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Hungria: Orbán diz a apoiantes que "os nossos filhos não vão morrer pela Ucrânia"

Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, discursa aos apoiantes durante uma marcha em Budapeste, 15 de março de 2026
Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, discursa perante apoiantes durante marcha em Budapeste, 15 de março de 2026 Direitos de autor  MTI
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De Sandor Zsiros
Publicado a Últimas notícias
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Viktor Orbán mobiliza apoiantes em Budapeste e apresenta as eleições de abril como escolha entre paz e guerra, atacando Zelenskyy e a UE na disputa do oleoduto Druzhba.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmou que as próximas legislativas na Hungria representam uma escolha entre a paz e a guerra, apresentando o seu governo como garante de estabilidade.

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Orbán falou num comício no centro de Budapeste, por ocasião do feriado nacional da Hungria, que assinala a revolução de 1848 contra o domínio dos Habsburgos.

Hungria vai às urnas em 12 de abril, numa votação amplamente vista como o desafio mais sério ao poder de Orbán desde que chegou ao cargo, em 2010.

Péter Magyar, líder do opositor Partido Tisza, surge atualmente à frente do Fidesz de Orbán nas sondagens.

Apoiantes do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, numa marcha em Budapeste, 15 de março de 2026
Apoiantes do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, numa marcha em Budapeste, 15 de março de 2026 AP Photo

Orbán acusa Bruxelas e Kiev de quererem afastá-lo do poder

Orbán acusou ainda a Ucrânia de interferir na campanha eleitoral, alegando que Kiev se colocou ao lado da oposição e da União Europeia numa tentativa de o afastar do poder.

Budapeste e Kiev estão envolvidas num duro braço de ferro sobre a suspensão do oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para a Hungria, via Ucrânia, a preço reduzido. Budapeste bloqueou o pacote de empréstimos da União Europeia à Ucrânia, no valor de 50 mil milhões de euros, até que o oleoduto volte a funcionar.

A disputa ganhou também uma dimensão pessoal, com trocas de acusações entre Orbán e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy.

"Vêem isto, ucranianos? Vê isto, Zelenskyy? Este é o Estado húngaro com mil anos. E acham que nos conseguem assustar com um bloqueio ao petróleo, chantagem e ameaças contra os nossos dirigentes? Sejam prudentes e parem com isto", afirmou Orbán.

Campanha eleitoral marcada por disputa diplomática com a Ucrânia

Na semana passada, Zelenskyy afirmou que deixaria os seus militares telefonar a um líder europeu que estivesse a bloquear a ajuda da União Europeia à Ucrânia, declaração que o governo húngaro condenou como uma ameaça direta a Orbán.

"Não têm já problemas suficientes na frente leste? Porque é que nos atacaram? Somos um povo amante da paz. Deem-nos o nosso petróleo e depois levem as vossas carrinhas para Bruxelas buscar o dinheiro dos ocidentais", disse Orbán, numa aparente referência à apreensão, há duas semanas, de dois veículos de transporte de numerário ucranianos perto de Budapeste.

As autoridades húngaras revistaram dois veículos do Oschadbank, banco estatal ucraniano, e apreenderam 40 milhões de dólares, 35 milhões de euros e 9 quilos de ouro no âmbito de uma investigação por branqueamento de capitais. Kiev afirma que o transporte era legal e acusou a Hungria de terrorismo de Estado. O episódio desencadeou uma disputa diplomática entre os dois países.

Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, gesticula durante uma conferência de imprensa em Bucareste, 12 de março de 2026
Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, gesticula durante uma conferência de imprensa em Bucareste, 12 de março de 2026 AP Photo

Orbán apresenta a sua candidatura como escolha entre paz e guerra

Ao apresentar a votação como uma questão existencial, Orbán descreveu as próximas eleições como uma escolha clara entre paz e guerra. O líder húngaro retrata frequentemente a União Europeia como um bloco pró-guerra que agrava o conflito na Ucrânia através do apoio financeiro e de debates sobre o envio de tropas terrestres.

"Está na altura de Kiev e Bruxelas perceberem que os nossos filhos não vão morrer pela Ucrânia, vão viver pela Hungria", declarou Orbán.

"Temos de escolher quem deve formar governo, eu ou Zelenskyy? Ofereço-me, com a devida modéstia", acrescentou.

Orbán alegou ainda que tanto a Ucrânia como a União Europeia têm interesse numa mudança de governo na Hungria e apelou ao seu partido, o Fidesz, para melhorar o resultado de há quatro anos, fixando como objetivo pelo menos três milhões de votos.

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