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Vida em Marte? Indícios acumulam-se e aguardam confirmação das missões ExoMars e Mars 2020

Imagem do rover Perseverance a tirar uma selfie na superfície de Marte – cortesia da NASA
Imagem do rover Perseverance Mars a tirar um selfie na superfície de Marte - fornecida pela NASA Direitos de autor  AP Photo provided by NASA
Direitos de autor AP Photo provided by NASA
De Euronews Roma
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Têm surgido cada vez mais indícios de que Marte poderá ter albergado vida. O tema está em destaque no Cospar, o congresso de investigação espacial que decorre em Florença. A missão europeia ExoMars poderá ser decisiva.

Marte, o planeta rochoso, sempre foi considerado inóspito e inadequado à vida, apesar de ser, entre os planetas do Sistema Solar, o mais semelhante à Terra.

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Novos estudos, apoiados pelas recentes explorações espaciais do rover Perseverance, sugerem, no entanto, que o planeta poderá ter reunido no passado condições propícias à vida.

Esta é uma das questões centrais da astronomia atual, em destaque no mais importante congresso de investigação espacial, o Cospar. O encontro, organizado pelo Instituto Nacional de Astrofísica, decorre atualmente em Florença.

"A combinação de vários indícios, como a deteção pelo rover Perseverance, da NASA, de minerais que, na Terra, são produzidos por microrganismos e de matéria orgânica complexa, está a aumentar a probabilidade de que, pelo menos no passado, Marte possa ter sido habitado", afirmou à ANSA Teresa Fornaro, investigadora do Observatório de Arcetri do INAF e professora de Astrobiologia em Florença, que colabora na missão Perseverance.

Segundo a investigadora, eventuais formas de vida em Marte deverão consistir provavelmente em microrganismos que terão vivido no subsolo, protegidos das radiações que atingem a superfície do planeta e capazes de aproveitar a energia das rochas.

"Até agora, recolhemos apenas indícios indiretos. A matéria orgânica encontrada, por exemplo, apresenta uma estrutura profundamente alterada e é, por isso, difícil determinar a sua origem. Teremos uma resposta definitiva apenas quando pudermos analisar as amostras na Terra", acrescentou Fornaro.

Missões ExoMars 2028 e Mars 2020

Por isso, ganham particular relevância os resultados que poderão surgir das missões previstas para os próximos anos, dedicadas ao planeta vermelho.

De especial importância, segundo a astrobióloga, será a missão ExoMars, da Agência Espacial Europeia (ESA), que terá como protagonista o rover Rosalind Franklin. O lançamento está previsto para 2028 e a aterragem na superfície marciana para 2030.

A missão já está em curso e, em 2016, enviou uma primeira sonda, a Trace Gas Orbiter, para estudar a atmosfera de Marte. Em 2028, será lançado o primeiro rover europeu, precisamente para tentar encontrar provas diretas que permitam responder à pergunta: existiu alguma vez vida em Marte?

"Até agora, os rovers conseguiram explorar apenas a superfície, enquanto o Rosalind Franklin poderá perfurar o solo até uma profundidade de 2 metros e estará equipado com instrumentos que são os mais avançados alguma vez enviados para Marte", explicou Fornaro, sublinhando o caráter inovador e a relevância da missão.

Entretanto, continua ativo no planeta o Perseverance, o rover da NASA que iniciou, em 2021, a exploração da superfície marciana para procurar vestígios de antiga vida orgânica em Marte.

A missão Mars 2020 estava inicialmente prevista para durar um ano marciano (cerca de 687 dias terrestres), mas foi prolongada por tempo indeterminado, uma vez que o rover continua a funcionar perfeitamente e, graças à recolha de rochas e rególito, tem permitido avanços significativos na investigação espacial.

Uma amostra recolhida no verão de 2024, à qual Fornaro também se refere, continha potenciais vestígios biológicos que, embora careçam de confirmação através de análises adicionais, foram descritos pelo administrador da NASA, Sean Duffy, como "o momento em que chegámos mais perto de sempre da vida em Marte".

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