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Incêndio no norte de Portugal está descontrolado e obriga a evacuar aldeias

ARQUIVO - Um bombeiro puxa uma mangueira enquanto trabalha para extinguir um incêndio numa floresta de eucaliptos nos arredores de Sever do Vouga
ARQUIVO - Um bombeiro puxa uma mangueira enquanto trabalha para extinguir um incêndio numa floresta de eucaliptos nos arredores de Sever do Vouga Direitos de autor  AP Photo/Bruno Fonseca
Direitos de autor AP Photo/Bruno Fonseca
De Rita Afonso & Joana Mourão Carvalho
Publicado a Últimas notícias
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Incêndio que começou em Valpaços e que se alastrou ao concelho de Mirandela também já entrou, ao final da tarde desta quinta-feira, no concelho de Vinhais. Fogo está a ser combatido por cerca de 800 operacionais.

O incêndio que começou em Valpaços, cruzou o rio Rabaçal e chegou ao concelho de Mirandela, também já entrou, ao final da tarde desta quinta-feira, no concelho de Vinhais, pela aldeia de Vale das Fontes.

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Os moradores desta aldeia foram encaminhados para o pavilhão da junta de freguesia, devido ao fogo se ter propagado rapidamente, adiantou o autarca da localidade, cita a Lusa.

Até ao momento, naquele concelho ardeu apenas floresta, tendo o incêndio contornado armazéns agrícolas e estábulos com animais.

O incêndio em Mirandela que esta manhã tinha 80% do seu perímetro dominado registou várias reativações esta tarde e o fogo descontrolou-se, obrigando a GNR a intervir, avançou a SIC Notícias.

Uma das reativações, em Ervideira, concelho de Mirandela, obrigou mesmo a retirar a população das casas e a direcioná-la para uma zona segura na aldeia.

A aldeia de São Pedro Velho, em Mirandela, também teve de ser evacuada devido à aproximação das chamas, avançou a RTP.

O presidente da Câmara de Mirandela adiantou, à Lusa, que os moradores estão abrigados em associações locais, um ponto de encontro definido para salvaguarda em caso de incêndio.

Fonte da GNR revelou ainda à Lusa que a Estrada Municipal 532, com ligação a São Pedro Velho, está fechada ao trânsito.

No concelho de Valpaços, mais concretamente na localidade de Gorgoço, o fogo consumiu oito casas devolutas e três habitações permanentes. Em Santa Valha, cinco casas devolutas, duas de primeira habitação, duas de segunda habitação e um armazém agrícola foram afetadas pelo incêndio. No Cabeço, uma casa de primeira habitação ardeu, deixando três pessoas desalojadas.

Em Vilarandelo, duas indústrias, sucatas de automóveis, foram atingidas pelo fogo.

Devido ao incêndio, três bombeiros, um GNR e um civil sofreram ferimentos leves.

O incêndio que deflagrou na terça-feira continua a mobilizar cerca de 800 operacionais e será reforçado com meios terrestres após dificuldades na atuação dos meios aéreos, avançou à Lusa fonte do Comando Regional de Emergência e Proteção Civil do Norte.

"Durante a noite tivemos cerca de 70% do perímetro do incêndio em consolidação e 30% a ceder aos meios de combate. Durante a manhã [de hoje] estabelecemos uma estratégia apoiada na utilização de 12 meios aéreos que não foi possível de implementar, que não puderam atuar, por razões de segurança", afirmou o comandante Luís Araújo à agência noticiosa.

Num ponto de situação às 13h50, a mesma fonte disse que os meios estavam a ser posicionados e reforçados, numa altura em que cinco meios aéreos já se encontravam a combater as chamas.

Segundo o balanço provisório do segundo comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Norte, neste momento a área ardida estará "acima dos seis mil hectares".

Incêndio em Chaves com três frentes ativas mobiliza 126 operacionais

Outro incêndio deflagrou esta quinta-feira em São Domingos, no concelho de Chaves, mobilizando pelo menos 126 operacionais, apoiados por 30 veículos e oito meios aéreos, avançou fonte dos Bombeiros à Lusa.

O fogo tinha ao início da tarde três frentes ativas, uma em direção à aldeia da Pastoria em Chaves, outra em direção à Autoestrada 24 (A24) e outra em direção à aldeia de Sapelos, no concelho de Boticas, adiantou à Lusa o segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública de Chaves, Ricardo Rebelo.

Não há registo de habitações atingidas, mas as chamas já ameaçaram duas vacarias entre aldeias do concelho de Boticas.

O responsável disse ter sido pedido "um reforço de meios", com aeronaves "portuguesas e espanholas" a combater as chamas.

O fogo consumiu "alguns armazéns e alfaias agrícolas" e causou a morte de animais na aldeia da Pastoria, referiu à Lusa fonte dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública de Chaves, já ao final da tarde de quinta-feira.

Segundo a mesma fonte, cita a agência, devido à intensidade do fogo foi retirada de casa por precaução, uma pessoa idosa acamada que foi transportada para a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) em Chaves, no distrito de Vila Real.

Pelas 19h00, a aldeia já estava "livre de perigo", adiantou a mesma fonte dos Bombeiros.

Autarca acusa Governo de inação na limpeza de terrenos

Um outro incêndio está a consumir uma zona de mato em Linda-a-Velha, Oeiras, que está próxima de um supermercado. Ao início da tarde, estavam 63 operacionais e 21 meios terrestres a combater as chamas, de acordo com o Observador.

O alerta para o incêndio foi dado às 12h49 e foi dominado cerca de uma hora e vinte minutos depois, estando agora em fase de resolução, adiantou Ricardo Brito, comandante adjunto dos Bombeiros Voluntários de Algés, à mesma publicação.

Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, que esteve no local, fez questão de apontar o dedo ao Goveno, uma vez que o terreno onde deflagrou o incêndio pertence ao Ministério da Defesa.

"Infelizmente é o que se passa com a maioria dos terrenos do Estado, o Estado não cuida", criticou Isaltino Morais, citado pelo Observador. "Parece que ninguém é proprietário do terreno."

O autarca de Oeiras denunciou a inação do Estado relativamente ao terreno, admitindo que a Câmara de Oeiras já pediu um orçamento para a limpeza dos terrenos, depois de um outro fogo ter atingido aquela zona ainda este mês.

"Chegou-nos um orçamento esta semana de 120 mil euros para fazer esta limpeza toda do terreno", disse aos jornalistas no local. "Independentemente do que o Estado vai fazer, a Câmara de Oeiras, como é habitual, substitui-se ao Estado", rematou.

A 13 de julho, Isaltino já tinha publicado um vídeo nas redes sociais sobre o terreno a criticar o Ministério da Defesa por não limpar o terreno e alertando que havia risco da zona de mato arder.

Mais de 50 concelhos do interior de Portugal enfrentam esta quinta-feira perigo máximo de incêndio, embora se espere uma ligeira descida da temperatura.

O risco elevado de incêndio deverá manter-se alto ao longo da semana, segundo a previsão do IPMA.

O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

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