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Exclusivo: França quer limitar compras não europeias da Ucrânia com fundos da UE

Presidente francês Emmanuel Macron intervém por videoconferência na reunião da coligação “Coalition of the Willing”, em Kiev, Ucrânia, 24 de agosto de 2026.
Presidente francês Emmanuel Macron fala por videoconferência durante a reunião da Coalition of the Willing, em Kiev, Ucrânia, segunda-feira, 24 de agosto de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Henry Nicholls
Direitos de autor AP Photo/Henry Nicholls
De Luca Bertuzzi
Publicado a Últimas notícias
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França quer limitar derrogações da Ucrânia, como compras de defesa fora da UE ligadas ao empréstimo de 90 mil milhões de euros. Kiev usa peças chinesas e dos EUA.

A Ucrânia obteve derrogações que lhe permitem adquirir equipamento militar fora da Europa ao abrigo do Empréstimo de Apoio à Ucrânia da UE, no valor de 90 mil milhões de euros.

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França procura agora limitar o tempo durante o qual essas derrogações podem permanecer em vigor, numa tentativa de garantir que uma maior parte do financiamento apoiado pela UE sustenta a produção de defesa europeia – e potencialmente francesa –, sabe a Euronews.

Em abril, os países da UE aprovaram o Empréstimo de Apoio à Ucrânia, um instrumento financeiro de 90 mil milhões de euros para apoiar o esforço de guerra de Kiev em 2026 e 2027. Divide-se em 30 mil milhões de euros de apoio económico e 60 mil milhões de euros para assistência militar.

A primeira tranche foi desembolsada em junho, com 3,9 mil milhões de euros atribuídos a drones, seguida de 6,1 mil milhões de euros para aquisições de defesa no início desta semana.

Ao abrigo das condições do empréstimo, a Ucrânia não pode adquirir mais de 35% do custo total de um produto de defesa fora da UE e do Espaço Económico Europeu.

Kiev pode pedir uma derrogação quando não exista equivalente fabricado na UE que responda às suas necessidades operacionais imediatas, ou quando os produtos europeus não consigam satisfazer o volume exigido, demorem demasiado tempo a ser produzidos ou sejam demasiado caros.

O governo ucraniano solicitou até agora duas derrogações: uma para componentes de drones fabricados na China e outra para mísseis interceptores Patriot de fabrico norte-americano, de que Kiev necessita com urgência para reforçar as suas defesas aéreas.

A Comissão Europeia aprovou ambas, reconhecendo que a Europa não dispõe, por agora, de capacidades de produção suficientes e continua dependente de fabricantes estrangeiros em áreas-chave da guerra moderna.

França, no entanto, insiste para que estas derrogações sejam temporárias, numa tentativa de garantir que uma fatia maior do financiamento apoiado pela UE acaba por apoiar a produção europeia – e potencialmente francesa.

França dispõe de uma das maiores indústrias de defesa da Europa, incluindo o sistema franco-italiano SAMP/T, a alternativa europeia mais próxima do Patriot norte-americano.

Em contraste, em julho, os ministros da Defesa da Suécia, Países Baixos, Alemanha, Dinamarca, Estónia, Polónia, Letónia, Finlândia e Lituânia escreveram à chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e ao comissário da Defesa, Andrius Kubilius, apelando a que a Ucrânia tenha a máxima flexibilidade para adquirir o equipamento de que necessita com urgência.

“Continuamos a sublinhar que a rápida aprovação das listas de produtos é crucial, incluindo através da utilização pragmática da derrogação para a compra de material produzido por países terceiros”, lê-se na carta.

Ainda assim, Paris está a pressionar a Comissão para garantir que as derrogações acabam por dar lugar à produção europeia. A forma como isso poderá funcionar na prática depende em grande medida da mecânica do próprio empréstimo.

Logo no início, Kiev apresentou a Bruxelas uma repartição geral de como tencionava gastar o dinheiro por categoria de produto – drones, sistemas de defesa aérea, artilharia, entre outros. As dotações exatas são confidenciais e podem ser ajustadas à medida que as necessidades no campo de batalha evoluem.

No caso dos produtos abrangidos por uma derrogação, existe uma segunda fase em que o governo ucraniano tem de indicar com mais detalhe como será gasto o dinheiro, incluindo contratos que especificam que equipamento está a ser adquirido, a que fornecedor e em que prazo. A Comissão liberta os fundos apenas depois de analisar esses contratos.

No que respeita a fornecedores chineses, a Comissão tem ainda de verificar se as empresas não estão sujeitas a sanções da UE que visam o complexo militar-industrial russo, uma vez que fabricantes de drones sediados na China podem abastecer ambos os lados.

O governo do país onde o fornecedor está sediado é também instado a comprometer-se com a execução do contrato, ajudando a garantir que o equipamento é entregue caso as prioridades políticas se alterem.

Importa salientar que as derrogações têm de ser renovadas sempre que a Ucrânia solicita um novo pagamento. Isto significa que, se entretanto surgir um fornecedor europeu capaz de igualar o volume, o custo e os prazos de produção do fabricante estrangeiro, a Comissão pode recusar renovar a derrogação e exigir que Kiev compre ao fornecedor europeu.

De forma informal, o executivo comunitário pode também limitar o tempo durante o qual a Ucrânia pode recorrer a fabricantes estrangeiros, por exemplo impondo prazos mais apertados para a execução dos contratos com esses fornecedores.

Na prática, a Comissão terá de encontrar um equilíbrio delicado: reforçar a produção de defesa europeia e reduzir a dependência estratégica de fornecedores estrangeiros a médio e longo prazo, garantindo ao mesmo tempo que a Ucrânia dispõe do equipamento de que necessita para defender o país da Rússia.

A forma como a UE gerir estas derrogações ao abrigo do Empréstimo de Apoio à Ucrânia poderá estabelecer um precedente importante para outros instrumentos financeiros, nomeadamente a Ação de Segurança para a Europa (SAFE) e o Programa Europeu para a Indústria da Defesa (EDIP).

Um porta-voz do governo francês não respondeu ao pedido de comentário da Euronews.

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