Futebolista argentino divulga carta aberta a despedir-se do pai e representante, Jorge Messi, morto a 8 de agosto em Rosario, e admite dúvidas sobre continuar a jogar
Lionel Messi raramente expõe a sua vida privada. Ao longo de duas décadas de carreira, o argentino manteve uma relação distante com os meios de comunicação e reservou as emoções para o círculo mais próximo. Por isso chama a atenção que, após a morte do pai, tenha decidido publicar nas redes sociais uma carta aberta em que se mostra devastado pela dor.
Na mensagem, dirigida diretamente a Jorge, Messi escreve que não sabe como continuar sem ele. “Não sei o que vou fazer sem ti, não sei como continuar. Eu só jogava futebol e agora tenho muitas dúvidas de que vá continuar a fazê‑lo durante muito mais tempo”, lê‑se no texto. Palavras que, vindas de quem sempre evitou falar da sua retirada, ganham um peso especial.
O capitão da albiceleste também lamenta, na sua tristeza, que o pai não tenha conseguido resistir um pouco mais. “Estiveste ao meu lado desde o início, faltava tão pouco para o final. Porque é que não aguentaste esse pouco mais e terminávamos juntos?”, escreve no comunicado.
Jorge Horacio Messi não foi apenas o pai de Lionel. Foi também o seu representante desde os primeiros anos e a pessoa que, como o próprio futebolista reconheceu em várias ocasiões, sustentou boa parte da sua carreira fora do relvado.
Na carta, Messi recorda essa proximidade constante e lamenta que a saúde do pai, já frágil durante o último Mundial, lhe tenha impedido de o acompanhar até ao final do torneio.
“Pai, ainda não consigo acreditar que tenhas partido. Ainda nos faltava muito para desfrutarmos juntos. Tanto me pedias que jogasse o último Mundial e foi dias antes de começar que ficaste pior”, escreve. Messi relata que a mãe lhe assegurava que o pai iria melhorar o suficiente para viajar e vê‑lo jogar a final, e que ele próprio se agarrou a essa ideia. “Dizia‑te que íamos chegar à final para poderes viajar. Chegámos à final e não pudeste estar”, acrescenta, numa referência ao encontro que a Argentina disputou e perdeu com a Espanha, em 19 de julho passado, em Nova Jérsia.
“Queria ganhá‑la para ta levar e mostrar‑te uma nova. Não consegui, as pernas já não davam mais. Desta vez tentei ir contra o meu físico, mas não consegui. Nunca consegui sentir‑me bem”, conclui essa parte da mensagem, em que reconhece o desgaste físico com que chegou à fase final do Mundial.
Contrato em vigor e nenhuma decisão anunciada
Por agora, Messi mantém o vínculo contratual com o Inter de Miami e não fez qualquer anúncio formal sobre o futuro, nem no clube norte‑americano nem na seleção argentina.
A carta, no entanto, deixa entrever que a perda do pai abriu uma reflexão que até agora não tinha tornado pública. O próprio jogador admite que a relação com o futebol esteve sempre ligada à figura paterna, o que ajuda a explicar que a incerteza sobre a continuidade tenha surgido precisamente neste momento.
O funeral de Jorge Messi realizou‑se em privado no cemitério El Prado, em Rosario, a cidade natal de ambos, com a presença de Antonela Roccuzzo e dos filhos do futebolista. Clubes e organismos do futebol argentino, entre eles o Newell's Old Boys, clube de que Jorge era adepto assumido, dedicaram‑lhe mensagens de despedida nos dias seguintes.
Os 6 momentos mais importantes da carreira de Messi
1. Estreia pela equipa principal do Barcelona (2004). Com apenas 17 anos, Messi estreou‑se na equipa principal blaugrana num jogo da liga, o primeiro passo de uma trajetória que se prolongaria por mais de duas décadas no clube.
2. Primeira Liga dos Campeões como estrela (Roma, 2009). Messi marcou de cabeça o segundo golo na final frente ao Manchester United, numa época em que o Barcelona conquistou os seis títulos possíveis. O próprio jogador assinalou esse golo como o mais importante da carreira.
3. Campeonato do Mundo do Qatar 2022. O título que lhe faltava. Messi ergueu o troféu com a Argentina, após vencer a França nas grandes penalidades, consolidando‑se como campeão do mundo depois de quatro finais perdidas anteriormente com a seleção principal.
4. Saída do Barcelona (2021). Após mais de duas décadas no clube e 35 títulos conquistados, Messi anunciou entre lágrimas a saída, motivada pela situação financeira e institucional da entidade, antes de assinar pelo Paris Saint‑Germain.
5. Última Bola de Ouro (2023). O ano de 2023 marcou a sua última Bola de Ouro, a nona da carreira. É um galardão que o reconhece como melhor jogador do ano e que partilhou palco com a espanhola Bonmatí, que o recebeu pela vertente do futebol feminino.
5. Melhor marcador histórico dos Mundiais (2026). Durante o Campeonato do Mundo disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, Messi superou o recorde de Miroslav Klose e tornou‑se o melhor marcador da história do torneio, no mesmo Mundial em que a Argentina chegou à final e caiu frente à Espanha.