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Vaticano usa IA para traduzir missa em 60 línguas na Basílica de São Pedro

Papa Leão XIV celebra missa no Dia de Ano Novo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Papa Leão XIV celebra missa de Ano Novo na Basílica de São Pedro, no Vaticano, quinta-feira, 1 de janeiro de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Alessandra Tarantino
Direitos de autor AP Photo/Alessandra Tarantino
De Pascale Davies
Publicado a Últimas notícias
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"Desejamos servir a missão que define o coração da Igreja Católica, universal pela própria vocação", afirmou o cardeal Mauro Gambetti.

O Vaticano vai passar a disponibilizar traduções em direto das missas em 60 línguas, apoiadas por inteligência artificial (IA), numa altura em que a Igreja Católica começa a adotar esta tecnologia e, ao mesmo tempo, a dar ouvidos aos alertas que a rodeiam.

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O serviço vai permitir aos fiéis acompanhar as celebrações nos seus smartphones e deverá arrancar já na próxima semana, nas principais cerimónias na Basílica de São Pedro, que assinalam o quarto centenário da dedicação da igreja, celebrado entre 1626 e 2026.

“Há séculos que a Basílica de São Pedro acolhe fiéis de todas as nações e línguas”, afirmou o cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica de São Pedro e vigário-geral da Cidade do Vaticano, em comunicado.

“Ao disponibilizar uma ferramenta que ajuda muitos a compreender as palavras da liturgia, queremos servir a missão que define o centro da Igreja Católica, universal pela própria vocação”, acrescentou.

A tradução com recurso a IA será feita através de um código QR que os participantes podem ler à entrada do Vaticano. A partir daí, terão traduções em tempo real, em áudio e em texto, nos respetivos navegadores, sem necessidade de descarregar qualquer aplicação.

O sistema de tradução recorre à Lara, uma IA desenvolvida pela empresa de soluções linguísticas Translated, em colaboração com a Carnegie-AI LLC e com o professor Alexander Waibel, pioneiro na tradução de fala com recurso a inteligência artificial.

Questionado sobre se a ferramenta de tradução com IA pode ter “alucinações” ou cometer erros, o diretor-executivo e cofundador da Translated afirmou que todas as traduções têm falhas, mas que “a Lara deu um passo significativo na sua redução”.

“A Lara foi concebida privilegiando a precisão e não a vontade de agradar. Isso limita de forma significativa as alucinações. A Lara também recorre a mais contexto do que as tecnologias anteriores, o que lhe permite desfazer ambiguidades de forma muito mais eficaz”, disse à Euronews Next.

Waibel é conselheiro científico do projeto e considera que a tecnologia representa uma demonstração importante do potencial da IA para promover a compreensão entre pessoas.

“Hoje vemos concretizar-se a possibilidade de derrubar barreiras linguísticas em tempo real, num dos contextos mais significativos que se pode imaginar”, sublinhou.

Embora o Vaticano pareça estar a aceitar a IA, o papa Leão XIV afirmou, em maio, que a inteligência artificial coloca desafios à defesa da “dignidade humana, da justiça e do trabalho”.

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