Nos últimos meses, Kiev tem instado os aliados a fornecer mais sistemas de mísseis Patriot fabricados nos EUA, à medida que a Rússia intensifica o uso de mísseis balísticos, mais de quatro anos após o início da invasão em grande escala.
Ataques com mísseis e drones russos mataram pelo menos 15 pessoas e feriram dezenas na noite de terça para quarta-feira em Kiev e na região envolvente, segundo as autoridades, num dos mais recentes ataques mortais contra a Ucrânia.
Jornalistas da agência noticiosa AFP ouviram explosões em Kiev após a meia-noite, após a força aérea ucraniana ter emitido alertas sobre a aproximação de mísseis balísticos.
Um dos jornalistas relatou ter visto fumo escuro e um cheiro acre a queimado que permanecia no ar horas depois.
A administração militar de Kiev indicou que a salva de mísseis e drones atingiu edifícios residenciais e vários armazéns.
"O inimigo volta a atacar deliberadamente civis e infraestruturas civis", escreveu a administração militar na plataforma Telegram.
A administração militar indicou que uma mulher morreu e que pelo menos 24 pessoas ficaram feridas na capital, após os ataques terem provocado incêndios em quatro bairros.
Segundo as autoridades regionais, 14 pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas em ataques na região de Kiev e nas zonas circundantes.
"A região de Kiev sofreu esta noite um dos ataques mais trágicos por parte do inimigo", escreveu no Telegram Tymur Tkachenko, chefe da administração militar regional.
"A Rússia voltou a trazer morte e destruição à nossa terra, ceifando a vida a civis. Uma responsabilização justa seguirá certamente por cada um destes crimes."
Esta violência sucede a uma série de ataques noturnos mortais na capital.
No sábado, os ataques russos contra Kiev e os seus subúrbios causaram a morte de 10 pessoas e feriram mais de 30, enquanto drones ucranianos afundaram um grande navio porta-contentores russo no mar Negro.
Nos últimos meses, Kiev tem apelado aos aliados para que lhes forneçam mais sistemas de defesa antiaérea Patriot, de fabrico norte-americano, numa altura em que, mais de quatro anos após o início da invasão em grande escala, a Rússia está a intensificar o uso de mísseis balísticos.
"Caça" deliberada
Ambos os lados intensificaram os ataques de longo alcance nas últimas semanas, com a Rússia a mais do que duplicar a utilização de mísseis em julho, segundo uma análise da AFP.
Os ataques com drones também se tornaram mais frequentes, com a Ucrânia a intensificar as ações contra infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás, bem como centros logísticos na Rússia.
Na manhã de terça-feira, cinco pessoas morreram e outras 10 ficaram feridas na região de Moscovo, em ataques que visaram depósitos da gigante russa do comércio eletrónico Wildberries.
Na quarta-feira, o presidente da Câmara de Moscovo afirmou que as defesas aéreas do país tinham interceptado e destruído pelo menos 10 drones que se dirigiam para a capital russa.
O governador da região de Tula, a sul de Moscovo, declarou que as forças russas abateram 107 drones ucranianos na região durante a noite.
Acrescentou ainda que dois blocos de apartamentos ficaram danificados e que um drone caiu nos terrenos de uma instalação logística da Wildberries, provocando um incêndio.
A empresa, acusada pela Ucrânia de armazenar componentes de drones e de ajudar o exército russo, afirmou ter ordenado uma "evacuação preventiva".
Entretanto, a Ucrânia manifestou indignação após a divulgação de um vídeo que mostra um homem a ser perseguido por um drone na cidade de Kherson, considerando tratar-se de uma "caça" e "safari" deliberados contra civis.
Os observadores de direitos humanos da ONU manifestaram preocupação com o aumento do número de vítimas civis, que atingiu o valor mais elevado desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a falta de interceptores de mísseis balísticos "apenas encoraja a Rússia a lançar estes ataques que ceifam vidas humanas".
Na terça-feira passada, encontrou-se com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, em parte para pressionar Washington a conceder licenças que permitam produzir sistemas Patriot no país.