As abelhas-rainha conseguem respirar debaixo de água, o que lhes permite sobreviver ao inverno quando o derretimento da neve inunda as suas tocas.
Rainhas de abelhões conseguem sobreviver debaixo de água durante pelo menos uma semana, segundo uma nova investigação.
Este feito notável verifica-se no inverno, quando os insetos ficam enterrados no solo e entram num estado semelhante à hibernação, conhecido como diapausa.
Ao longo deste período, que pode durar entre seis e nove meses, as rainhas ficam vulneráveis ao encharcamento, à medida que a chuva e o degelo inundam as tocas pouco profundas.
Os cientistas descobriram que as rainhas conseguem manter-se vivas até à primavera respirando debaixo de água, sendo as únicas da colónia com essa capacidade.
Rainhas de abelhões sobrevivem debaixo de água
A conclusão resulta de um novo estudo publicado (fonte em inglês) na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.
A investigação teve origem numa descoberta fortuita feita anteriormente pela investigadora Sabrina Rondeau, coautora do novo estudo.
Durante uma experiência sobre o impacto dos pesticidas nos abelhões, colocou rainhas em diapausa em tubos cheios de terra, guardados num frigorífico.
Um dia, apercebeu-se de que a água da condensação tinha enchido alguns tubos, deixando quatro rainhas completamente submersas. Para sua surpresa, as abelhas continuavam vivas.
Rondeau viria depois a confirmar a descoberta num estudo de 2024, que demonstrou que as rainhas de abelhão conseguem sobreviver debaixo de água durante uma semana.
Porque é que as rainhas não se afogam em solos inundados
O novo estudo procurou perceber de que forma as rainhas conseguem esta capacidade invulgar.
Para o investigar, a equipa induziu a diapausa em rainhas saudáveis, colocando-as num frigorífico frio e escuro que recriava as condições de inverno.
Passadas algumas semanas, submergiram depois os insetos em câmaras inundadas com água.
Algumas abelhas permaneceram debaixo de água durante apenas algumas horas, outras ficaram até oito dias.
Ao longo de toda a experiência, os investigadores mediram a taxa metabólica e registaram as alterações fisiológicas.
Concluíram que as rainhas submersas continuaram a produzir dióxido de carbono a uma taxa baixa, mas detetável, o que mostra que estavam a respirar debaixo de água.
A taxa metabólica manteve-se estável, quer as abelhas estivessem submersas durante algumas horas, quer durante os oito dias completos.
Capacidade de resistir a zonas sujeitas a cheias pode ser crucial
Além da respiração, as abelhas recorreram a um sistema energético anaeróbio suplementar, o que levou à acumulação de lactato no organismo, concluíram os investigadores.
Depois de retiradas das câmaras inundadas, a taxa metabólica das rainhas aumentou de forma acentuada durante dois a três dias, enquanto os seus corpos recuperavam e eliminavam o lactato.
«Esta capacidade fisiológica sustenta a resiliência [das rainhas] a extremos ambientais e fornece pistas sobre a forma como insetos terrestres podem persistir em habitats propensos a cheias», escreveu a equipa no artigo.
«A capacidade de suportar estas condições pode ser crucial, sobretudo perante a alteração dos padrões de cheias na primavera.»