Os cortes noticiados surgem numa altura em que os países europeus correm para reforçar as capacidades de defesa, depois de a invasão russa em larga escala da Ucrânia, em 2022, ter alimentado receios de que Moscovo possa atacar um país da NATO.
Os Estados Unidos tencionam reduzir drasticamente o número de caças e navios de guerra que disponibilizam à NATO na Europa, noticiou o New York Times.
Os cortes agora avançados surgem numa altura em que os países europeus aceleram o reforço das suas capacidades de defesa, depois de a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, ter alimentado receios de que Moscovo possa atacar um país da NATO.
O presidente norte-americano, Donald Trump, classificou a aliança como um "tigre de papel" e os seus membros como "cobardes", numa demonstração de frustração por não se terem juntado à guerra EUA-Israel contra o Irão.
Washington planeia reduzir em um terço o número de caças que mantém destacados na Europa, retirar os oito aviões de reabastecimento aéreo e diminuir o número de aeronaves de patrulha marítima, adiantou o New York Times, citando dois altos responsáveis europeus sob anonimato.
Entre os outros meios a redistribuir contam-se um submarino lançador de mísseis, um porta-aviões, um grupo de bombardeiros e vários caças e navios de guerra.
O Comando Europeu dos Estados Unidos afirmou este mês que vai reavaliar o contributo de Washington para a NATO, para "garantir que a Europa assume a responsabilidade primária pela sua própria defesa convencional".
O general norte-americano Alexus Grynkewich acusou a Europa de ter "uma codependência pouco saudável" das forças dos EUA.
A NATO, que conta hoje 32 membros, foi fundada em 1949 e a sua segurança coletiva assenta no Artigo 5.º, o princípio segundo o qual, se um Estado-membro for atacado, toda a aliança acorre em sua defesa.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na semana passada que Trump participará numa cimeira da NATO na Turquia, em julho.
Rubio descreveu o encontro como "provavelmente a reunião mais importante da história da NATO, porque há questões que precisam de ser esclarecidas e corrigidas".
Suécia alerta: Rússia pode testar coesão da NATO
Entretanto, a comissão de Defesa do parlamento sueco alertou, na sexta-feira, que a Rússia pode lançar "avanços" militares contra países da NATO num futuro relativamente próximo, se o Kremlin considerar o momento favorável.
"Não se pode excluir um ataque armado contra a Suécia ou os nossos aliados", referiu a comissão num relatório que sublinha a crescente incerteza em torno da segurança europeia.
"Avanços militares russos, por exemplo para testar a coesão da NATO e a credibilidade do Artigo 5.º, podem ocorrer num futuro relativamente próximo, se o Kremlin considerar favorável a situação política", acrescenta o relatório.
O documento acrescenta que a Rússia pode agir mesmo sem dispor do poder militar que tradicionalmente se considera necessário para lançar um ataque.
"Constatamos que a situação de política de segurança continua grave e é marcada por uma incerteza considerável. Existe o risco de uma rápida deterioração, com consequências graves para a segurança da Suécia e da Europa", declarou em conferência de imprensa Jorgen Berglund, presidente da comissão.
Em maio, o chefe do Estado-Maior sueco, Michael Claesson, também alertou que a Rússia pode pôr à prova a determinação da NATO.
"Sabem que todo o mundo ocidental se está a armar. Por isso pergunto: porque é que haviam de esperar para explorar fraquezas percebidas?", disse à televisão pública SVT.
A comissão de Defesa reúne representantes de todos os partidos suecos com assento parlamentar. O seu trabalho serve de base ao planeamento de defesa de longo prazo do país.
O relatório sublinha ainda que os Estados Unidos são "cruciais para a segurança e a prosperidade sueca e europeia", mas frisa que "a relação da Europa com os Estados Unidos está a mudar", à medida que a "política externa e de segurança" norte-americana "tem sido significativamente transformada" sob Trump.
A Suécia pôs fim, em 2024, a dois séculos de não alinhamento militar e aderiu à NATO, na sequência da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
A despesa sueca em defesa deverá atingir 3,5% do PIB até 2030, face aos 2,8% previstos para este ano.