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França lança plano de 240 M€: carregadores e apoios a bombas de calor para cortar uso de fósseis

Monte Branco visível ao fundo, junto à refinaria de petróleo de Feyzin, perto de Lyon, centro de França, 7 de novembro de 2022
Monte Branco visível ao fundo, junto à refinaria de petróleo de Feyzin, perto de Lyon, centro de França, 7 de novembro de 2022 Direitos de autor  Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.
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De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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O primeiro-ministro francês Sébastian Lecornu afirma que a eletrificação é agora uma questão de «interesse nacional» e não apenas de alterações climáticas.

França quer acelerar a eletrificação numa altura em que a guerra contra o Irão continua a evidenciar os riscos da dependência dos combustíveis fósseis.

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Os preços do petróleo e do gás na Europa podem manter-se elevados durante algum tempo, apesar das quedas registadas no mercado após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas.

Semanas de ataques a infraestruturas no Golfo deverão ter um impacto de vários anos no aprovisionamento de gás, enquanto o estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – está praticamente encerrado desde o início da guerra.

A escalada dos preços tem levado europeus de todo o continente a apostarem em energia limpa produzida internamente, com o recurso a veículos elétricos (VE), bombas de calor e painéis solares nos telhados a crescer em vários países. O Reino Unido tornou-se também o mais recente país europeu a dar luz verde a sistemas solares plug-in para ajudar as famílias a reduzirem as faturas de energia.

França afasta-se finalmente dos combustíveis fósseis?

A 1 de abril, o governo francês anunciou medidas para acelerar a eletrificação da economia e reduzir gradualmente a dependência das importações de combustíveis fósseis.

«A questão já não é apenas climática, passa a ser também de interesse nacional», afirmou na altura o primeiro-ministro Sébastian Lecornu.

O governo tem já como objetivo reduzir a dependência de França dos combustíveis fósseis de 60 % para 40 % até 2030. A meta deverá ser alcançada sobretudo através da eletrificação dos transportes e dos edifícios, bem como da «maior utilização» de veículos elétricos e bombas de calor.

«O plano de eletrificação do governo francês pode criar um precedente positivo para a Europa ao abordar de forma estrutural a atual crise energética», afirma Neil Makaroff, diretor do grupo de reflexão pan-europeu Strategic Perspectives.

«A França está numa posição única para liderar a eletrificação do continente, com abundante eletricidade de baixo carbono, um parque nuclear estabelecido e um vasto potencial em energias renováveis, em especial na eólica offshore e na solar.»

No início deste ano, França anunciou que pretende que a eletricidade represente 60 % do consumo até 2030, com seis novos reatores nucleares e um conjunto de energias renováveis a liderarem este esforço.

Mais postos de carregamento para veículos elétricos e apoios às bombas de calor

Esta semana (8 de abril), a empresa pública de energia Électricité de France (EDF Group) anunciou um investimento de 240 milhões de euros para apoiar a eletrificação de França.

Estão reservados 30 milhões de euros em subsídios à aquisição para os operadores de transporte que convertam camiões a gasóleo em veículos pesados de mercadorias elétricos, com uma ajuda média de 15 000 euros por camião.

Mais 50 milhões de euros serão destinados à instalação, nos próximos três anos, de 180 estações de carregamento para camiões elétricos de longo curso em França continental.

Outros 80 milhões de euros apoiarão projetos de instalação em França de novas indústrias intensivas em consumo de eletricidade. A EDF afirma que oferecerá também «locais chave na mão com ligação à rede» para encurtar os prazos de arranque industrial. Isto significa que, em vez de esperarem anos por autorizações de ligação à rede, as empresas poderão começar a operar muito mais depressa.

O fundo de apoio prevê ainda uma subvenção fixa de 1 000 euros (acumulável com os regimes existentes) para 80 000 agregados de baixos rendimentos que instalem uma bomba de calor em substituição de caldeiras a gás ou a gasóleo.

«Hoje, mais do que nunca, queremos acelerar a eletrificação dos consumos para ajudar o país a reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, em particular do gás e do petróleo», afirma Bernard Fontana, presidente executivo do EDF Group.

Fontana acrescenta que o compromisso de 240 milhões de euros prova que a EDF está a tomar «medidas concretas» para reforçar a soberania energética e industrial de França.

Mais informações sobre o fundo da EDF podem ser consultadas aqui.

Plano de eletrificação de França é suficiente?

Em 2024, quase metade (47,5 %) da eletricidade da UE teve origem em fontes renováveis, o que representa um aumento de 2,1 % face ao ano anterior.

Segundo dados do Eurostat, a Áustria liderou ao produzir 90,1 % da eletricidade consumida a partir de fontes renováveis. Seguiram-se a Suécia (88,1 %) e a Dinamarca (79,7 %).

França registou em 2024 apenas 31,3 % de renováveis, ficando abaixo da vizinha Espanha (59,7 %). O país continua a apostar fortemente na energia nuclear, de onde retira cerca de 67 % do seu mix energético.

O primeiro-ministro tem rejeitado repetidamente que o debate seja apresentado como nuclear contra renováveis, argumentando que essa abordagem é «um beco sem saída», apesar das preocupações com a gestão de resíduos, os custos de instalação e os riscos catastróficos de sabotagem.

«A verdadeira batalha é abandonar o carbono e reduzir a nossa dependência das importações», afirmou no início do ano.

Embora a energia nuclear não liberte gases com efeito de estufa e seja, por isso, classificada como fonte de baixo carbono, não é considerada renovável. A razão é que a eletricidade nuclear é produzida a partir de urânio, um recurso finito existente na crosta terrestre.

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