Loader
Encontra-nos
Publicidade

Japão protesta contra primeira visita de Putin às ilhas Curilas

Vladimir Putin visita em 13 de agosto de 2026 uma escola com o nome do Herói da Rússia Eduard Norpolov em Kurilsk, na ilha Iturup, a maior das Curilas disputadas
Vladimir Putin visita escola com o nome do Herói da Rússia Eduard Norpolov em Kurilsk, em Iturup, a maior das ilhas Curilas disputadas, quinta, 13 de agosto 2026 Direitos de autor  Gavriil Grigorov, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Direitos de autor Gavriil Grigorov, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
De Malek Fouda
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

As quatro ilhas em disputa, anexadas pela Rússia na Segunda Guerra Mundial, ganharam importância após o conflito, oferecendo bases militares estratégicas ao Kremlin e ricos depósitos minerais e zonas de pesca.

O presidente russo Vladimir Putin visitou pela primeira vez, esta quinta-feira, as ilhas Curilas, no extremo oriente russo, o que provocou um protesto "veemente" por parte do Japão, que também reivindica o território.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

As relações russo-japonesas têm sido marcadas há muito tempo por tensões em torno destas ilhas contestadas, conhecidas no Japão como "Territórios do Norte" e ocupadas pela União Soviética em 1945.

O Kremlin divulgou um vídeo de Putin nas ilhas Curilas e a comunicação social russa noticiou que o presidente visitou uma unidade de transformação de pescado, onde lhe ofereceram caviar. Putin deslocou-se às Curilas após uma visita à vizinha ilha russa de Sacalina, onde a Marinha russa estava a realizar exercícios.

Vladimir Putin prova caviar durante uma visita ao complexo piscícola Yasny, na aldeia de Kitovoye, em Iturup, a maior das ilhas Curilas em disputa, quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Vladimir Putin prova caviar durante uma visita ao complexo piscícola Yasny, na aldeia de Kitovoye, em Iturup, a maior das ilhas Curilas em disputa, quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Gavriil Grigorov/Sputnik

Na ilha de Sacalina, Putin presidiu a uma reunião sobre a "garantia da segurança das fronteiras orientais da Rússia", segundo a agência estatal RIA Novosti.

O Japão, cujas relações com a Rússia se deterioraram desde a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, num momento em que Moscovo estreitou laços com a China e a Coreia do Norte, contestou veementemente.

"Os Territórios do Norte são uma parte intrínseca do território japonês, tanto do ponto de vista histórico como ao abrigo do direito internacional, e o Governo do Japão protesta veementemente contra esta visita", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, num comunicado.

O arquipélago vulcânico, estrategicamente localizado a norte da ilha de Hokkaido, foi tomado pela União Soviética nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial e, desde então, existe uma presença militar russa na região.

Vladimir Putin ouve o governador da Região de Sacalina, Valery Limarenko, em Kurilsk, na ilha de Iturup, a maior das ilhas Curilas em disputa, quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Vladimir Putin ouve o governador da Região de Sacalina, Valery Limarenko, em Kurilsk, na ilha de Iturup, a maior das ilhas Curilas em disputa, quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Gavriil Grigorov/Sputnik

Em 2010, o então presidente Dmitry Medvedev tornou-se o primeiro dirigente russo a visitar o território em disputa. Medvedev regressou ainda várias vezes às ilhas, já como primeiro-ministro, durante a presidência de Putin.

Os quatro ilhéus em disputa fazem parte do arquipélago vulcânico das Curilas, que se estende em amplo arco desde a península russa de Kamchatka até à ilha mais setentrional do Japão, Hokkaido. A União Soviética só declarou guerra ao Japão a 8 de agosto de 1945, após o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima e seis dias antes do fim do conflito.

Os nomes das ilhas são semelhantes nos dois países: Kunashir, Habomai, Shikotan e Iturup em russo e Kunashiri, Habomai, Shikotan e Etorofu em japonês.

Presidente russo Vladimir Putin visita o hospital distrital central da aldeia de Kitovoye, em Iturup, a maior das ilhas Curilas em disputa, quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Presidente russo Vladimir Putin visita o hospital distrital central da aldeia de Kitovoye, em Iturup, a maior das ilhas Curilas em disputa, quinta-feira, 13 de agosto de 2026 Gavriil Grigorov/Sputnik

Atualmente, vivem nas ilhas cerca de 20 000 cidadãos russos, que enfrentam condições climáticas difíceis, mas o território dispõe de jazidas minerais, incluindo ouro e prata, bem como de abundantes zonas de pesca. Após a ocupação em 1945, Moscovo deportou a população japonesa, que contava com cerca de 17 000 pessoas.

A partir daí, as ilhas adquiriram importância estratégica, tendo servido de base aérea e naval durante a Guerra Fria, altura em que a União Soviética se confrontava com os Estados Unidos e o seu aliado mais próximo no Pacífico, o Japão.

Por diversas vezes, as intermitentes negociações entre Tóquio e Moscovo pareceram estar a avançar. Em 1956, quando foram estabelecidas relações diplomáticas, o líder soviético Nikita Khrushchev sugeriu que duas das ilhas em disputa poderiam ser devolvidas no âmbito de um tratado de paz.

Embora as conversações tenham sido retomadas após a dissolução da União Soviética em 1991, não houve progressos e as ilhas permanecem sob controlo russo.

Outras fontes • AFP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Rússia liberta ex-fuzileiro norte-americano Robert Gilman após mais de quatro anos preso

Rússia: Supremo Tribunal exclui das eleições parlamentares o único partido antiguerra

Japão: aniversário da bomba atómica em Nagasaki inquieta defensores do pacifismo