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Irão diz que acordo com os EUA está mais perto do que nunca, Trump deixa avisos a Teerão

Presidente dos EUA Donald Trump fotografado no Salão Oval da Casa Branca, em 11 de junho de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Sala Oval da Casa Branca, 11 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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Cessar-fogo entrou em vigor em abril, mas episódios esporádicos de violência reacendem receios de guerra total, apesar de Trump insistir que um acordo está próximo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou esta sexta-feira que um acordo com os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Médio Oriente nunca esteve tão próximo, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter acusado com veemência Teerão de negociar de má-fé.

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Essa reação surgiu depois de meios de comunicação iranianos terem divulgado um esboço do que estaria em cima da mesa, sublinhando que o Irão insistiria no seu direito de enriquecer urânio e de controlar o tráfego marítimo através do estreito de Ormuz.

Essa descrição chocou, porém, com a caracterização feita por um alto responsável da Casa Branca, segundo o qual o Irão teria concordado em desmantelar o seu programa nuclear, destruir as reservas de urânio enriquecido e reabrir o estreito, e Teerão não veria qualquer parte dos seus fundos congelados devolvida antes de cumprir estes compromissos.

Na quinta-feira, Trump sugerira que um acordo era iminente, após semanas de negociações marcadas por avanços e recuos para pôr fim à guerra desencadeada pelos ataques norte-americanos e israelitas de 28 de fevereiro, mas na sexta-feira rejeitou com dureza a versão iraniana do projeto, classificando-a como mentira.

"Os termos que o Irão fez chegar aos Fake News NÃO têm NADA que ver com os termos que foram acordados, por escrito. O que disseram, incluindo a sua declaração fraca e patética de que há um acordo, não tem qualquer relação com a verdade", afirmou numa publicação na sua plataforma de redes sociais.

Captura de ecrã de uma publicação na conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, 12 de junho de 2026
Captura de ecrã de uma publicação na conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, 12 de junho de 2026 @realDonaldTrump

"Pessoas muito desonrosas com quem lidar", continuou. "É melhor atinarem, e JÁ!"

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, pareceu tentar desvalorizar a disputa.

"O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo", escreveu numa publicação nas redes sociais, numa referência à capital paquistanesa, que acolheu rondas anteriores de conversações entre os EUA e o Irão.

"Enquanto não estiver finalizado, os meios de comunicação devem abster-se de entrar em especulações sobre o seu conteúdo", acrescentou.

Trump publicou mais tarde uma captura de ecrã da mensagem de Araghchi no seu próprio perfil.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou também esta sexta-feira que o texto final de um acordo de paz estava concluído.

"Podemos confirmar que foi alcançado um texto final, acordado, do acordo de paz e que o Paquistão está agora a trabalhar de perto com ambas as partes para acertar os próximos passos", escreveu Sharif na plataforma X.

Assinalou as contas dos presidentes dos EUA e do Irão, assim como de outros dirigentes dos dois países. O Paquistão tem mediado entre as partes há vários meses.

"A paz nunca esteve tão próxima como agora", afirmou Sharif.

"Não sei bem o que sinto"

Um cessar-fogo entrou em vigor em abril, mas têm ocorrido episódios esporádicos de violência, que a cada vez reavivam o receio de um regresso à guerra total, apesar de Trump ter repetidamente afirmado que um acordo estava ao alcance.

Israel, aliado dos Estados Unidos, afirmou que Trump lhe prometera que qualquer acordo implicaria a retirada de todo o material nuclear enriquecido do Irão, mas a agência noticiosa oficial iraniana IRNA afirmou que isso nem sequer está em discussão.

Segundo o relato da IRNA, depois de assinado um acordo inicial, o Irão e os EUA realizariam mais 60 dias de negociações e "o direito do Irão a enriquecer urânio e a manter material enriquecido... será sublinhado, com vista à sua inclusão no acordo final".

Além disso, segundo a IRNA, o Irão insistiria em gerir o tráfego através do estreito de Ormuz, a principal rota marítima de comércio de petróleo e gás a partir do Golfo, que Teerão mantém bloqueado desde o início da guerra.

Mulher passa junto a um mural antiamericano na parede da antiga embaixada dos EUA em Teerão, 12 de junho de 2026
Mulher passa junto a um mural antiamericano na parede da antiga embaixada dos EUA em Teerão, 12 de junho de 2026 AP Photo

O Irão, que apenas tem permitido a passagem de um número reduzido de navios pelo estreito, insiste que os navios obtenham autorização das suas forças armadas antes de o atravessarem.

Em Teerão, alguns iranianos comuns receiam que um acordo consolide o poder das autoridades.

"Não sei bem o que sinto", disse à agência AFP um empregado de café de 29 anos, que pediu o anonimato por receio de represálias.

"Não sei se será bom ou mau para nós. O objetivo principal desta guerra era os Estados Unidos derrubarem o sistema e isso não aconteceu. Então, para que serve um acordo?", questionou.

Linhas gerais

As exigências iranianas podem complicar ainda mais a conclusão de um acordo, apesar de o otimismo de Trump ter impulsionado uma subida das bolsas e uma forte queda do preço do petróleo.

Na quinta-feira, alegando que o acordo tinha sido "levado ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovado", Trump cancelou uma anunciada vaga de bombardeamentos, acrescentando: "Hora e local da assinatura serão anunciados em breve".

Trump afirmou que os detalhes do acordo tinham sido aprovados pelos EUA e pelos seus aliados na região, incluindo Israel.

Na sexta-feira, a agência noticiosa iraniana Mehr, citando uma fonte próxima da equipa de negociação de Teerão, publicou aquilo que descreveu como o texto de um projeto de acordo em fase de finalização.

Segundo a agência, o projeto poria fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel mantém a campanha contra o Hezbollah apoiado pelo Irão, permitiria o desbloqueio de 24 mil milhões de dólares (20 mil milhões de euros) em ativos iranianos congelados e fixaria um período de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear de Teerão.

Inclui ainda a suspensão das sanções à venda de petróleo iraniano, o levantamento de um bloqueio naval norte-americano aos portos do país e planos para obrigar os EUA e os seus aliados a pagarem ao Irão indemnizações pelos danos causados pela guerra.

Outras fontes • AFP

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