Netanyahu afirmou ter ordenado às IDF que “acelere a legalização das explorações agrícolas já existentes e a criação de novas” após o incidente junto da aldeia de Tell.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou às Forças de Defesa de Israel (IDF) que tomem “medidas firmes contra o terrorismo”, após um confronto mortal na Cisjordânia ocupada, na sexta‑feira.
As ordens de Netanyahu incluem demolir “a casa do terrorista que realizou o ataque desta manhã perto da aldeia de Tell”, realizar “operações vigorosas em aldeias que funcionam como focos de terrorismo” e reforçar a presença militar “em toda a Judeia e Samaria”.
Acrescentou que a IDF iria “acelerar a legalização das explorações agrícolas existentes e a criação de novas”.
Quatro palestinianos foram mortos e outros quatro ficaram feridos por forças israelitas na Cisjordânia, na sexta‑feira, segundo o ministério da Saúde palestiniano.
Um israelita também morreu no incidente, que ocorreu na zona da aldeia de Tell, de acordo com o serviço de urgência israelita Magen David Adom.
Embora os detalhes precisos do que aconteceu permaneçam pouco claros, relatos de meios de comunicação israelitas e palestinianos indicam que colonos israelitas do assentamento de Havat Gilad entraram em Tell e foram confrontados por moradores locais.
A agência noticiosa palestiniana WAFA relatou que o grupo israelita “atacou a parte oriental da aldeia” e incendiou uma loja, duas casas e terrenos agrícolas.
As IDF afirmaram que os israelitas “faziam caminhadas na zona” e que um palestiniano residente roubou uma arma a um agente de segurança que chegou ao local e abriu fogo contra os israelitas.
Imagens de vídeo que circulam nas redes sociais parecem captar a cena caótica à medida que se desenrola. Mostram homens armados a aproximarem‑se de um grupo de palestinianos antes de um deles ser aparentemente desarmado e se ouvirem disparos.
As IDF afirmaram que as suas forças mataram a pessoa que alegadamente roubou a arma.
Cisjordânia
Cisjordânia está ocupada por Israel desde 1967 e registou uma escalada de violência desde o início da guerra em Gaza, desencadeada após os ataques de 7 de outubro de 2023 do grupo islamita Hamas.
Segundo um relatório do Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, havia cerca de 737 mil colonos israelitas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, em outubro de 2024.
Os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais ao abrigo do direito internacional.
Em maio, a União Europeia aprovou novas sanções contra colonos israelitas devido ao aumento da violência na Cisjordânia. Na mesma altura, o bloco anunciou também sanções adicionais contra figuras dirigentes do Hamas.
Numa declaração na altura, a principal diplomata da UE, Kaja Kallas, afirmou: “já era mais do que tempo de passarmos do impasse à ação. O extremismo e a violência têm consequências”.
Segundo o ministério da Saúde palestiniano, 87 palestinianos foram mortos na Cisjordânia em 2026.