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Corrida contra o tempo nos céus de Portugal: helicópteros do INEM prontos a atuar em três minutos

Os helicópteros de emergência médica do INEM conseguem descolar em apenas três minutos, garantindo assistência rápida em situações críticas
Os helicópteros de emergência médica do INEM conseguem descolar em apenas três minutos, garantindo assistência rápida em situações críticas Direitos de autor  Bruno Figueiredo/Euronews
Direitos de autor Bruno Figueiredo/Euronews
De Joana Mourão Carvalho
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Em Portugal, há equipas de emergência médica prontas a descolar a qualquer momento. Quando chega o alerta, os helicópteros com equipas do INEM levantam voo em menos de cinco minutos, levando assistência rápida a locais mais isolados, onde cada segundo pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Ainda antes do dia começar, há equipas em prontidão nas bases de helicópteros de emergência médica em Portugal. A qualquer momento pode chegar uma chamada e, quando chega, cada segundo conta.

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Por terra, muitas vezes não há tempo. Por ar, a resposta ganha velocidade. Em média, o tempo de reação entre o alerta e a descolagem é de três minutos.

"O tempo de resposta em emergência médica é o fator crítico de sucesso. Estamos com um tempo de excelência, nos três minutos. Conseguimos até baixar em certos casos. A nossa média é de três minutos de tempo de resposta após a ativação", explica Hugo Chambel, diretor da Gulf Med Aviation Services para a Península Ibérica, em declarações à Euronews.

A operação é assegurada pela Gulf Med, empresa da maltesa Medilink, em parceria com equipas médicas do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). O dispositivo está distribuído por quatro bases permanentes — Loulé, Évora, Viseu e Macedo de Cavaleiros — garantindo cobertura a quase todo o território.

A Gulf Med iniciou a operação em Portugal em julho de 2025, ao abrigo de um ajuste direto assinado com o INEM, pelo valor de cerca de quatro milhões de euros e que vigorou até outubro do ano passado.

A partir de outubro, a empresa passou a operar no âmbito do contrato de 77,5 milhões de euros, que resultou do concurso público internacional para o Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM) do INEM e que previa um dispositivo de quatro aeronaves disponíveis 24 horas por dia.

O contrato com uma duração de cinco anos é válido até meados de 2030 e tem um valor total superior a 77 milhões de euros.

Em abril de 2026, a empresa reforçou o dispositivo com a integração de um quinto helicóptero, elevando o investimento global da frota em Portugal para cerca de 50 milhões de euros. Este helicóptero adicional funciona como aeronave de reserva, assegurando a continuidade operacional das quatro bases em funcionamento durante períodos de manutenção ou eventuais substituições por motivos técnicos.

Airbus H145 D3 é capaz de aterrar em qualquer lado

Do interior isolado às estradas e até zonas costeiras, o helicóptero torna-se muitas vezes o único meio capaz de garantir assistência rápida. As aeronaves Airbus H145 D3, equipadas com esquis em vez de rodas, permitem aterrar em praticamente qualquer terreno.

"Temos a certeza disso, não só por serem aparelhos que estão desenhados para este tipo de missão. O seu peso, a sua capacidade de carga está muito bem dimensionada para ser muito flexível. Isto quer dizer que é uma aeronave que consegue aterrar praticamente em todo o lado, desde uma estrada, uma herdade ou um sítio com menos área disponível para aterragem. São aeronaves excelentes e equilibradas para o nosso tipo de território, para os nossos tipos de necessidades", defende o responsável da Gulf Med.

No interior, a cabine ampla e o equipamento médico especializado são pensados para intervenções imediatas. A bordo seguem médicos e enfermeiros preparados para atuar em cenários críticos.

"A missão é constituída por várias partes. Ainda a caminho, com base na informação inicial, discutimos possíveis cenários e antecipamos dificuldades para poupar tempo na abordagem ao doente", refere Leila Duarte, médica de Medicina Interna e de Emergência do INEM, à Euronews.

"Depois avaliamos, estabilizamos e decidimos, em contacto com a central, para onde transportar o doente. Durante o voo, mantemos uma monitorização constante e comunicamos qualquer alteração ao hospital de destino", acrescenta a profissional.

Equipados com esquis em vez de rodas, estes helicópteros são capazes de aterrar em praticamente qualquer lado
Equipados com esquis em vez de rodas, estes helicópteros são capazes de aterrar em praticamente qualquer lado Bruno Figueiredo/Euronews

Já no cockpit, a prioridade é garantir uma operação segura em qualquer circunstância.

"Verificamos sempre as condições meteorológicas para reagir rapidamente quando surge uma chamada primária. À noite, é mais exigente, porque temos de considerar vários fatores, incluindo o local de aterragem. Ainda assim, conseguimos reagir normalmente dentro de cinco minutos", garante Craig Dewar, piloto do Serviço de Helicópteros de Emergência Médica do INEM.

As missões dividem-se em dois tipos: primárias, quando a equipa é enviada diretamente para o local do incidente, e secundárias, mais programadas, entre unidades hospitalares. O SHEM também garante missões de transporte de órgãos e transporte em ECMO (Oxigenação Extracorporal por Membrana), no caso de um doente crítico dependente de suporte cardiopulmonar mecânico avançado entre unidades de saúde.

Contudo, o número de missões primárias tem vindo a ganhar peso, refletindo a importância deste meio em situações críticas. "Um dos nossos primeiros objetivos foi mudar o paradigma das missões. Agora fazemos mais missões primárias do que secundárias", revela Hugo Chambel.

Desde o início do ano, o Heli Sul em Évora já realizou cerca de 230 missões, das quais 160 foram ocorrências primárias, um indicador da crescente relevância do transporte aéreo na resposta à emergência médica, sobretudo nas regiões do interior.

Independentemente do cenário, o objetivo mantém-se: chegar rápido e salvar vidas.

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