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Maior grupo político da UE rejeita confronto com a China

Parlamento Europeu em Estrasburgo.
Parlamento Europeu em Estrasburgo Direitos de autor  European Union 2026/EP/Mathieu CUGNOT
Direitos de autor European Union 2026/EP/Mathieu CUGNOT
De Luca Bertuzzi
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A família política mais influente da UE prepara um documento a defender um uso mais firme da pressão comercial sobre a China, mantendo o diálogo e evitando uma escalada.

O Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, prepara-se para defender uma reconfiguração das relações com a China que evite uma confrontação aberta ou uma separação total.

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Num documento que está a ser preparado, eurodeputados sénior do PPE defendem uma correção global das relações económicas, recorrendo de forma mais ampla aos instrumentos de pressão económica já existentes no bloco, sem chegar a uma escalada total, segundo uma versão preliminar a que a Euronews teve acesso.

O PPE é a maior e mais influente família política à escala da UE, com o maior grupo de eurodeputados no Parlamento Europeu e 14 dos 27 comissários da Comissão Europeia.

Bruxelas está cada vez mais preocupada com os desequilíbrios económicos do bloco face a Pequim, num contexto de défice comercial crescente que responsáveis da UE atribuem ao excesso de capacidade industrial chinesa e a generosos subsídios estatais que colocam em desvantagem os concorrentes europeus.

A UE fixou outubro como prazo para obter concessões do governo chinês; depois dessa data, a Comissão Europeia está pronta para impor “medidas mais duras”, segundo o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič.

Neste contexto, os eurodeputados do PPE que integram a Comissão do Comércio Internacional preparam um documento de posição que deverá ser finalizado em meados de outubro, logo a seguir à próxima cimeira do Conselho Europeu

O documento centra-se em quatro áreas principais: reequilíbrio do comércio e do investimento, medidas de controlo das exportações, direitos de propriedade intelectual e reforma da Organização Mundial do Comércio.

Uma versão inicial defende uma abordagem equilibrada: promover o diálogo com a China e, ao mesmo tempo, proteger de forma mais firme os interesses económicos europeus, nomeadamente através de uma utilização mais decidida dos instrumentos de defesa comercial e da criação de novos instrumentos para contrariar a concorrência desleal.

Ao mesmo tempo, os legisladores do PPE insistem que as medidas comerciais devem ser proporcionais e temporárias, pensadas para reforçar o poder negocial da UE e não para cristalizar um protecionismo permanente.

A necessidade de diversificar as cadeias de abastecimento e reduzir a dependência de matérias-primas críticas é igualmente apontada como forma de diminuir a capacidade de pressão económica da China, nomeadamente através da ratificação e expansão de acordos de comércio livre com parceiros como o Mercosul, a Índia, a Indonésia e a Austrália.

O documento defende ainda um controlo aduaneiro mais rigoroso e uma supervisão mais apertada das plataformas de comércio eletrónico, numa altura em que a Comissão prepara uma reforma de grande alcance para colmatar as falhas de aplicação que permitem a entrada de bens ilegais no mercado da UE.

A aviação, os semicondutores, a indústria farmacêutica e a biotecnologia são identificados como setores que a UE deve desenvolver mais para reduzir a dependência económica de Pequim.

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