O ataque atingiu um comboio com destino a Varsóvia perto da fronteira, pouco depois de outro comboio que transportava vários dignitários estrangeiros ter passado na mesma linha.
O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, afirmou que esperava que Moscovo intensificasse a guerra "nas próximas semanas", na sequência dos ataques russos que atingiram um comboio com destino a Varsóvia na Ucrânia, a apenas dois quilómetros da fronteira com a Polónia.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse acreditar que o ataque russo tão perto da fronteira polaca foi pensado para “meter medo” aos países ocidentais que apoiam Kiev.
“Pretende claramente afastar os países ocidentais do apoio à Ucrânia, impedir que vão à Ucrânia para mostrar apoio”, disse Kallas, apelando aos apoiantes de Kiev para que façam “o contrário”.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Radoslaw Sikorski, pediu aos aliados que “dupliquem” o apoio à Ucrânia, após aquilo que também classificou como uma “escalada”.
O comboio encontrava-se na estação de Yahodyn quando ocorreu o ataque. Segundo relatos, apenas a locomotiva foi atingida. As autoridades ucranianas disseram que todos os passageiros foram retirados e não há registo de vítimas.
Pouco antes de o comboio ser atingido, outro composição, que transportava altos responsáveis da UE e o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson, passou por Yahodyn na mesma linha em direção à Polónia, no regresso de uma conferência em Kiev.
À hora do ataque, encontrava-se noutro comboio na mesma estação o antigo diretor da CIA David Petraeus. Disse ao New York Times que ouviu drones russos sobrevoar e uma explosão subsequente, descrevendo a situação como “aterradora”.
A Rússia afirmou ter atingido “infraestruturas ferroviárias usadas para transportar carga militar” proveniente de países europeus.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, acusou Moscovo de ter atingido “deliberadamente” a locomotiva.
“É precisamente para impedir que estes ataques se espalhem mais pela Europa que os homens e mulheres ucranianos lutam todos os dias, dão a vida e não permitem que a agressão se alargue”, afirmou Zelenskyy.
Noutros pontos do país, ataques russos contra a Ucrânia no domingo mataram pelo menos duas pessoas na cidade de Kramatorsk.
Responsáveis ucranianos relataram ainda que 20 pessoas, incluindo duas crianças, ficaram feridas na cidade portuária de Odesa, no sul do país.