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Leão XIV deixa mensagem contra a polarização e apela à reconciliação nacional em Espanha

Papa Leão XIV, acompanhado pelos reis de Espanha, após sair do avião. Madrid, 06.06.2026
Papa Leão XIV acompanhado pelos reis de Espanha após descer do avião. Madrid, 06.06.2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Jesús Maturana
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O papa Leão XIV chegou a Espanha este sábado, 6 de junho, quinze anos após a última visita papal, protagonizada por Bento XVI. Mais de 130.000 pessoas receberam-no em Madrid, onde alertou contra "ideologias prefabricadas" e apelou à reconciliação.

A chegada ao aeroporto Adolfo Suárez em Madrid-Barajas, pouco depois das dez e meia da manhã, marcou o início oficial de uma viagem que se prolonga até 12 de junho e que inclui Madrid, Barcelona, Gran Canária e Tenerife.

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É a primeira visita apostólica de Leão XIV a Espanha desde a sua eleição como pontífice, em 8 de maio de 2025, e a primeira de qualquer papa ao país em quinze anos, desde a presença de Bento XVI nas Jornadas Mundiais da Juventude de 2011.

Os reis Felipe VI e Letizia receberam o pontífice junto à pista. Daí, o percurso até ao Palácio Real concentrou dezenas de milhares de pessoas nas ruas do centro da capital espanhola.

Segundo dados do Governo, cerca de 130 mil pessoas sconcentraram-se entre o Palácio Real e a Nunciatura para ver passar o papamóvel, que percorreu a Plaza de España, a Rua da Princesa e a Plaza de Colón a baixa velocidade para permitir ao papa saudar os fiéis.

A receção oficial não ficou isenta de ausências significativas. O antigo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero recusou marcar presença, tal como o líder basco Imanol Pradales e deputados da maioria dos partidos com representação parlamentar.

Já os ex-primeiros-ministros Felipe González, José María Aznar e Mariano Rajoy estiveram presentes, assim como os líderes do PP, Alberto Núñez Feijóo, e do Vox, Santiago Abascal. