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Alemanha lidera na energia solar plug-in, resto da Europa atrasa-se

Painéis solares plug-in numa varanda na Alemanha
Painéis solares plug-in numa varanda na Alemanha Direitos de autor  Yuma Solar via Unsplash.
Direitos de autor Yuma Solar via Unsplash.
De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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A guerra contra o Irão está a despertar um interesse crescente em painéis solares ligáveis à tomada, que há muito fazem furor na Alemanha.

O choque energético provocado pela guerra contra o Irão tem sido parcialmente amortecido pelas renováveis, numa altura em que a Europa procura reduzir rapidamente a dependência de combustíveis fósseis.

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Uma análise recente da SolarPower Europe concluiu que aproveitar a luz solar para produzir energia permitiu ao continente poupar mais de 100 milhões de euros por dia desde 1 de março, ao reduzir a necessidade de importar gás. Isto significa que, só no mês passado, a Europa poupou 3 mil milhões de euros.

Especialistas afirmam que, se os preços do gás se mantiverem elevados devido ao controlo do Irão sobre o estreito de Ormuz – um ponto de estrangulamento crucial para os combustíveis fósseis, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial –, a capacidade solar poderá fazer a Europa poupar uns impressionantes 67,5 mil milhões de euros em 2026.

Perante preços em máximos históricos, europeus apressam-se a investir em energia limpa, como bombas de calor, veículos elétricos e sistemas solares. Mas, para quem não consegue desembolsar milhares de euros por painéis solares de telhado, a atenção voltou-se para alternativas ligadas à tomada.

O que é a energia solar plug-in?

Habitualmente instalada em varandas, terraços ou telhados de anexos, a energia solar plug-in utiliza pequenos painéis que podem ser fixados a uma parede exterior. Em muitos países europeus, estes equipamentos podem ser comprados no supermercado ou online.

A eletricidade gerada pela energia solar plug-in pode ser usada diretamente através de uma tomada, como qualquer outro aparelho (por exemplo, um carregador de telemóvel), sem custos de instalação.

É muitas vezes vista como uma alternativa interessante para quem vive em casas arrendadas ou em alojamentos partilhados, onde não é permitido instalar painéis solares no telhado do edifício.

Especialistas indicam que, em média, são precisos entre dois e seis anos para recuperar o investimento no sistema, dependendo do preço pago, da dimensão e da localização. Mas, uma vez em funcionamento, a energia solar plug-in reduz a eletricidade retirada da rede, baixando a fatura de energia.

Alemanha lidera corrida à energia solar plug-in

A Alemanha surfava já a vaga da energia solar plug-in muito antes do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, com mais de um milhão de sistemas instalados entre 2022 e 2025.

Grande parte deste crescimento é explicada por incentivos públicos que recompensam os compradores com tarifas de injecção na rede – por exemplo, garantindo às famílias um preço fixo por cada unidade de eletricidade enviada para a rede.

“Os clientes já tinham desencadeado este boom e exigido com sucesso aos responsáveis políticos uma burocracia mais simples”, afirmou em 2024 um porta-voz da Meyer Burger, empresa de fabrico alemã.

“Medidas como a eliminação do IVA contribuíram para a popularidade dos painéis solares de varanda.”

A queda rápida dos preços da energia solar e do armazenamento em baterias está também a tornar os custos iniciais ainda mais baixos. Na Alemanha, os painéis solares para varandas viram o preço reduzir-se para metade nos últimos anos, com os modelos mais pequenos a rondarem agora os 200 euros.

Modelos maiores, que incluem armazenamento, custam menos de 1 000 euros, mas conseguem gerar muito mais energia limpa.

Desde 2024 que inquilinos e proprietários de apartamentos podem instalar eles próprios painéis solares nas varandas, o que elimina custos adicionais de instalação.

Especialistas estimam que os dispositivos de energia solar plug-in possam cobrir até 2 por cento da procura de eletricidade até 2045, ano em que a Alemanha pretende atingir a neutralidade climática.

Europa tenta recuperar atraso na energia solar plug-in

A adoção da energia solar plug-in tem sido travada por vários fatores, entre os quais preocupações com a segurança.

Muitas casas na Europa têm instalações elétricas antigas, alteradas ou mal mantidas – o que implica uma verificação prévia por um profissional, antes de os moradores avançarem para a compra deste tipo de sistemas.

A SolarPower Europe admite que “é difícil obter números exatos” sobre a energia solar plug-in, mas sublinha que o crescimento está a acontecer em toda a Europa.

A energia solar plug-in é agora legal em todos os 27 Estados-membros da UE, com exceção da Suécia e da Hungria. A Bélgica legalizou, em abril de 2025, a instalação por conta própria de painéis, e Espanha tem também aproveitado o sol constante, ideal para a produção solar.

A Tornasol Energy, empresa espanhola de energia solar plug-in, afirma ter equipado mais de 1 300 casas com kits solares em 2025 – permitindo aos clientes poupar mais de 620 mil euros nas contas de energia e evitando a emissão para a atmosfera de mais de 14 toneladas de CO2.

Desde que foi criada, há cinco anos, a Tornasol Energy já instalou kits de energia solar plug-in em mais de 5 000 habitações.

O Reino Unido é o mais recente país europeu a levantar as restrições à energia solar plug-in, tendo anunciado recentemente que vai “avançar” com a distribuição de painéis de baixo custo, que em breve estarão à venda em retalhistas como o Lidl e o Iceland.

“A guerra contra o Irão mostrou mais uma vez que a nossa aposta na energia limpa é essencial para a segurança energética, para podermos libertar-nos da dependência de mercados de combustíveis fósseis que não controlamos”, afirma o ministro da Energia britânico, Ed Miliband.

“Quer seja através de painéis solares instalados de série nas novas habitações, quer tornando possível às pessoas comprar energia solar plug-in nas lojas, estamos determinados em expandir a energia limpa para garantirmos soberania energética ao nosso país.”

Uma análise da Carbon Brief (fonte em inglês) concluiu que os painéis solares plug-in podem permitir a uma família-tipo no Reino Unido poupar 1 100 libras (cerca de 1 261 euros) ao longo de 15 anos de vida útil.

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