Muitos fãs de música criticam o aumento de preços do festival de 2027, dizendo que é “injusto” e “uma burla”. Pagaria cerca de 480 € pelo Glasto?
Depois de um ano sem edição em 2026, o festival britânico Glastonbury confirmou que os bilhetes para a edição do próximo ano vão ser colocados à venda já no próximo mês.
Tendo já defendido que o ícone de Worthy Farm é sobrevalorizado, um autêntico pesadelo para conseguir bilhetes e, no fundo, tem muito a invejar alguns dos melhores festivais de música da Europa continental, surge agora mais um argumento que confirma a nossa posição: o preço dos bilhetes.
Os bilhetes para a edição de 2027, que decorre de 23 a 27 de junho, vão custar 408 libras, incluindo uma taxa de reserva de 5 libras por bilhete.
Isto equivale a cerca de 480 euros no total – uma subida de quase 30 libras (34 euros) face a 2025 e, segundo noticiou a BBC News (fonte em inglês), parte de um aumento contínuo desde 2010, quando os bilhetes custavam 286 libras (330 euros).
É certo que este padrão de aumentos se vê em todo o sector – sobretudo no Reino Unido pós-Brexit. Mas o Glasto já era o festival de música mais caro do país e os preços do próximo ano serão os mais elevados de sempre.
Os fãs não estão satisfeitos, e com razão, tendo em conta a crise do custo de vida, o facto de os cabeças de cartaz de 2027 ainda não terem sido anunciados (apesar dos rumores que apontam para The Rolling Stones, Fontaines D.C. e Stevie Wonder) e o retrato recorrente de Glasto: dificuldades de reserva + lama + condições precárias + palcos saturados + preços inflacionados para comida e bebidas + ambiente estragado por multidões bem menos acolhedoras do que certos públicos europeus.
Opinião impopular para muitos, mas as queixas estão a multiplicar-se – há quem considere o preço de 2027 “desrazoável”, “louco” e “uma fraude”, enquanto muitos sentem que estão a ser afastados pelo valor dos bilhetes.
Um fã escreveu (fonte em inglês): “A última vez que fui foi em 2009. Custava 165 libras. Parecia acessível, valia cada cêntimo. Com a inflação, sim, deveria ser 300 libras agora. Percebo, é um evento de caridade. Mas 400 libras?? Isso não parece certo nem justo.”
Outra pessoa partilhou (fonte em inglês): “Em 2000 eram 87 libras. São mais 321 libras em 27 anos. O dinheiro subiu, mas a música desceu. Mesmo contando com a inflação, hoje deveria rondar as 160 libras. Paga-se mais dinheiro para ouvir música de porcaria. Como é que isto é justo?”
Outro comentou: “No Reino Unido, tudo está a ficar mais caro e com pior qualidade. Como é que as pessoas aceitam isto? Nada neste país faz sentido.”
Veja mais reações abaixo:
Alguns fãs defendem o aumento, sublinhando que é, na verdade, uma “pechincha” face aos preços atuais dos concertos.
“Um concerto numa grande sala custa agora entre 80 e 100 libras. Acho que 408 libras é justo por cinco dias de grandes atuações”, escreveu alguém no X. Outra pessoa concordou: “400 libras por um bilhete para o Glasto continua a parecer um bom negócio se olhar para o que gastei em concertos este ano.”
“400 libras pelos cinco dias, pelos artistas que se podem ver e por tudo o resto que há nos campos é uma verdadeira pechincha”, acrescentou outra pessoa.
Em 2023, a responsável máxima de Glasto, Emily Eavis, reconheceu que era uma “altura difícil” para os organizadores de festivais. “Tentámos muito minimizar o aumento do preço do bilhete, mas estamos a enfrentar subidas enormes nos custos de produção deste evento gigantesco, ao mesmo tempo que ainda recuperamos do enorme impacto financeiro de dois anos sem festival devido à Covid.”
Argumentos válidos, mas, tendo em conta que os passes de quatro dias para o Rock en Seine deste ano custam 235 euros, que o belga Rock Werchter (provavelmente a resposta da Europa continental a Glastonbury) fica por 315 euros e que um dos nossos festivais preferidos na UE, o holandês Best Kept Secret, custa apenas 299 euros (com acesso ao parque de campismo incluído), sabemos bem que bilhetes vamos tentar garantir no próximo ano.