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Austrália: descoberta de cratera pode ter feito chover ouro

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De Cagla Uren
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Os cientistas que descobriram uma cratera de 4 quilómetros de diâmetro na região de Eastern Goldfields, na Austrália Ocidental, acreditam que o impacto dispersou tectitos de ouro que transportaram minério para outras zonas.

Um enorme impacto de um meteorito ocorrido há milhões de anos na famosa região aurífera de Goldfields, na Austrália, pode ter alterado a distribuição do ouro na crosta terrestre. Os investigadores acrescentam que esta colisão deixou ainda raras evidências geológicas de violentos impactos cósmicos no passado da Terra.

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A equipa responsável pelo estudo confirmou que a estrutura de Ora Banda, com cerca de 5 quilómetros de diâmetro, na Austrália Ocidental, é uma cratera de impacto de meteorito. A origem desta estrutura, hoje muito erodida e parcialmente enterrada, era tema de debate há muito tempo.

A identificação da cratera é apresentada num novo estudo publicado na revista científica com revisão por pares Meteoritics and Planetary Science.

Chuva de ouro

Quando um asteroide atinge a Terra, formam-se detritos conhecidos como “tectitos”. São gotas vítreas que se fundem durante o impacto e são projetadas para centenas ou milhares de quilómetros de distância do local da colisão.

Os cientistas que identificaram a cratera, com 4 quilómetros de diâmetro, situada na região de Eastern Goldfields, na Austrália Ocidental, consideram que, também neste impacto, tectitos compostos por ouro poderão ter transportado minério para outras zonas.

Vestígios microscópicos revelam segredo da cratera

Os investigadores detetaram nas rochas microestruturas de choque que só se formam sob pressões extremamente elevadas. Estas estruturas são consideradas entre os indicadores mais fiáveis de impactos de meteoritos de grande energia.

A equipa encontrou ainda, em análises realizadas nos laboratórios avançados da Universidade Curtin, vestígios remanescentes do meteorito preservados em rochas de aspeto vítreo formadas durante o impacto.

Estas evidências confirmam que Ora Banda não é uma formação geológica comum, mas sim o resultado de um grande impacto de meteorito ocorrido no passado.

Relação com jazidas de ouro é alvo de estudo

Um dos autores do estudo, Aaron Cavosie, sublinha que os grandes impactos de meteoritos não se limitam a abrir crateras, podendo alterar profundamente a crosta terrestre.

“Algumas grandes estruturas de impacto estão associadas a jazidas metálicas de valor económico. Neste caso, o meteorito atingiu uma região mineira onde já existiam rochas com teor de ouro”, explica Cavosie.

Embora as rochas analisadas não contenham ouro em concentrações economicamente exploráveis, os investigadores identificaram indícios de que o metal se mobilizou localmente durante o impacto.

Segundo os cientistas, as temperaturas e pressões extremas geradas pelo meteorito poderão ter redistribuído os metais presentes nas rochas.

Asteroides podem ter papel na formação de jazidas minerais

Trabalhos recentes mostram que grandes impactos de asteroides não são apenas eventos destrutivos, podendo também influenciar os sistemas minerais da crosta terrestre.

O novo estudo reforça esta ideia: os resultados sugerem que impactos antigos de meteoritos podem ter desempenhado um papel importante na concentração ou na redistribuição de metais preciosos em determinadas regiões.

Embora em Ora Banda não tenha sido identificada uma jazida de ouro diretamente explorável, os investigadores consideram que o estudo de estruturas antigas de impacto semelhantes pode vir a contribuir para a descoberta de novos depósitos minerais no futuro.

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