Loader
Encontra-nos
Publicidade

Venezuela cede controlo de um quinto do petróleo aos EUA em acordo histórico

ARQUIVO - A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala durante uma conferência de imprensa em Caracas, a 2 de julho de 2026.
ARQUIVO - A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala numa conferência de imprensa em Caracas, Venezuela, em 2 de julho de 2026. Direitos de autor  (AP Photo/Pedro Mattey, File)
Direitos de autor (AP Photo/Pedro Mattey, File)
De Una Hajdari
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Parlamento da Venezuela aprova entregar aos EUA controlo de um quinto das reservas de petróleo, consolidando a influência de Washington no governo pós-Maduro

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou, na terça-feira, um acordo que entrega aos Estados Unidos o controlo de cerca de um quinto das reservas de petróleo do país, consolidando a influência de Washington sobre um governo que ajudou a instalar depois de derrubar o Presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Responsáveis norte-americanos defenderam, na terça-feira, o acordo de vários milhares de milhões de dólares, argumentando que vai baixar os preços do petróleo para os norte-americanos e contrariar a influência russa e chinesa à porta de Washington.

Persistem, no entanto, muitas dúvidas sobre o acordo, que surge numa altura em que Washington mantém um controlo sem precedentes sobre o governo em Caracas.

Já ao fim do dia de terça-feira, o secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, chegou à Venezuela, estando a assinatura do acordo prevista para quarta-feira. A petrolífera Chevron deverá anunciar, no mesmo dia, uma grande expansão das suas operações no país.

Mais cedo, Trump reuniu-se, na Casa Branca, com dirigentes do sector petrolífero, numa tentativa de travar a escalada dos preços dos combustíveis provocada pela guerra com o Irão, esperando a administração que o acordo com a Venezuela possa ajudar.

“Estamos a afirmar o domínio energético dos Estados Unidos!”, disse Trump na sua rede Truth Social depois do encontro.

Numa entrevista em espanhol publicada na terça-feira no YouTube, o secretário de Estado Marco Rubio disse ao jornalista venezuelano radicado nos Estados Unidos Sergio Novelli que uma empresa privada estava a trabalhar com os Estados Unidos para “normalizar a economia venezuelana”.

“No essencial, isto passa agora a ser um acordo com o governo dos Estados Unidos, envolvendo especificamente o Departamento de Defesa, que dispõe de uma conta especial que lhe permite assumir a posse de uma determinada percentagem destes ativos”, afirmou Rubio.

“Passamos a ter um sistema em que esta empresa vai aumentar a produção. Com o apoio dos Estados Unidos, poderá atrair o investimento privado necessário para desenvolver a capacidade produtiva destes campos”, disse Rubio, acrescentando que a “grande maioria” dos 17 campos esteve “nas mãos de chineses e russos” até agora.

Estados Unidos assumem controlo

Em Caracas, alguns deputados da oposição abstiveram-se na votação de braço no ar para aprovar o acordo com os Estados Unidos, alegando que primeiro deviam poder consultar as condições por escrito.

“Precisamos e estamos obrigados a saber o que está escrito na letra pequena”, afirmou o deputado da oposição Luis Emilio Rondón.

Mas o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou que o dinheiro do acordo iria ajudar os venezuelanos.

“Quem é que beneficia com este petróleo se ficar debaixo da terra?”, perguntou Rodríguez.

O ministro da Defesa da Venezuela, Gustavo González López, deu total apoio militar ao acordo, descrevendo-o como “prosperidade e bem-estar para o país”.

“Transformar uma divergência política num acordo de cooperação económica é simplesmente decidir escolher a paz; não é subordinação”, afirmou.

O acordo, que concede aos Estados Unidos acesso preferencial a 17 campos petrolíferos, prevê nomeadamente a tomada de controlo de instalações até agora exploradas por empresas russas e chinesas.

Um dos aspetos mais polémicos é o envolvimento de Alejandro Betancourt, empresário venezuelano associado a negócios obscuros durante o governo socialista do falecido Hugo Chávez.

Betancourt dirige a North American Blue Energy Partners (NABEP), a segunda maior empresa petrolífera privada da Venezuela, na qual o governo dos Estados Unidos vai adquirir, ao abrigo do acordo, uma participação de 35%. Foi acusado de envolvimento num esquema de corrupção na PDVSA, a companhia petrolífera estatal venezuelana.

Mas um responsável norte-americano afirmou que Betancourt é “um gestor experimentado”, admitindo que a geopolítica implica por vezes lidar com figuras “imperfeitas”.

“Não estou aqui a propor ninguém para santo. O que vos digo é que se trata de uma pessoa que, no passado, foi útil ao governo dos Estados Unidos”, declarou o responsável.

Segundo a Casa Branca, o acordo dá a Washington o direito de comprar, ao preço de produção, 20% do petróleo extraído pela NABEP.

Cidadãos norte-americanos terão de constituir a maioria do conselho de administração da empresa, o que dará a Washington controlo efetivo, e o governo dos Estados Unidos terá poder de veto sobre os seus membros.

O responsável afirmou que o controlo norte-americano pôria fim à corrupção numa indústria petrolífera venezuelana degradada e impediria Caracas de continuar a enviar grande parte dos seus fornecimentos para o aliado Cuba.

“Foi usada como um mealheiro pessoal” pelo governo de Maduro, disse o responsável.

Conseguir petróleo mais barato é uma prioridade para a administração Trump antes das decisivas eleições intercalares de novembro nos Estados Unidos, nas quais o Partido Republicano pode perder o controlo do Congresso.

Outras fontes • AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Venezuela: Chevron prepara expansão enquanto secretária da Energia dos EUA chega a Caracas

Trump promete que os EUA vão ficar com todo o petróleo da Venezuela

Inflação na zona euro sobe para 3,3% em agosto com subida dos preços da energia