essa primeira página e a manchete da edição real de 24 de julho é uma entrevista com o antigo primeiro-ministr, José Luis Rodríguez Zapatero.

Comunicados oficiais recentes salientaram o reforço das medidas nacionais de preparação e prevenção de incêndios florestais antes da época de 2026.

De acordo com o mais recente Estudo de Investimento Florestal do Ministério da Transição Ecológica, o investimento do governo central na prevenção de incêndios florestais aumentou de 13 milhões de euros em 2018 para 28,3 milhões em 2024.

Alegações ligam incêndios a centrais solares

Outra alegação a circular na internet dizia que o incêndio em Los Gallardos tinha sido provocado de forma deliberada para limpar terreno para um projeto de central solar.

As publicações citavam documentos de planeamento do projeto fotovoltaico Sorbas II, da empresa energética EIDF, bem como um anúncio oficial publicado no Boletim Oficial do Estado (BOE), sugerindo que o incêndio, que já causou pelo menos 13 mortos, estaria ligado a esse empreendimento.

No entanto, uma análise aos documentos feita pelo projeto espanhol de verificação de factos, Maldita, mostra que não sustentam essa conclusão e indica que o terreno previsto para a central solar Sorbas II não foi afetado pelo incêndio.

Além disso, o projeto previa a construção em solo agrícola, o que significa que não seria necessária qualquer reclassificação do terreno para avançar.

As autoridades também não relacionaram a origem do incêndio de Los Gallardos com o projeto de central solar.

A hipótese de trabalho dos investigadores no caso de Los Gallardos é que o fogo terá começado devido à queda de um cabo ou linha de eletricidade.

Outras publicações que circulam no X, no Facebook e no TikTok alegam ainda que a expansão de projetos de centrais solares em Espanha está diretamente ligada aos incêndios florestais, com o governo ou promotores a provocarem deliberadamente fogos para poderem reconverter os terrenos.

No entanto, a Lei Florestal espanhola proíbe, em geral, a alteração do uso de terrenos florestais ardidos durante pelo menos 30 anos, salvo em situações limitadas definidas na própria lei, como quando uma construção nessa área é considerada de interesse público.

Verificadores de factos espanhóis também desmentiram alegações falsas de que a Agenda 2030 da ONU ou a Lei Florestal de Espanha proíbem a limpeza de matas, sublinhando que a legislação, na realidade, obriga as autoridades regionais a realizar trabalhos de prevenção de incêndios florestais.

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