O presidente ucraniano diz que o oleoduto poderá estar operacional dentro de um mês. Zelenskyy não deixou de lado as críticas à atual situação e ao bloqueio da ajuda europeia por parte da Hungria.
A Ucrânia pode realizar as operçaões no oleoduto Druzhba que pode ficar funcional e pronto a transportar petróleo dentro de um mês. A garantia foi dada pelo próprio presidente ucraniano.
"A Ucrânia pode reparar o oleoduto Druzhba dentro de um mês ou mês e meio, embora não veja qualquer razão técnica ou de segurança para o fazer", afirmou Volodymyr Zelenskyy aos jornalistas em Kiev. Apesar de possíveis, o presidente ucraniano indicou que preferia que tais reparações não fossem feitas.
"Para ser sincero, eu não o repararia", afirmou. "Esta é a minha posição. Expliquei isso aos líderes europeus e àqueles que me ligaram sobre esta questão, bem como à liderança da União Europeia, porque se trata de petróleo russo", reforçou.
O oleoduto atravessa o território ucraniano para abastecer a Hungria e a Eslováquia com petróleo comprado a Moscovo. Para o líder ucraniano "há coisas que não têm preço", explicando que "enquanto os russos estão a matar ucranianos, não devemos preocupar-nos em fornecer petróleo russo a Orbán".
Desde que o oleoduto foi danificado e o fornecimento de petróleo suspenso, a questão tem gerado muita controvérsia, com Bratislava e Budapeste a acusarem Kiev de adiar as reparações.
Em retaliação, a Hungria bloqueou um empréstimo da União Europeia (UE) de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e a adoção do 20.º pacote de sanções contra a Rússia. Uma ação que mereceu uma resposta do líder ucraniano.
"Espero que ninguém na UE impeça o pagamento do empréstimo de 90 mil milhões de euros, que utilizaremos para armar os soldados ucranianos, caso contrário, daremos aos nossos soldados o número de telefone da pessoa que o impedirá, e assim poderão falar uns com os outros na sua língua materna", afirmou Zelenskyy, que indicou que as reparações serão feitas de forma a desbloquear os fundos.
"Nós prepararemos tudo, e a decisão caber-lhes-á", acrescentou.
No final de janeiro, um ataque de um drone russo danificou o oleoduto e travou transporte de petróleo. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o seu homólogo eslovaco, Robert Fico, afirmaram, duas semanas depois, que estavam a ser chantageados politicamente por Kiev.
Em Bruxelas, Orbán e Fico vetaram o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia à Ucrânia e afirmaram que só o apoiariam caso Ucrânia reparasse a infraestrutura.
Na terça-feira, Viktor Orbán utilizou imagens de satélite para provar que o oleoduto já não tinha problemas, com Zelenskyy a responder, dizendo que as imagens não provavam nada. O presidente ucraniano disse esta semana ao diário italiano Corriere della Sera que era necessário um cessar-fogo para reparar a estrutura e que os ataques russos constantes impediam os trabalhos.
O primeiro-ministro húngaro e Fico afirmaram que iriam enviar uma comissão independente de apuramento de factos à Ucrânia para investigar a situação, mas o lado ucraniano rejeitou a ideia devido ao risco de segurança.
O presidente russo Vladimir Putin manteve conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, em Moscovo, na quarta-feira.
Szijjártó afirmou que o petróleo e o gás russos são fundamentais para que as empresas húngaras de serviços públicos possam estabelecer preços razoáveis para os consumidores.
O presidente russo classificou a Hungria e a Eslováquia como "os parceiros mais fiáveis" e prometeu continuar a fornecer gás, mas acrescentou que tal só será possível, "se os dirigentes destes países mantiverem a mesma política que têm atualmente, ou seja, se continuarem a ser parceiros fiáveis".