Uma análise do Pentágono enviada ao Congresso concluiu que três ataques aéreos realizados em abril de 2025 contra posições dos houthis — incluindo um no porto de Ras Isa que causou a morte de 80 pessoas — resultaram em 153 mortos e 243 feridos entre a população civil.
Os ataques aéreos dos EUA contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, no Iémen, no ano passado, resultaram na morte de mais de 150 civis, de acordo com uma avaliação do Pentágono divulgada na quarta-feira.
A análise do Pentágono, que foi enviada ao Congresso como parte de um relatório anual sobre vítimas civis, centrou-se em três ataques aéreos realizados em abril de 2025, em resposta aos ataques houthis a navios comerciais no Mar Vermelho, uma rota comercial global crucial que liga o Mediterrâneo ao Oceano Índico.
Os ataques dos EUA tiveram como alvo forças hostis na capital Sana'a, controlada pelos houthis, ou nas suas imediações, bem como no porto de Ras Isa. Segundo o relatório, um total de 153 civis foram mortos e 243 ficaram feridos.
O ataque ao porto foi o mais mortífero, tendo causado a morte de 80 pessoas e ferido outras 171. Na altura, os houthis divulgaram imagens chocantes das consequências do ataque no seu canal de notícias por satélite al-Masirah, mostrando as vítimas no porto.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM), que supervisiona as operações militares norte-americanas no Médio Oriente, referiu na altura que "o ataque não tinha como objetivo causar danos à população do Iémen".
"As forças norte-americanas tomaram medidas para eliminar esta fonte de combustível dos terroristas houthis apoiados pelo Irão e privá-los das receitas ilegais que têm financiado os esforços dos houthis para aterrorizar toda a região há mais de 10 anos", afirmou o CENTCOM no seu comunicado.
O comando determinou ainda que os três ataques "provavelmente" resultaram em vítimas civis, segundo a análise. A informação baseou-se em fontes de inteligência dos EUA, imagens e relatos de fontes abertas.
As preocupações têm vindo a aumentar entre os legisladores norte-americanos e os grupos de direitos humanos relativamente às vítimas civis em operações militares durante o segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, depois de um míssil norte-americano ter atingido uma escola primária em Minab nos primeiros dias da guerra com o Irão, matando até 168 pessoas.
Indemnizações por condolências às vítimas
A análise do Pentágono também ponderou se deveriam ser pagas indemnizações por condolências às vítimas ou às suas famílias, mas concluiu que tal não era adequado nos três casos. A análise não explicou o motivo.
Estes pagamentos são uma opção à disposição das forças armadas dos EUA quando civis são mortos ou feridos durante operações militares. Não são exigidos por lei e não constituem uma admissão de culpa.
Os EUA já efetuaram pagamentos semelhantes em casos anteriores. Depois de um ataque com drones dos EUA no Afeganistão, em 2021, ter matado por engano 10 civis, incluindo sete crianças, o Pentágono afirmou estar empenhado em oferecer pagamentos de condolências aos familiares das vítimas.
Os houthis, que fazem parte da rede informal de aliados do Irão a que Teerão chama "Eixo da Resistência", afirmaram que os ataques a navios no Mar Vermelho que levaram aos ataques norte-americanos foram em apoio aos palestinianos no contexto da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza.
Desde então, o grupo tem ameaçado fechar o estreito de Bab el-Mandeb, à entrada do Mar Vermelho, à navegação mundial, ao mesmo tempo que surgiram notícias de que também está a ponderar a introdução de uma taxa de trânsito, na sequência de consultas com Teerão.
O Estreito de Ormuz — outro ponto de estrangulamento crucial para a navegação mundial — tem estado quase completamente fechado ao tráfego de navios de carga desde o início da guerra com o Irão, no final de fevereiro.
Um encerramento simultâneo de ambos os estreitos afetaria cerca de um terço do comércio mundial de petróleo.