Incêndio de Valpaços continua a mobilizar cerca de mil operacionais. Incêndio de Chaves em resolução em cerca de 90% e o de Penafiel foi extinto.
Cerca de mil operacionais e mais de 300 meios terrestres continuam a combater o incêndio que começou, na terça-feira, em Valpaços e que, na quinta-feira, alastrou aos concelhos de Mirandela e de Vinhais.
A frente do incêndio que causava mais preocupações pelas 16h desta sexta-feira era a que lavrava nos municípios vizinhos de Mirandela e Vinhais. Mobilizados para este fogo estavam, pelas 16h30, 987 operacionais, auxiliados por 317 viaturas e 11 meios aéreos.
"Temos uma área muito grande em que temos a frente de Valpaços em vigilância e consolidação de rescaldo e temos a frente de Vinhais e de Mirandela que esta em curso, está ativa e está a combate", adiantou o comandante regional do Norte da Proteção Civil, Albano Teixeira, em declarações aos jornalistas, citadas pela Lusa.
As altas temperaturas e algum vento foram apontadas como dificuldades no combate e a causa de algumas reativações.
Pela hora em que falava aos jornalistas não havia, segundo referiu o responsável, aldeias em risco, considerando que os trabalhos dos operacionais estavam a evoluir favoravelmente.
Já o presidente da Câmara de Valpaços, Jorge Mata Pires, concretizou que a situação no seu concelho "estava estabilizada e o perímetro consolidado", mas que o incêndio já tinha chegado também a Macedo de Cavaleiros.
O autarca estima "prejuízos avultadíssimos" e uma área ardida que já chegou aos 16 mil hectares, 10 mil dos quais no concelho de Valpaços, lembrando que o levantamento preliminar dos estragos em vinhas, olivais, soutos, amendoais e casas de primeira e segunda habitação e devolutas, está a ser feito em conjunto com os presidentes de junta do concelho.
O balanço provisório, de quinta-feira à noite, dava conta de cinco feridos ligeiros, três bombeiros, um militar da GNR e um civil, pelo menos 21 casas danificadas, duas indústrias e um armazém agrícola atingidos.
Já esta sexta-feira, em Vale de Telhas, no concelho de Mirandela, uma casa ardeu parcialmente e dezasseis pessoas foram assistidas pelos meios de socorro.
Incêndio de Chaves em resolução em cerca de 90%
O incêndio de Chaves, que deflagrou ontem em Redondelo, que mobilizava ao início da manhã de sexta-feira mais de 200 operacionais e mais de 60 meios terrestres entrou em fase de resolução às 17h20, adiantou à Lusa fonte do Comando Sub-Regional do Alto Tâmega e Barroso.
De acordo com a informação disponibilizada pela Proteção Civil, pelas 18h50 estavam no local do incêndio 161 operacionais apoiados por 50 viaturas e cinco meios aéreos.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, revelou que o incêndio já consumiu cerca de 1.000 hectares de área.
O autarca adiantou que o fogo destruiu armazéns, alfaias agrícolas, rolos de feno e palha, culturas, nomeadamente oliveiras e árvores de fruto, e muita floresta. Além disso, o incêndio matou alguns animais, designadamente cabras e ovelhas.
Num balanço pelas 12h00, o Comandante sub-regional de emergência e proteção civil do Alto Tâmega e Barroso, Artur Mota, indicou em declarações à Lusa que o fogo estava em resolução em cerca de 90%, mas mantinha alguns pontos quentes para consolidar, nomeadamente junto à autoestrada A24.
"Não podemos baixar a guarda porque as temperaturas vão aumentar muito, mas frentes ativas não temos, apenas alguns pontos quentes para consolidar. Creio que não voltaremos a ter casas em perigo, mas as próximas duas a três horas obrigarão a muita atenção", disse Artur Mota.
Entretanto, o incêndio de Penafiel, que lavrou na localidade de duas igrejas, já foi extinto.
Portugal conta, este verão, com 15.149 operacionais e 76 meios aéreos no combate aos incêndios florestais.
Mais de 50 concelhos em perigo máximo
A Proteção Civil ativou o estado de prontidão especial de nível II para o litoral e de nível III para o interior de Portugal Continental, numa altura em que mais de 50 concelhos do interior e do Algarve estão, esta sexta-feira, em perigo máximo de incêndio, apesar da descida prevista da temperatura.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os concelhos em risco máximo distribuem-se pelos distritos de Portalegre, Santarém, Castelo Branco, Coimbra, Viseu, Vila Real, Bragança, Guarda e Faro.
Nos restantes distritos há concelhos em perigo muito elevado, com exceção de Viana do Castelo, Lisboa e Setúbal, onde o risco varia entre elevado e moderado.
O IPMA prevê uma pequena descida da temperatura mínima no interior Norte e Centro e uma ligeira subida da temperatura no Algarve.
Évora e Beja deverão registar a temperatura mais elevada, com 36 graus. Em Lisboa são esperados 29 graus e no Porto 23.
O perigo de incêndio rural é avaliado pelo IPMA numa escala de cinco níveis, de reduzido a máximo, tendo em conta a temperatura do ar, a humidade relativa, a velocidade do vento e a precipitação registada nas últimas 24 horas.