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“Tínhamos razão”: primeiro-ministro letão diz que UE agora ouve alertas bálticos sobre Rússia

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Primeiro-ministro letão Andris Kulbergs durante uma entrevista à Euronews no Castelo de Riga, sexta-feira, 11 de setembro de 2026.
O primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, durante uma entrevista à Euronews no Castelo de Riga, sexta-feira, 11 de setembro de 2026. Direitos de autor  Euronews
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De Angela Skujins & Lauren Walker
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O primeiro-ministro letão afirmou que o receio dos países bálticos de ataques russos à UE nasce da ocupação: “Conhecemos os truques; sabíamos que o agressor iria exibir força”.

Bruxelas começa finalmente a acordar para a ameaça à segurança que a Rússia representa para a União Europeia, afirmou o primeiro-ministro da Letónia, Andris Kulbergs, à Euronews.

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As declarações surgem dias depois de um drone russo ter atingido um comboio de passageiros a apenas dois quilómetros da fronteira polaca, no domingo, e semanas após a Alemanha ter atribuído a Moscovo uma tentativa de ataque com drones no aeroporto de Leipzig/Halle, o que desencadeou respostas rápidas de responsáveis da UE, que alertaram que a Europa tem de se preparar para uma “nova era da segurança europeia”.

Para os países vulneráveis na linha da frente nordeste, estes ataques não são surpresa; há muito que alertam para uma escalada da atividade hostil russa em território da UE que se aproximava.

“Tínhamos razão, não tínhamos? Dissemos a toda a gente que isto ia acontecer”, afirmou Kulbergs, sobre os avisos vindos dos Estados bálticos, no programa de entrevistas da Euronews “The Europe Conversation”.

“Conhecemos o urso de trás para a frente, o que pensa, como funciona – estivemos ocupados [pela Rússia] durante 50 anos. Conhecemos os truques”, disse, acrescentando que os líderes só agora começam a perceber a gravidade da situação. “Agora toda a gente ouve. Quando me encontro com líderes [europeus], percebem o que estamos a dizer. Há dois anos não era assim.”

Embora o primeiro-ministro não acredite que a Rússia vá abrir uma “segunda frente”, avisou que a UE tem agora de transformar essa compreensão em ações concretas. “Quem se prepara para o pior tem paz.”

A Letónia, defende Kulbergs, já está a fazer mais do que a sua parte — o país figura entre os que mais gastam em defesa, em percentagem do PIB, no seio da NATO. “Estamos a aumentar a nossa dívida para investir na segurança porque compreendemos as ameaças; sabemos que não temos outra escolha. Mas a Europa tem de fazer o mesmo. Temos de aumentar a produção e dar prioridade à nossa indústria militar.”

Segundo Kulbergs, esta é a única forma de lidar com a Rússia, que descreveu como um “agressor” que não joga segundo as regras. “Um agressor percebe a força, e é isso que temos de mostrar. Força real, tropas no terreno, investimento na nossa segurança e mostrar os nossos músculos.”

Apoio público e componentes de mísseis

Para dissuadir plenamente a Rússia, afirmou Kulbergs, Bruxelas tem também de “assumir plenamente a sua posição” quanto ao apoio à Ucrânia. “A Ucrânia está a ser atacada por mísseis balísticos, dos quais a Rússia está a produzir muitos mais. E o que contêm? Componentes ocidentais.”

Bruxelas impede que esses componentes cheguem aos mísseis russos através da aplicação de rígidas proibições de exportação, mas alguns continuam a passar entre as malhas.

No mês passado, o comissário presidencial ucraniano para a política de sanções, Vladyslav Vlasiuk, confirmou que mísseis balísticos russos recuperados continham componentes ocidentais; o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que Kiev forneceu aos seus parceiros europeus dados sobre esta questão.

“Continuamos a abastecer a Rússia para que construa mísseis que atacam a Ucrânia e depois ajudamos a Ucrânia com mais dinheiro para que possa responder”, disse Kulbergs.

Vlasiuk tem sublinhado a necessidade de os parceiros da Ucrânia cortarem estes abastecimentos, um apelo ecoado pelo chefe do governo letão, que afirma ter sido “muito aberto” com os seus homólogos europeus sobre este tema.

“Talvez, antes de mais, devêssemos impor uma proibição total da utilização desses componentes tecnológicos ocidentais nesses mísseis; assim, a Rússia não será capaz de os construir. Temos de decretar sanções e depois aplicá-las de facto.”

Para além de conseguir o compromisso total dos líderes europeus, é crucial que o público compreenda também o risco que a Rússia representa, afirmou Kulbergs, que se tornou primeiro-ministro em maio depois de o seu antecessor se ter demitido na sequência de uma polémica sobre a gestão de drones desviados.

“Esse compromisso [total] ainda não existe, porque as sociedades ainda estão atrasadas na compreensão da ameaça”, disse, acrescentando que isso se deve em grande medida à ligação quebrada entre políticos e sociedade.

“As pessoas estão fartas do blá-blá político. As pessoas precisam de ouvir a verdade, que lhes expliquem as coisas de forma simples e que não se escondam notícias incómodas. Então, as pessoas compreenderão muito melhor.”

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