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Donald Trump reúne-se com Delcy Rodríguez numa aproximação sem precedentes entre Washington e Caracas

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, à chegada ao aeroporto de Teterboro, em Nova Jérsia
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, à chegada ao aeroporto de Teterboro, em Nova Jérsia Direitos de autor  Captura de pantalla de la red X de Delcy Rodríguez
Direitos de autor Captura de pantalla de la red X de Delcy Rodríguez
De Escarlata Sánchez
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Embora o encontro não tenha o protocolo formal reservado a potências como França ou o Reino Unido, a reunião tem um significado histórico: há apenas um ano, o fosso diplomático entre a Casa Branca e o Palácio de Miraflores parecia intransponível.

Donald Trump e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, protagonizam esta terça-feira, em Nova Iorque, um encontro histórico que ilustra a reviravolta radical nas relações entre Washington e Caracas. Trata-se do primeiro encontro entre os dois líderes após a operação militar norte-americana que derrubou e levou à detenção de Nicolás Maduro há menos de um ano.

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Segundo fontes do Executivo norte-americano, a reunião limitar-se-á a um breve encontro cara a cara previsto para as 19h40, hora local, em Nova Iorque. O cenário escolhido é o âmbito da receção aos líderes da Assembleia Geral da ONU, que acolhe pela primeira vez Delcy Rodríguez à frente da delegação venezuelana na qualidade de chefe de Estado interina.

Embora o encontro não tenha o mesmo nível das reuniões bilaterais formais agendadas com parceiros como França, o Reino Unido ou o Japão, este encontro reveste-se de um valor simbólico extraordinário. Ambos os líderes vão encontrar-se semanas após o controverso acordo pelo qual Caracas cedeu a Washington o controlo de parte das suas reservas de petróleo, e a pouca distância da prisão de Nova Iorque onde o próprio Nicolás Maduro aguarda julgamento por tráfico de droga.

A reviravolta de Caracas e a nova "tutela" de Washington

Aquela que foi, no passado, o braço direito de Maduro e prometeu lealdade após a sua queda lidera hoje um impensável descongelamento diplomático com os Estados Unidos. Uma reviravolta que deixa a oposição tradicional desorientada: María Corina Machado continua no Panamá à espera da autorização para entrar na Venezuela.

Machado chegou a entregar ao presidente norte-americano a sua medalha do Prémio Nobel da Paz. Um esforço que contrasta com o pragmatismo da Casa Branca, que, após a queda de Maduro no passado dia 3 de janeiro, transformou a rivalidade histórica com a Venezuela numa aliança operacional centrada no setor energético, ao abrigo de um esquema de tutela formalmente reconhecido por Washington.

Petróleo, abertura política e legitimidade regional

Este encontro representa a primeira reunião formal entre os chefes de Estado de ambos os países em mais de uma década, dando continuidade à breve conversa que Barack Obama e Nicolás Maduro mantiveram no Panamá durante a Cimeira das Américas de 2015. O principal catalisador desta nova etapa é o recente acordo energético, uma aliança que confere aos Estados Unidos a gestão direta de um quinto dos recursos petrolíferos venezuelanos.

O acordo petrolífero suscita sérias dúvidas entre aqueles que veem na estratégia de Trump um mero interesse extrativista que adia as reformas democráticas no país. Perante estas críticas, o novo cenário institucional já apresenta as suas primeiras contrapartidas em matéria de liberdades: a libertação de presos políticos ao abrigo de uma recente lei de amnistia, o desmantelamento anunciado da prisão de El Helicoide — símbolo do aparelho repressivo em Caracas — e o fim do bloqueio a vários meios de comunicação social.

Esta normalização incipiente, aliada ao apoio de Washington, serviu de trampolim para a projeção internacional de Rodríguez. Prova disso foi o seu recente encontro em Caracas com o presidente paraguaio, Santiago Peña, um encontro destinado a restabelecer as relações bilaterais após um ano de rutura formal.

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