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Ataques com drones da Ucrânia estão a isolar metodicamente a Crimeia da Rússia

ARQUIVO - Navio militar russo transporta carros e pessoas do território continental russo para a Península da Crimeia pelo estreito de Kerch segunda-feira, 17 de julho de 2023
ARQUIVO – Navio militar russo transporta carros e pessoas do território continental da Rússia para a Crimeia pelo estreito de Kerch, 17 julho 2023 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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A Ucrânia intensificou os ataques a alvos militares e energéticos na Crimeia ocupada pela Rússia, numa estratégia de Kiev para isolar a península anexada.

A primeira invasão da Ucrânia pela Rússia, lançada há 12 anos, começou com a anexação da Crimeia, uma península no sul da Ucrânia de grande importância estratégica que se projeta para o mar Negro.

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Desde então, a Ucrânia tem repetido que, para Kiev, a guerra não será considerada totalmente terminada enquanto a Crimeia não for libertada, regressar à soberania ucraniana e à sua comunidade indígena tártara da Crimeia.

Para Moscovo, a Crimeia é o troféu mais valioso da invasão e da guerra contra a Ucrânia e será, se alguma vez acontecer, o último território que a Rússia estará disposta a abandonar.

Mas com o aumento da intensidade e da eficácia da campanha de ataques com drones, Kiev procura agora cortar a Crimeia do controlo russo e tornar a vida dos invasores russos na península o mais difícil possível.

Desde os primeiros dias da invasão em grande escala lançada pela Rússia em fevereiro de 2022, a Ucrânia tem disparado repetidamente mísseis e drones para tentar quebrar o controlo de Moscovo sobre o território.

As forças armadas ucranianas afundaram vários navios de guerra russos no mar Negro e nas suas bases na Crimenia, debilitando a capacidade naval de Moscovo e obrigando-a a deslocar a frota para Novorossiysk.

A Ucrânia tem também atacado de forma sistemática depósitos de munições, aeródromos e o ativo mais valioso de Putin, a ponte de Kerch — a única ligação entre a Crimeia anexada e a Rússia.

A estrutura foi atingida em outubro de 2022 por uma bomba colocada num camião, que matou cinco pessoas, destruiu duas secções da ponte e obrigou a meses de reparações. Seguiram-se novos ataques à ponte em 2023 e 2025.

Agora, Kiev está a atacar a capacidade da Rússia de manter as suas forças na Crimeia, tornando as operações militares e a presença de Moscovo na península cada vez mais insustentáveis.

ARQUIVO – Chamas e fumo sobem da ponte da Crimeia, que liga o território continental russo à península da Crimeia sobre o estreito de Kerch, em Kerch, Crimeia, em 8 de outubro de 2022.
ARQUIVO – Chamas e fumo sobem da ponte da Crimeia, que liga o território continental russo à península da Crimeia sobre o estreito de Kerch, em Kerch, Crimeia, em 8 de outubro de 2022. AP Photo

Cortar as linhas de abastecimento terrestres

A posição geográfica da Crimeia é simultaneamente de grande importância estratégica e invulgarmente complexa, situada entre a Ucrânia continental, a Rússia e o conjunto da região do mar Negro.

A norte, a Crimeia está ligada ao sul da Ucrânia ocupado por Moscovo por um estreito corredor terrestre através do istmo de Perekop e por uma rede de estradas e linhas férreas que atravessam as zonas da região de Kherson sob ocupação desde 2022.

Moscovo utiliza estas linhas de comunicação terrestres para transportar tropas, munições e combustível para a península.

É esta a zona que Kiev tem vindo a atacar de forma sistemática para perturbar esses fluxos.

Na quinta‑feira, a Ucrânia confirmou um ataque que destruiu 50 veículos de carga militares que transportavam combustível e munições na ponte de Armiansk, sob controlo russo, que liga a Crimeia ao território continental ucraniano.

O comando militar ucraniano afirmou que as forças de Kiev conseguiram atingir esta concentração de veículos graças, pelo menos em parte, a ataques anteriores contra Mariupol e a estrada para Berdyansk – cidades ocupadas pela Rússia na costa do mar de Azov.

