O Ministério da Saúde confirmou mais de uma centena de casos deste raro cancro associado a implantes mamários. A maioria foi detetada em mulheres com próteses texturizadas.
A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (Aemps) confirmou até 2025 um total de 111 casos de linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (LACG), um cancro pouco frequente associado a próteses mamárias. No total, o organismo recebeu 146 notificações de suspeitas desde que iniciou, em 2012, o acompanhamento desta patologia.
Os dados constam do sexto relatório de acompanhamento do protocolo nacional para a deteção e estudo deste tipo de linfoma, elaborado a partir das comunicações registadas no Sistema de Vigilância de Produtos Sanitários. A Aemps mantém há vários anos um acompanhamento específico desta doença, em colaboração com sociedades médicas e autoridades de saúde europeias.
Madrid é a comunidade autónoma com maior número de notificações, à frente da Andaluzia, da Catalunha e da Comunidade Valenciana, de acordo com o relatório divulgado pela agência.
Cancro raro associado a determinados implantes
O LACG associado a implantes mamários, conhecido internacionalmente como BIA-ALCL, é um tipo pouco frequente de linfoma não Hodgkin que não se origina no tecido mamário, mas sim em células do sistema imunitário que podem desenvolver-se na cápsula de tecido que envolve o implante.
A Aemps sublinha que se trata de uma doença rara e recorda que a incidência continua baixa em comparação com o elevado número de mulheres portadoras de próteses mamárias. Ainda assim, o organismo insiste na importância de manter a vigilância e melhorar a deteção precoce.
As investigações realizadas até agora apontam para uma origem multifatorial da doença. Entre os fatores estudados estão o tipo de implante utilizado, determinadas predisposições genéticas e eventuais processos inflamatórios ou contaminações associados ao implante. No entanto, os especialistas salientam que ainda não foi estabelecida uma relação causal definitiva, nem se conhece com exatidão o mecanismo que desencadeia o desenvolvimento do linfoma.