Loader
Encontra-nos
Publicidade

Bielorrússia junta-se à guerra russa contra a liberdade de informação

Logótipo da Euronews
Logótipo da Euronews Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De euronews
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Decisão pouco transparente da Bielorrússia de bloquear o site da Euronews no país segue-se ao bloqueio russo de todos os conteúdos, numa ofensiva conjunta contra os media.

A decisão da Bielorrússia de bloquear o site da Euronews, ao classificá‑lo como “extremista” e ao acrescentá‑lo à sua “Lista Republicana de Materiais Extremistas”, representa uma nova escalada das autoridades em Minsk na repressão aos media independentes e à liberdade de expressão.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Segundo noticiado por órgãos de comunicação sediados na Bielorrússia, a decisão do ministério da Informação levou à restrição imediata do acesso às plataformas digitais da Euronews no território do país, como indicam os sistemas de monitorização de tráfego em tempo real da estação.

Até sábado, a Bielorrússia ainda não tinha comunicado a decisão à Euronews, tomada alegadamente a 4 de agosto, mas não explicou os motivos que a sustentam.

O ministério da Informação já tinha proibido as emissões televisivas da Euronews em abril de 2021, após a cobertura dos protestos em todo o país contra o dirigente bielorrusso Aleksandr Lukashenko.

Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, fala com jornalistas durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente indonésio, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, em Jacarta.
Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, fala com jornalistas durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente indonésio, Prabowo Subianto, no Palácio Merdeka, em Jacarta. AP Photo

Na altura, o argumento oficial do governo da Bielorrússia foi que a licença de emissão da Euronews tinha expirado e que o canal transmitia anúncios em inglês em vez de os traduzir para russo ou bielorrusso, como exigiam as leis locais.

A Euronews também não foi notificada dessa decisão e voltou a saber da proibição através dos meios de comunicação na Bielorrússia.

Num comunicado publicado depois de a proibição de 2021 entrar em vigor, a Euronews condenou a decisão e afirmou que iria “fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para garantir que o seu público na Bielorrússia possa voltar muito em breve a ter acesso, na televisão, ao seu jornalismo imparcial e de qualidade característico”.

“Entretanto, esses públicos poderão continuar a acompanhar‑nos nas nossas plataformas digitais”, acrescentou.

Rússia serve de modelo a Minsk

Os dados de tráfego digital mostram que, ao longo dos anos, a Euronews construiu uma audiência significativa na Bielorrússia e na Rússia.

No entanto, Moscovo decidiu proibir as plataformas televisivas e digitais da Euronews em toda a Rússia em março de 2022, pouco depois de lançar a invasão em larga escala da Ucrânia, depois de a estação recusar cumprir as medidas de censura e de propaganda impostas pelo Kremlin aos media.

Presidente russo, Vladimir Putin, participa numa reunião com o vice‑primeiro‑ministro e enviado presidencial ao Distrito Federal do Extremo Oriente, Yury Trutnev, no Kremlin, em Moscovo.
Presidente russo, Vladimir Putin, participa numa reunião com o vice‑primeiro‑ministro e enviado presidencial ao Distrito Federal do Extremo Oriente, Yury Trutnev, no Kremlin, em Moscovo. Sputnik

A decisão de deixar de emitir a Euronews foi tomada pelo regulador audiovisual russo, Roskomnadzor, após um pedido da Procuradoria‑Geral.

A entidade ameaçou a Euronews com “responsabilidade criminal” e acusou o canal de publicar “informações não fiáveis sobre uma operação militar especial levada a cabo pelas Forças Armadas russas, bem como informação contendo apelos à participação em eventos de massas (públicos)”.

Depois de as tropas do presidente russo, Vladimir Putin, terem invadido a Ucrânia, o Kremlin ordenou aos media que não descrevessem a ofensiva em grande escala como guerra e emitiu outras diretivas que contrariavam os valores editoriais fundamentais da Euronews.

Na altura, a Euronews rejeitou “as alegações de ‘notícias falsas’ e de incitar os cidadãos ao protesto”.

“Condenamos firmemente esta restrição intolerável imposta a milhões de pessoas em toda a Rússia que dependiam da Euronews, mais do que nunca, para obter notícias imparciais e baseadas em factos, num contexto de desinformação e propaganda crescentes”, afirmou a Euronews em comunicado.

As autoridades russas continuaram a criminalizar a divulgação do que chamam informação que “desacredita” o exército russo e ameaçaram jornalistas com penas de até 15 anos de prisão.

Mais recentemente, a Euronews revelou que vários vídeos de desinformação estavam a ser publicados nas redes sociais russas, copiando o estilo jornalístico e visual do canal para tentar difundir informação política falsa.

Esses conteúdos inserem‑se numa campanha de desinformação mais ampla e sofisticada, direcionada contra os media ocidentais e as sociedades europeias.

Bielorrússia, Rússia e Irão apertam controlo sobre os media

A decisão de Minsk reflete uma série de medidas semelhantes tomadas por Moscovo para apertar o controlo sobre plataformas de internet que não domina totalmente.

No mesmo dia em que a Bielorrússia decidiu bloquear as plataformas digitais da Euronews, o Kremlin bloqueou dezenas de serviços de VPN usados por russos para contornar as restrições na internet, numa ação descrita por especialistas como uma das maiores ofensivas contra serviços de VPN dos últimos anos.

Este novo bloqueio de VPN ocorre numa altura em que a Rússia tem imposto restrições constantes aos órgãos de comunicação, às redes sociais e a empresas tecnológicas estrangeiras desde a invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Em julho de 2025, a Rússia aprovou uma nova legislação que criminaliza a “procura de conteúdos extremistas online”, marcando a primeira vez em que Moscovo atingiu utilizadores de internet pelo consumo e distribuição de conteúdos considerados proibidos, num novo passo na repressão à discórdia e ao jornalismo independente.

A decisão de Bielorrússia de classificar o jornalismo da Euronews como “extremista” parece alinhar‑se com esta legislação russa.

Em agosto de 2025, as autoridades russas anunciaram que iriam “restringir parcialmente” as chamadas através das aplicações de mensagens Telegram e WhatsApp, num novo esforço para reforçar o controlo sobre a internet e, desde o início de 2026, o Kremlin avançou para o bloqueio total do Telegram e do WhatsApp em todo o país, desencadeando a maior onda de críticas de apoiantes do Kremlin às autoridades em quatro anos, desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

O regime iraniano seguiu o método de Rússia e Bielorrússia para eliminar a informação vinda do exterior, ao bloquear de forma generalizada todo o acesso à internet no Irão quando reprimiu os grandes protestos contra o regime em janeiro de 2026, mantendo a proibição de acesso à internet durante toda a guerra no Irão.

Nos últimos meses, o regime de Teerão também impôs novas medidas de controlo da internet e penas severas pelo uso de VPN, ao mesmo tempo que classificou determinados meios de comunicação como inimigos do Estado.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Europa reage à proibição da Euronews na Bielorrússia

Proibição da Euronews na Bielorrússia transforma os telespectadores em alvos, afirma Tsikhanouskaya

Bielorrússia junta-se à guerra russa contra a liberdade de informação