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Reino Unido rejeita retaliação israelita às sanções contra colonatos na Cisjordânia

Vista de uma área na zona E1 perto de Maale Adumim, na Cisjordânia ocupada, 8 de setembro de 2026
Vista de uma área na zona E1, perto de Maale Adumim, na Cisjordânia ocupada, 8 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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A Cisjordânia está ocupada por Israel desde 1967 e registou um aumento da violência desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelos ataques do grupo islamita Hamas contra Israel, a 7 de outubro de 2023.

Ed Miliband, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, condenou como "lamentável e prejudicial" a decisão de Israel de ordenar o encerramento do consulado britânico em Jerusalém, em retaliação pelas sanções ocidentais lideradas por Londres devido à violência de colonos.

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"Previmos que isto pudesse acontecer, porque vimos outros países, os Países Baixos, por exemplo, que tinham anunciado sanções e que tinham visto estas represálias por parte de Israel. Considero que são lamentáveis e prejudiciais", declarou Miliband à BBC Radio, na quarta-feira.

Israel ordenou o encerramento na terça-feira, depois de 12 países, incluindo o Reino Unido e França, terem anunciado sanções ao comércio com colonatos israelitas na Cisjordânia, na sequência de um aumento de ataques contra palestinianos na Cisjordânia ocupada.

Israel indicou que expulsará também representantes britânicos de um centro que acompanha o plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em Gaza, que irá impedir a formação britânica de forças da Autoridade Palestiniana e proibir a entrada de 12 britânicos, sobretudo deputados, no país.

Miliband rejeitou as sugestões de que as sanções afetariam a cooperação dos serviços de informações com Israel.

Ed Miliband, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, fala durante uma conferência de imprensa em Madrid, 29 de julho de 2026
Ed Miliband, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, fala durante uma conferência de imprensa em Madrid, 29 de julho de 2026 AP Photo

"Mantemos relações importantes de informação e segurança com Israel e estou confiante de que continuarão", afirmou, recusando entrar em detalhes.

"E fui muito claro ontem ao afirmar que acreditamos em trabalhar com os nossos parceiros israelitas perante as ameaças que enfrentam por parte do Irão", acrescentou.

Miliband desvalorizou também as críticas às sanções feitas pelo rabino-mor do Reino Unido.

Na terça-feira, Ephraim Mirvis classificou as medidas como "pouco mais do que um exercício de afirmação política".

Afirmou que era "verdadeiramente um dia sombrio para os judeus britânicos", prevendo que as medidas "apenas conseguirão reforçar o próprio extremismo que pretendem combater".

Vários ataques antissemitas em Londres este ano tiveram como alvo sinagogas e outros locais judaicos.

Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha e Suécia juntaram-se ao Reino Unido e à França ao confirmarem, na terça-feira, planos para introduzir restrições ao comércio com os colonatos, segundo um comunicado conjunto dos ministros dos Negócios Estrangeiros destes países.

"As ações do Governo de Israel na Cisjordânia estão a minar a possibilidade de uma solução de dois Estados", lê-se no comunicado, que acrescenta terem-se verificado "níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão de colonatos".

"Juntos, mantemos uma posição firme: a solução de dois Estados tem de ser protegida e tomaremos medidas em prol de uma paz justa e duradoura", prossegue o texto.

A decisão surge depois de o Governo israelita ter lançado, no mês passado, concursos para a construção de cerca de 1.200 habitações na Cisjordânia, o que suscitou forte condenação da comunidade internacional e de organizações de direitos humanos.

As unidades, destinadas à área de colonatos E1, isolariam ainda mais Jerusalém Oriental do restante território.

Militares israelitas permanecem numa rua enquanto um palestiniano é detido durante uma incursão militar na cidade de Anata, na Cisjordânia, 8 de setembro de 2026
Militares israelitas permanecem numa rua enquanto um palestiniano é detido durante uma incursão militar na cidade de Anata, na Cisjordânia, 8 de setembro de 2026 AP Photo

Cisjordânia

A Cisjordânia está ocupada por Israel desde 1967 e registou um aumento da violência desde o início da guerra em Gaza, desencadeada após os ataques do grupo armado Hamas contra Israel, a 7 de outubro de 2023.

Segundo um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, havia cerca de 737 mil colonos israelitas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, em outubro de 2024.

Os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais à luz do direito internacional.

Outras fontes • AFP

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