Aumento da atividade sísmica e deformação do solo nas últimas semanas colocam o vulcão Pelée sob vigilância apertada.
Situado na ilha da Martinica, nas Caraíbas, e considerado um dos vulcões mais mortíferos da história, o monte Pelée voltou, nas últimas semanas, a estar sob vigilância apertada dos cientistas devido ao aumento da atividade sísmica e à deformação do solo.
Especialistas sublinham que, a curto prazo, a probabilidade de uma erupção é baixa, mas alertam que a situação pode alterar-se nas próximas semanas e meses.
Número de sismos triplica numa semana
Segundo dados do Observatório de Vulcanologia e Sismologia da Martinica, entre 24 e 31 de julho foram registados 124 sismos vulcânicos sob o vulcão.
O número é cerca de três vezes superior aos 45 sismos registados na semana anterior.
No total, foram detetados 331 sismos vulcânicos durante o mês de julho, uma média semanal de cerca de 85 eventos.
Os cientistas explicam que estes sismos podem ocorrer quando magma ascendente ou fluidos quentes sob alta pressão forçam e fraturam as rochas no subsolo. Sublinhando, contudo, que a atividade sísmica, por si só, não significa necessariamente que uma erupção esteja iminente.
Deformação no cume continua
Investigadores monitorizam de perto não só a atividade sísmica, mas também as alterações na forma do vulcão.
Desde maio, foi observado um levantamento de alguns centímetros da superfície em torno do cume do Pelée.
Atualmente, o terreno continua a expandir-se para o exterior a um ritmo próximo de 1 centímetro por mês. Embora este ritmo tenha abrandado ligeiramente nas últimas quatro semanas, a deformação mantém-se.
Especialistas consideram que este inchaço resulta de uma fonte pressurizada situada a cerca de 1 quilómetro abaixo do cume.
Nos vulcões, o intumescimento da crosta é um dos sinais de alerta precoce mais comuns, associado ao enchimento das câmaras magmáticas em profundidade e ao aumento da pressão.
Nível de alerta amarelo
O Observatório de Vulcanologia e Sismologia da Martinica colocou o Pelée no nível de alerta "amarelo".
Este nível indica que o vulcão apresenta uma atividade superior ao normal, mas não existem sinais claros de que uma erupção seja iminente.
Sismo profundo chama a atenção
Quase todos os sismos registados esta semana ocorreram a cerca de 1 a 2 quilómetros abaixo do cume.
Com magnitudes em torno de 1, estes eventos não foram sentidos na ilha.
Mas um dos abalos que chamou a atenção dos cientistas foi diferente dos restantes.
Esse sismo ocorreu a cerca de 5 quilómetros abaixo do nível do mar, a oeste do cume.
Investigadores consideram que esta zona é um ponto de transição crítico entre os sistemas de água quente e vapor do vulcão e o reservatório magmático mais profundo.
Sismos que ocorrem a esta profundidade podem indicar a movimentação de gases e fluidos quentes entre os dois sistemas.
Especialistas sublinham que um único sismo profundo não significa que uma erupção esteja próxima, mas acrescentam que um aumento de abalos semelhantes na mesma zona pode ser um indicador importante para compreender o que se passa no subsolo.
Última grande erupção ocorreu em 1902
A erupção mais destrutiva do monte Pelée ocorreu a 8 de maio de 1902.
Durante a erupção, um fluxo piroclástico composto por gases extremamente quentes, cinzas e blocos de rocha destruiu em poucos minutos a cidade de Saint-Pierre, então a maior da Martinica.
Cerca de 30 mil pessoas perderam a vida, num episódio considerado uma das catástrofes vulcânicas mais mortíferas da história.
O vulcão voltou a entrar em atividade entre 1929 e 1932.