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IA redefine competências: do código ao raciocínio dos jovens programadores

Participantes competem na IOI em Tashkent, Uzbequistão, agosto de 2026
Participantes competem na IOI em Tashkent, Uzbequistão, em agosto de 2026 Direitos de autor  Ministry of Digital Technologies of the Republic of Uzbekistan
Direitos de autor Ministry of Digital Technologies of the Republic of Uzbekistan
De Ruxshona Raxmatullayeva
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Na Olimpíada Internacional de Informática em Tashkent, Uzbequistão, 386 programadores de 97 países enfrentaram seis desafios algorítmicos, enquanto a IA transforma a programação e o ensino da informática.

Seis problemas algorítmicos. Dez horas para lhes encontrar solução. E, entre o enunciado no ecrã e o código submetido para avaliação, está o verdadeiro teste: analisar o desafio, encontrar uma solução eficiente e transformá-la num programa que funcione.

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Foi esse o desafio colocado a 386 dos melhores jovens programadores do mundo, oriundos de 97 países, na edição deste ano da Olimpíada Internacional de Informática (IOI), em Tashkent, Uzbequistão.

A competição testa muito mais do que a capacidade de escrever código. Os participantes têm de analisar problemas, conceber algoritmos e estruturas de dados, programar as soluções e verificar se funcionam.

Esta geração compete, porém, numa altura em que a inteligência artificial pode apoiar, de forma crescente, várias dessas etapas.

Inteligência artificial já está a transformar competições de programação

“A inteligência artificial está a mudar muito a forma como organizamos concursos, porque temos de ter em conta que os estudantes a têm à disposição”, explicou a Euronews Giorgio Audrito, chefe de equipa da delegação italiana.

Segundo Audrito, as competições em linha tornaram-se particularmente difíceis de organizar. Acrescentou que os responsáveis “ainda estão a adaptar-se” e a discutir o assunto na comunidade da IOI.

Audrito sublinhou ainda que continua a ser difícil prever exatamente como a IA irá evoluir. Para já, considera que a experiência em programação continua a ser necessária “para orientar e rever tudo o que a IA estiver a fazer”.

Um concorrente resolve um problema algorítmico na IOI
Um concorrente resolve um problema algorítmico na IOI Ministry of Digital Technologies of the Republic of Uzbekistan

Menos código, mais tempo para resolver problemas

Alguns dos concorrentes em Tashkent já veem a IA a alterar o equilíbrio entre escrever código e refletir sobre o problema subjacente.

Qiwen Xu, medalha de ouro da China, espera que a IA passe a conseguir produzir uma grande parte do código que os programadores hoje escrevem manualmente.

Durante o concurso de cinco horas, Xu disse que ele e outros concorrentes passaram mais de duas horas a transformar as soluções em código.

“Mas, com a ajuda da IA, podemos dedicar mais tempo a pensar ou a resolver nós próprios o problema”, disse à Euronews.

A IA começou também a influenciar a forma como Xu treina. Em vez de depender apenas da prática repetida, passou a estudar as abordagens usadas pelos sistemas de IA.

“Aprendo com a forma como a IA resolve ou aborda os problemas e isso inspira-me muito na minha própria forma de os resolver”, afirmou.

Ainda assim, o acesso à mesma tecnologia não produz necessariamente programadores com as mesmas capacidades.

“Hoje em dia, toda a gente pode usar IA por si”, afirmou Xu. “O que o distingue dos outros é [...] o seu próprio raciocínio ou pensamento, que vai além da IA ou que o leva a perceber como deve usar a IA quando programa.”

Myriam Faltin, concorrente suíça de 17 anos, aponta também para competências que vão além dos conhecimentos técnicos.

“É preciso conhecer alguns algoritmos, mas também ter muita intuição para saber qual utilizar em cada situação”, disse à Euronews.

Essa intuição, explicou Faltin, desenvolve-se com prática e dedicando tempo a problemas difíceis, em vez de procurar logo uma solução.

Inteligência artificial não substitui os fundamentos

A mesma mudança tecnológica está a alterar o debate sobre o ensino da informática e as competências de que os futuros programadores vão precisar.

No Uzbequistão, esse debate está também a moldar a política nacional. O vice-ministro das Tecnologias Digitais, Rustam Karamjonov, afirma que a preparação de talento é um dos pilares da estratégia de IA do país.

“Preparar talento e preparar as pessoas para estarem prontas para as mudanças trazidas pela IA no mundo e também no Uzbequistão” é uma dessas prioridades, disse à Euronews.

Medalhados recebem os prémios na IOI
Medalhados recebem os prémios na IOI Ministry of Digital Technologies of the Republic of Uzbekistan

O professor Tan Santek, presidente da IOI, rejeita a ideia de que uma IA cada vez mais capaz torne menos importante aprender os fundamentos da programação.

“Houve quem dissesse que a IA iria substituir todos os programadores. Que deixaria de fazer sentido aprender programação ou aprender a resolver problemas com computador. Mas, para mim, acontece o contrário”, afirmou Tan à Euronews.

“Se não tiver a base, não conseguirá realmente usar a ferramenta que é a IA”, acrescentou.

Tan considera que o ensino deve dar maior destaque ao “pensamento computacional” — ensinar os alunos a formular problemas reais em termos computacionais antes de desenvolverem programas para os resolver. Sugeriu que este tipo de formação poderia começar logo no ensino primário.

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