Alex Saab, aliado próximo de Nicolás Maduro, admite branqueamento de capitais nos Estados Unidos, aceita entregar 195 milhões de dólares e colaborar nas investigações federais sobre o alegado esquema de corrupção.
Alex Saab, estreito aliado do deposto presidente venezuelano Nicolás Maduro, declarou-se culpado esta terça-feira de um crime de branqueamento de capitais relacionado com um alegado esquema de subornos para obter contratos públicos lucrativos na Venezuela.
Como parte do acordo de confissão de culpa, Saab aceitou colaborar com as investigações federais ainda em curso nos Estados Unidos e entregar 195 milhões de dólares provenientes do esquema de corrupção.
Saab, de 54 anos, foi deportado em maio para os Estados Unidos pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. As autoridades norte-americanas investigam o empresário nascido na Colômbia há mais de uma década.
O crime de branqueamento de capitais prevê uma pena máxima de 20 anos de prisão. Mas os procuradores comprometeram-se a recomendar uma pena no limite inferior da moldura prevista e a pedir reduções adicionais se a colaboração se revelar útil, incluindo a participação em investigações sobre quatro coarguidos cujos nomes não foram divulgados.
Alex Saab, detido em 2020 e posteriormente indultado por Biden
Saab já tinha sido acusado em 2019, durante a primeira Administração de Donald Trump, e foi detido em 2020 durante uma escala para reabastecer em Cabo Verde. O governo venezuelano afirmou então que se encontrava numa missão humanitária de alto nível com destino ao Irão.
Durante a comparência em tribunal esta terça-feira, Saab explicou à juíza Kathleen Williams que toma diariamente o antidepressivo Zoloft e outros medicamentos para aquilo que descreveu como “perturbação de stress pós-traumático” após a sua detenção em 2020.
O então presidente Joe Biden concedeu um indulto a Saab em 2023 em troca da libertação de vários norte-americanos detidos na Venezuela. O acordo fazia parte de uma tentativa fracassada da Casa Branca de Biden de convencer Maduro a realizar eleições presidenciais livres.
A decisão foi duramente criticada pelos republicanos e por responsáveis das forças de segurança federais, que iniciaram de imediato novas investigações a Saab por outros alegados crimes não abrangidos pelo indulto, de alcance limitado.
Estados Unidos via Saab como “testa-de-ferro” de Maduro
As autoridades norte-americanas descreveram durante anos Saab como o “bag man” de Maduro, um termo usado para designar uma pessoa encarregada de gerir ou movimentar dinheiro em nome de outra. Agora poderão pedir-lhe que testemunhe sobre o carácter do ex-presidente venezuelano, que se encontra a aguardar julgamento por acusações relacionadas com droga em Manhattan, depois de ter sido capturado em janeiro numa operação militar norte-americana.
O novo processo judicial contra Saab e Maduro ocorre numa altura em que a Administração Trump reformula as relações dos Estados Unidos com a Venezuela e concentra a atenção no aproveitamento das vastas reservas petrolíferas do país.
Este mês, Trump anunciou uma parceria com o empresário petrolífero venezuelano Alejandro Betancourt, através da qual o Governo norte-americano obterá uma participação e acesso a carregamentos de crude a preço de custo, provenientes de jazidas com um potencial de produção de 65 mil milhões de barris.