Ataques dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, mataram, no domingo, pelo menos 11 pessoas na cidade portuária iemenita de Mokha, após drones terem visado uma refinaria saudita. As ações intensificaram-se desde que a trégua de 2022 parece ter sido quebrada no mês passado.
Uma fonte médica em Mokha, controlada pelo governo do Iémen reconhecido internacionalmente e sediado em Aden, afirmou que três civis e oito militares morreram nos ataques dos Houthis.
Mais 32 pessoas ficaram feridas, seis das quais civis, adiantou a mesma fonte, explicando que todas as vítimas civis resultaram de ataques ao porto de Mokha.
Duas fontes militares das forças governamentais já tinham confirmado que pelo menos oito soldados morreram nos bombardeamentos e mais de 40 ficaram feridos.
O porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo visou, com mísseis e drones, tropas e equipamento do “inimigo saudita” na zona.
Uma trégua que durava há vários anos na guerra civil do Iémen entre os houthis e o governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita pareceu colapsar no mês passado, quando se intensificaram os combates entre aliados regionais dos Estados Unidos e do Irão.
O colapso do acordo de 2022, apoiado pela ONU, coincidiu com o anúncio pelos rebeldes de um bloqueio marítimo à Arábia Saudita, com ataques a petroleiros sauditas no mar Vermelho e à infraestrutura petrolífera do reino, em paralelo com o bloqueio iraniano ao estreito de Ormuz.
Ataque a refinaria de petróleo
Mais cedo, Saree afirmou que os Houthis tinham atingido uma instalação petrolífera na costa saudita do Mar Vermelho, depois do Ministério da Energia do reino do Golfo ter anunciado que extinguiu um incêndio no complexo de Jazan.
Acrescentou que o ataque à instalação explorada pela Aramco, a petrolífera estatal saudita, foi lançado em resposta a incursões de drones do reino do Golfo no noroeste do Iémen.
As duas fontes militares ligadas ao governo sediado em Aden confirmaram que os Houthis atacaram Mokha com várias vagas de disparos de mísseis e drones.
Uma dessas fontes militares indicou que os Houthis também visaram forças e instalações pró-governamentais fora de Mokha, bem como posições em ilhas próximas do estreito de Bab al-Mandab, ponto de estrangulamento da navegação na entrada sul do Mar Vermelho.
A mesma fonte adiantou que alguns dos locais atacados pelo grupo apoiado pelo Irão albergavam tropas sauditas, mas não havia registo de baixas entre os militares do reino do Golfo.
Moradores em Mokha confirmaram ter ouvido explosões na zona; um deles disse ter “ouvido explosões de drones e das defesas aéreas sobre o porto e a cidade”.
Outro habitante relatou ter ouvido “seis explosões consecutivas” no porto.
Os Houthis controlam vastas áreas do Iémen, incluindo a capital Sanaa e zonas na fronteira com as províncias sauditas banhadas pelo Mar Vermelho.
A ameaça iemenita à navegação e às instalações petrolíferas sauditas surge numa altura em que o Irão mantém o bloqueio ao estreito de Ormuz, agora o principal foco de tensão entre Teerão e Washington, num contexto de esforços para pôr fim à guerra no Médio Oriente iniciada pelos Estados Unidos e Israel em fevereiro.