Este supercomputador, instalado no centro BSC-CNS, em Barcelona, consegue combinar computação clássica com computação quântica, tanto digital como analógica.
Espanha inaugurou o seu terceiro supercomputador quântico, um investimento de 9,8 milhões de euros para acelerar a investigação e a inteligência artificial (IA). O Barcelona Supercomputing Center (BSC) passou a contar com um terceiro computador quântico, que será integrado no sistema MareNostrum 5, capaz de combinar supercomputação clássica, inteligência artificial e computação quântica.
A nova máquina foi concebida e construída pela empresa barcelonense Qilimanjaro Quantum Tech e foi financiada pela Comissão Europeia e pela Secretaria de Estado da Digitalização e da Inteligência Artificial. Trata-se de um computador quântico analógico, ao contrário dos dois computadores quânticos instalados anteriormente, que são digitais.
Enquanto os computadores clássicos trabalham com bits, que em cada momento só podem assumir o valor 0 ou 1, a computação quântica recorre a qubits, capazes de representar ambos os estados em simultâneo. Esta capacidade permite desenvolver algoritmos muito mais potentes e enfrentar problemas que os computadores tradicionais quase não conseguem resolver.
MareNostrum Ona: 53 projetos de investigação
Os três computadores quânticos do BSC estão instalados na capela da Torre Girona, o mesmo espaço que entre 2005 e 2023 acolheu as quatro primeiras versões do supercomputador MareNostrum.
A partição quântica do MareNostrum 5 chama-se MareNostrum Ona. As suas duas primeiras máquinas, em funcionamento desde fevereiro de 2025, já acumularam 4.200 horas de computação desde a inauguração. Este tempo foi distribuído por 53 projetos de investigação selecionados através de concursos oficiais da Rede Espanhola de Supercomputação (RES).
Tecnologia 100% europeia
Este novo computador quântico será integrado na rede europeia de computação quântica, promovida pela iniciativa European High Performance Computing Joint Undertaking (EuroHPC JU), o programa com que a União Europeia procura reforçar as suas capacidades de supercomputação e desenvolver uma infraestrutura tecnológica própria.
Até agora, a EuroHPC JU adquiriu seis computadores quânticos distribuídos por vários países europeus. Três deles, instalados na Polónia, República Checa e Alemanha, já foram inaugurados e integram uma futura rede de sistemas interligados para investigação científica e desenvolvimento tecnológico.
A conselheira de Investigação e Universidades da Generalitat, Núria Montserrat, salientou que este projeto «reforça a ideia da soberania tecnológica europeia face às 'big tech' dos Estados Unidos». «Através de tecnologias desenvolvidas aqui, no supercomputador, com políticas públicas catalãs, espanholas e grandes alianças com a Europa, somos capazes de produzir tecnologia própria e europeia, em busca de autonomia estratégica para não dependermos de países terceiros», concluiu.
Este novo computador representa assim um marco para o ecossistema tecnológico espanhol e europeu e constitui mais um passo no caminho da soberania tecnológica europeia seguido pela EuroHPC e pelo BSC, em linha com a estratégia da Comissão Europeia para reduzir a dependência de infraestruturas-chave de países terceiros.