Sobrecarregado, o ferry estatal, ligação vital para residentes e vendedores de peixe em redor do vasto lago Kariba, virou-se em águas agitadas, num dos piores desastres com embarcações de passageiros a acontecer no país.
Um homem que sobreviveu a um acidente com um ferry que causou a morte de, pelo menos, 46 pessoas no Lago Kariba, no Zimbabué, contou na quinta-feira à agência de notícias AFP como assistiu, impotente, enquanto as pessoas tentavam salvar-se. O seu melhor amigo e sete dos seus familiares estão entre as vítimas mortais.
O ferry estatal sobrecarregado, elo vital para habitantes de aldeias e comerciantes de peixe em torno do vasto lago, virou-se em águas agitadas na terça-feira, num dos piores acidentes com embarcações de passageiros no país.
“Graças a Deus, uma onda empurrou a embarcação que se afundava e conseguimos subir para cima dela”, explicou Chance Siyamavhu numa cerimónia de homenagem na localidade ribeirinha de Kariba, perto da fronteira com a Zâmbia.
Empoleirado no casco virado, viu os passageiros lutar pela sobrevivência, incapaz de os salvar.
“Quando o barco se virou, a maioria das pessoas correu para tentar apanhar os coletes salva-vidas, mas a maior parte nem sabia como os usar”, contou o homem de 45 anos à AFP. “A maior parte não conseguiu sobreviver.”
“Os nossos familiares foram arrastados noutra direção e afundaram-se porque não tínhamos maneira de os ajudar”, disse.
Dezenas de pessoas enlutadas reuniram-se em frente a 44 caixões na emotiva cerimónia. O último balanço das autoridades apontava para um total de 46 vítimas mortais.
“Os nomes das vítimas que perderam a vida no acidente serão divulgados oportunamente”, indicou a polícia em comunicado.
As autoridades referem que a embarcação estava autorizada a transportar 90 pessoas, mas seguia com 114 adultos, cinco tripulantes e um número indeterminado de crianças.
A unidade de proteção civil indicou que 77 pessoas foram resgatadas e há receios de que outros passageiros continuem desaparecidos.
Sobreviventes relataram que imploraram ao capitão que regressasse à costa quando a embarcação começou a meter água.
Anymore Chambati, que trabalhava como segurança a bordo, disse à AFP que tentou distribuir coletes salva-vidas quando o barco começou a afundar-se.
“Consegui entregar não mais de 10”, contou. “Os motores do ferry ficaram inundados devido aos ventos fortes e acabaram por falhar, com exceção de um.”