Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Paraguai pede aplicação imediata do acordo UE-Mercosul

Euronews
Euronews Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Peggy Corlin & Maria Tadeo
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

Numa entrevista à Euronews, Santiago Peña alertou que adiar a implementação do acordo comercial arduamente negociado seria "um erro".

O acordo de comércio livre entre a União Europeia e os países do Mercosul deve avançar sem mais demoras, afirmou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, à Euronews. Avisou que travar o acordo seria um “erro”, numa altura de crescentes tensões geopolíticas.

O pacto de comércio livre foi assinado no mês passado pela UE e pelos membros do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Porém, a ratificação plena pela UE está bloqueada depois de eurodeputados terem remetido o acordo para o Tribunal de Justiça, no Luxemburgo.

“Já entregámos o acordo ao Congresso da Nação Paraguaia na semana passada e entendemos que a União Europeia dispõe de instrumentos jurídicos para o aplicar de forma provisória”, afirmou Peña no principal programa de entrevistas da Euronews, The Europe Conversation.

“Estamos a trabalhar para que isso aconteça e queremos que o Paraguai seja o primeiro país a pô-lo em prática.” O país detém atualmente a presidência pro tempore rotativa do Mercosul.

Apesar da análise judicial em curso, a Comissão Europeia tem a prerrogativa de aplicar provisoriamente o acordo assim que um ou mais países do Mercosul concluírem a ratificação a nível nacional. Enquanto Alemanha, Espanha, Portugal e os países nórdicos pressionam a favor da fase seguinte, a Comissão afirma, para já, que ainda não foi tomada qualquer decisão.

Oposição baseada na ignorância

O acordo criaria uma vasta zona de comércio livre entre a UE e a América Latina, reduzindo drasticamente as tarifas sobre bens e serviços. Mas a resistência na Europa continua forte, com agricultores e vários governos, liderados por Paris, a alertarem para concorrência desleal das importações do Mercosul.

Peña afirmou que a oposição europeia ao acordo assenta na “ignorância” e numa visão ultrapassada e estereotipada da América Latina.

“Os nossos países mudaram profundamente. Desenvolveram-se. O capital humano aumentou”, disse Peña. “A Europa tem de redescobrir a América Latina.”

Na entrevista, Peña alertou que rejeitar o acordo seria um erro estratégico, numa altura em que a Europa já não pode contar com os Estados Unidos como parceiro comercial de referência, devido às políticas imprevisíveis do Presidente Donald Trump.

“Se, no fim, os eurodeputados preferirem não se integrar em novos mercados e optarem por manter alianças antigas que hoje já não funcionam, isso será certamente um erro”, afirmou.

Ainda assim, Peña atribuiu a Trump “o impulso final” que permitiu fechar o acordo após 25 anos de negociações.

“O mundo estava meio adormecido”, disse. “Não estávamos a avançar e ele apareceu para nos pôr em movimento. Veio desafiar aquilo que considerávamos estável e isso obrigou-nos a sair da nossa zona de conforto.”

Segundo Peña, uma das grandes vantagens do acordo UE-Mercosul é o potencial para contrariar a crescente presença da China na região e o domínio sobre o fornecimento de terras raras.

“A Europa está a perder aí uma enorme oportunidade, porque, se há região capaz de competir à escala global, é a América Latina. Temos talento jovem, uma população maioritariamente jovem, uma população que já é nativa digital”, afirmou.

“Dispomos de uma enorme abundância de recursos naturais, não apenas alimentos que crescem à superfície, mas também minérios no subsolo, cruciais para esta nova vaga tecnológica. A nossa região tem absolutamente tudo o que a Europa e o mundo precisam.”

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

O Mercosul, a Índia e a UE: As ambições comerciais encontram resistência política no The Ring

Verificação de factos: acordo comercial com o Mercosul abrirá a porta a alimentos "tóxicos" na UE?

Parlamento Europeu apoia von der Leyen, apesar do confronto sobre o acordo com o Mercosul