A equipa do Qatar lançou oficialmente a sua campanha para as 24 Horas de Le Mans, a primeira presença do país. Para Abdulla Al Khelaifi, é um marco histórico e pessoal na afirmação do Qatar no automobilismo mundial.
O Qatar prepara-se para enfrentar uma das provas mais duras e prestigiadas da história do desporto motorizado.
A equipa deste país apresentou oficialmente o carro de corrida e a formação de pilotos para as 24 Horas de Le Mans, em França, no próximo mês, num momento marcante que assinala a estreia do país na icónica prova de resistência.
A equipa vai competir na categoria LMGT3 com um Mercedes-AMG, através de uma parceria entre a Federação de Automobilismo e Motociclismo do Qatar (QMMF) e a equipa italiana de competição Iron Lynx.
O carro terá o número 62 no Circuit de la Sarthe, o traçado de 13,6 quilómetros nos arredores de Le Mans que acolhe a prova desde 1923.
Para o piloto qatari Abdulla Al Khelaifi, a dimensão do momento ainda está a ser assimilada. “Vai ser um marco histórico para a QMMF e para o Qatar, porque é a primeira participação no Mundial de Resistência e serei o primeiro qatari a fazê-lo”, afirmou Al Khelaifi.
“Por isso, é também um grande momento para mim e, nesta altura, ainda não parece real.”
Com 35 anos, Al Khelaifi conquistou com a QMMF o título absoluto das 24H Series em 2025 e venceu as 24 Horas do Dubai.
Na época de 2026 da European Le Mans Series, tornou-se o primeiro piloto qatari a assinar uma pole position na prova de abertura, em Barcelona, onde a equipa do Qatar terminou em quarto lugar.
Uma corrida como nenhuma outra
Disputada pela primeira vez em 1923, a prova de 24 horas é considerada o auge das corridas de resistência.
Os pilotos revezam-se ao longo do dia e da noite, com pouca margem para erro, enquanto as equipas gerem a fadiga, a estratégia, as mudanças de clima e os problemas mecânicos durante um dia inteiro de corrida.
O piloto alemão Julian Hanses sublinha que a preparação começa muito antes da semana da corrida. “Todos os dias estou no ginásio, todos os dias ando de bicicleta”, contou Hanses.
“É este o trabalho que é preciso fazer para conseguir render melhor no carro quando lá dentro estão 40 graus e ainda assim é preciso esforçar-se fisicamente”.
O francês Giuliano Alesi acrescenta que a resistência coloca os pilotos à prova tanto mental como fisicamente.
Alesi é filho do antigo piloto de Fórmula 1 Jean Alesi, que correu pela Ferrari no início da década de 1990 e venceu o Grande Prémio do Canadá de 1995.
“Há muitos aspetos que é preciso preparar ao nível do treino, da hidratação, da nutrição”, detalhou.
“À noite, não se está a 100%", explicou. "Por isso, há muito treino específico, não só físico, mas também de preparação mental.”
Qatar constrói o futuro do desporto motorizado
O projeto de Le Mans tem vindo a ser preparado ao longo de vários anos. O presidente da QMMF, Abdulrahman bin Abdullatif Al Mannai, afirma que o objetivo vai para lá de um único resultado em pista.
A federação tem dedicado os últimos três anos a desenvolver talentos locais e a criar um trajeto para que jovens pilotos qataris possam competir a nível internacional.
“Hoje temos pilotos profissionais com oportunidade de competir em Le Mans”, sublinhou Al Mannai.
“Para nós, um país pequeno como o Qatar, com uma ambição muito grande de ir a Le Mans, o objetivo é, se possível, regressar com um troféu.”
As 24 Horas de Le Mans disputam-se em França nos dias 13 e 14 de junho, com a equipa do Qatar a medir forças com alguns dos maiores nomes da resistência mundial.