O dirigente instalado por Moscovo na região ocupada de Kherson, Vladimir Saldo, confirmou mais impactos, afirmando que as forças ucranianas atacaram várias pontes que ligam a região ocupada de Kherson à Crimeia: uma ponte sobre o Canal Norte da Crimeia, perto das localidades ocupadas de Preobrazhenka e Myrne, a ponte rodoviária Perekop–Armiansk e a ponte rodoviária de Stavky.

Estas pontes atravessam o Canal Norte da Crimeia e a autoestrada M‑17 Armiansk–Oleshky.

O instituto de estudos norte‑americano Institute for the Study of War (ISW) confirmou que as forças ucranianas estão a intensificar a campanha de ataques de médio alcance contra as linhas de comunicação terrestres russas em todo o sul ocupado da Ucrânia.

Segundo o ISW, Kiev está a comprometer a capacidade da Rússia de utilizar em segurança as rotas de abastecimento que ligam o sudoeste da Rússia à Crimeia ocupada.

“A continuação dos ataques ucranianos contra as GLOCs russas deverá provocar efeitos em cadeia no campo de batalha e poderá complicar os preparativos russos para operações ofensivas.”

ARQUIVO – Nesta fotografia fornecida pelas autoridades de ocupação russas, bombeiros extinguem um incêndio depois de um drone ucraniano atingir um edifício em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia, em 10 de junho de 2026
ARQUIVO – Nesta fotografia fornecida pelas autoridades de ocupação russas, bombeiros extinguem um incêndio depois de um drone ucraniano atingir um edifício em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia, em 10 de junho de 2026 AP Photo

Crise de combustível agrava‑se

A Rússia abastece as suas forças na Crimeia com gasolina, gasóleo e combustível de aviação através de três vias principais: camiões‑cisterna e vagões‑cisterna que atravessam a ponte de Kerch a partir da Rússia, carregamentos por mar e rotas terrestres que passam por zonas ocupadas do sul da Ucrânia.

À medida que a Ucrânia intensifica os ataques a estas ligações com drones e ataques de precisão, as forças de Kiev provocaram a pior crise de combustível na península do mar Negro desde a sua anexação ilegal pela Rússia, em 2014.

Num raro reconhecimento público, o Kremlin admitiu a dimensão do problema.

As autoridades de ocupação da Crimeia nomeadas por Moscovo têm vindo a apertar cada vez mais, nas últimas semanas, as restrições à compra de gasolina.

O autodenominado governador de Sevastopol, Mikhail Razvozhaev, afirmou na quarta‑feira que a administração de ocupação de Sevastopol não conseguiu emitir um novo lote de códigos QR para a compra de combustível porque os camiões‑cisterna não conseguiram chegar à cidade na terça‑feira por “motivos não especificados”.

Razvozhaev introduziu, em 6 de junho, uma regra que obriga os clientes a utilizar um código QR adquirido previamente, a que os cidadãos só podem aceder através da aplicação de mensagens Max, controlada pelo Estado russo, para comprarem gasolina em Sevastopol ocupada.

As autoridades de ocupação reduziram ainda o limite para 20 litros por semana, face aos 20 litros por dia anteriormente permitidos, numa altura em que a escassez continua a agravar‑se.

Ucrânia quer isolar a Crimeia da Rússia, afirma comandante de drones

O comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, Robert Brovdi, afirmou que o objetivo do país é isolar a Crimeia ocupada da Rússia, interrompendo as principais rotas de abastecimento militar para a península.

Brovdi, conhecido pelo indicativo “Madyar”, afirmou que o tráfego de carga militar russa na autoestrada R‑280 “Novorossiya”, que liga a Rússia à Crimeia ocupada através de Mariupol, Berdiansk e Melitopol, ocupadas, na costa do mar de Azov, caiu 71 por cento nas últimas duas semanas devido aos ataques ucranianos.

“Dentro de um mês teremos controlo total sobre esta estrada”, disse Brovdi.

Explicou que o objetivo mais amplo da Ucrânia é tornar cada vez mais difícil a atuação das tropas russas e do pessoal da indústria de defesa na Crimeia e noutros territórios ucranianos ocupados.

“Vamos criar condições que tornem extremamente difícil para qualquer militar ou trabalhador da indústria de defesa permanecer na Crimeia, nos territórios temporariamente ocupados ou utilizar as rotas de acesso a essas zonas”, disse Brovdi.

“Vamos isolar a Crimeia num futuro próximo.”

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