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Hungria: comissão enviada à Ucrânia tem de regressar para participar na marcha pela paz

Imagem ilustrativa (Robert Fico (esq.) e Viktor Orbán (dir.) na cimeira da UE na Bélgica, em 12 de fevereiro de 2026)
Imagem ilustrativa (Robert Fico (esquerda) e Viktor Orbán (direita) na cimeira da UE na Bélgica, em 12 de fevereiro de 2026) Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Anna Flori
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Num vídeo publicado no Facebook, Viktor Orbán revelou ter mandado regressar os peritos enviados à Ucrânia a 11 de março, após o chefe da missão lhe ter dito que nem sequer os deixaram aproximar-se do oleoduto Druzhba.

O chefe do governo húngaro mandou regressar a comissão de averiguação que tinha enviado esta semana a Kiev para apurar se o oleoduto Druzhba está, de facto, inoperacional. Segundo o responsável pelo grupo de peritos, não lhes foi permitido aproximar-se do oleoduto. Para Viktor Orbán, isso é mais uma prova de que o oleoduto continua operacional e que é apenas a liderança ucraniana que não quer colocá-lo em funcionamento.

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Na página de Facebook de Viktor Orbán, foi divulgado um vídeo (em húngaro) em que o primeiro-ministro húngaro fala sobre o assunto com o secretário de Estado da Energia, Gábor Czepek. Da conversa, percebe-se também que a empresa ucraniana Naftogaz realizou um briefing sobre o oleoduto Druzhba e que, para essa reunião, foi igualmente convidado o embaixador húngaro em Kiev. Orbán considera que esse encontro informativo em Kiev é também resultado da pressão exercida por Budapeste.

O governo ucraniano avisou de imediato que não considera oficial a delegação da comissão húngara de averiguação, criada a 11 de março.

Volodimir Zelenszkyy aponta abril como fim das reparações

A liderança húngara e a ucraniana travam há semanas uma dura disputa sobre a reabertura do oleoduto Druzhba, danificado no final de janeiro. Segundo o governo ucraniano, o oleoduto foi atingido por um ataque de drones russo em 27 de janeiro. Desde então está parado, situação que o governo húngaro classifica como “chantagem” por parte de Kiev.

A disputa chegou ao ponto de, esta semana, a unidade antiterrorista húngara ter intercetado um comboio de transporte de valores ucraniano, não devolvendo até agora o conteúdo dos dois veículos ao banco ucraniano visado. Foi instaurado um processo contra os transportadores de valores, que foram, entretanto, expulsos do país pelas autoridades húngaras; mais tarde, os carros blindados foram devolvidos ao banco ucraniano, mas o dinheiro e os lingotes de ouro não.

O primeiro-ministro húngaro repetiu várias vezes e, por fim, com base em imagens de satélite, afirmou que o oleoduto está em condições de funcionar e que o governo ucraniano apenas não o reabre porque quer, assim, pressionar o governo húngaro, que bloqueia o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia destinado à Ucrânia.

O presidente ucraniano declarou há alguns dias que os trabalhos de reconstrução deverão ficar concluídos dentro de cerca de um mês e meio e que, nessa altura, o oleoduto Druzhba poderá voltar a entrar em funcionamento.

Numa reunião pública de governo na semana passada, Volodimir Zelenszkij disse abertamente também que não tem grande vontade de reabrir o oleoduto, mas que, como a Ucrânia precisa do empréstimo europeu, se vê obrigado a fazê-lo na expectativa de que o governo húngaro retire então o veto.

Com base nas declarações feitas em Budapeste nas últimas semanas, isso está longe de ser certo, já que o governo húngaro insiste em que, como diz, “não vai entregar o dinheiro dos húngaros à Ucrânia”. Em vez disso, o executivo húngaro reagiu a outra observação de Zelenskyy. Na mesma reunião de governo, o presidente ucraniano terá alegadamente ameaçado de morte o chefe do governo húngaro. A frase em causa circulou durante dias na imprensa e nas redes sociais em várias versões; não é claro até que ponto a ameaça foi de facto de morte, mas é certo que não foi diplomática. A Comissão Europeia levou o caso a sério e apelou aos governos húngaro e ucraniano para mudarem o tom e evitarem qualquer novo agravamento das tensões.

A liderança húngara, que culpa a Ucrânia pelos repetidos fracassos nas tentativas de pôr fim à guerra, mantém boas relações com o presidente russo e adota regularmente posições em questões relacionadas com a Rússia que são incompatíveis com a posição e os valores da União Europeia. Em paralelo, acusa constantemente a liderança europeia de ter ficado sob a influência do presidente ucraniano.

A Ucrânia, o presidente ucraniano, o oleoduto Druzhba, as sanções europeias ao petróleo russo e o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia destinado à Ucrânia são temas recorrentes na campanha eleitoral do partido no poder na Hungria, que entra agora na reta final.

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