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Que pesticidas "catastróficos" levam ministra francesa do Ambiente a demitir-se?

Manifestantes reúnem-se junto ao capitólio do Iowa, em Des Moines, em 10 de fevereiro de 2025, contra projeto que isenta empresas de pesticidas de processos
Manifestantes juntam-se no capitólio de Iowa, em Des Moines, em 10 de fevereiro de 2025, para protestar contra um projeto de lei que isenta empresas de pesticidas de processos Direitos de autor  AP Photo/Hannah Fingerhut, File
Direitos de autor AP Photo/Hannah Fingerhut, File
De Ruth Wright com AFP
Publicado a Últimas notícias
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Está provado que o acetamiprid e o flupiradifurone prejudicam as abelhas e podem representar um risco para o desenvolvimento cerebral das crianças.

A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, tentou demitir-se depois de os deputados terem aprovado um projeto de lei que permite o regresso ao uso de pesticidas nocivos para as abelhas.

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"Ao contrário dos compromissos que me tinham sido dados, o governo impediu qualquer debate sobre a revogação desta medida", afirmou Monique Barbut num comunicado publicado no LinkedIn.

Disse que a inversão da decisão era "um recuo ambiental de mais"; no entanto, o presidente Macron não aceitou o seu pedido de demissão e "garantiu-lhe o seu apoio", disse o seu gabinete à agência AFP.

Barbut, que foi secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação,permanecerá no cargo devido à "urgência de enfrentar as consequências das alterações climáticas", acrescentou a sua equipa.

Mas afinal, quais são os dois pesticidas que levaram Monique Barbut a tentar demitir-se e quão perigosos são?

Acetamiprid e flupyradifurone: pesticidas "catastróficos"

O Parlamento francês aprovou uma polémica lei agrícola que reintroduz dois pesticidas que, segundo os críticos, prejudicam as abelhas.

A legislação confere à agência francesa de segurança sanitária, a Anses, poderes para autorizar condicionalmente a utilização de acetamiprid e flupyradifurone.

Estes pesticidas são autorizados na União Europeia, mas cada país pode limitar a sua utilização.

Os defensores da medida afirmam que os produtores franceses de beterraba-sacarina, maçã e avelã precisam destes insecticidas para conseguirem competir com os seus homólogos europeus. Os insecticidas foram proibidos em França em 2018 e 2019.

Embora a investigação tenha concluído que o acetamiprid pode envenenar abelhas-do-mel, afetando a sua capacidade de procura de alimento e a memória, um estudo de 2024 sugeriu que o flupyradifurone pode ser letal para algumas delas.

"Em 2016, França decidiu proibir o acetamiprid em nome do princípio da precaução, com base nas provas científicas disponíveis na altura", afirmou Barbut.

"Dez anos depois, longe de dissipar as preocupações, os estudos científicos continuam a suscitar dúvidas sobre os seus efeitos na saúde humana e no ambiente."

A Pesticide Action Network Europe tem há muito vindo a defender a proibição do acetamiprid, não só devido aos seus impactos nas abelhas como também nos seres humanos: "novas evidências científicas mostram que neonicotinóides como o acetamiprid podem favorecer o cancro da mama, devido às suas propriedades de desregulação endócrina, e podem conduzir à infertilidade.Também podem afetar o nosso cérebro.

Os neonicotinóides atravessam a barreira placentária e a barreira hematoencefálica, colocando em risco as crianças ainda por nascer.

"O acetamiprid foi detetado em cordões umbilicais, leite materno e até no líquido cefalorraquidiano de crianças. Foi demonstrado que se concentra em níveis elevados no cérebro de fetos de ratos quando as mães são expostas."

O flupyradifurone foi aprovado em 2015 e foi "apresentado pelo fabricante Bayer como uma alternativa a outros neonicotinóides, mais tóxicos para as abelhas. Mas acaba por ser velho vinho em garrafa nova, já que, na prática, pode ser considerado apenas mais um neonicotinóide", segundo a Pesticide Action Network Europe.

Como passaram acetamiprid e flupyradifurone no Parlamento francês?

A votação teve lugar depois de o Conselho Constitucional, o mais alto tribunal francês, ter anulado no ano passado uma disposição de outro projeto de lei que tentava reintroduzir o acetamiprid, alegando que representava riscos para a saúde humana, após mais de dois milhões de pessoas terem assinado uma petição contra a medida.

A maioria dos deputados de esquerda na câmara baixa votou contra a reintrodução dos dois pesticidas, mas o apoio da extrema-direita e de muitos centristas permitiu a aprovação do texto.

A esquerda afirmou que recorrerá ao Conselho Constitucional se o Senado aprovar a medida.

Espera-se que a esquerda envie o dossier para o Conselho Constitucional, e o deputado ecologista Daniel Salmon criticou "uma fuga para a frente irresponsável e destruidora, com medidas complacentes que negam as provas científicas".

Já o senador centrista Franck Ménonville descreve o texto como uma resposta "à hipocrisia de produzir menos em França para importar cada vez mais produtos que não respeitam as nossas normas".

"O governo e os seus aliados estão a atropelar a ciência, a saúde, o ambiente e a vontade do povo", afirmou a Greenpeace depois de a Assembleia Nacional ter aprovado o projeto de lei.

Henri Clement, da União Nacional da Apicultura Francesa, disse ao meio regional Ici Gard Lozère que a medida é "absolutamente catastrófica".

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, tem defendido o projeto de lei como necessário para responder ao descontentamento dos agricultores após os protestos deste inverno.

Sublinhou que as autoridades de saúde só irão aprovar o uso dos pesticidas em determinadas zonas e por períodos limitados, "na condição de não haver impacto na saúde humana nem no ambiente, existir uma situação de emergência" e "não haver alternativa".

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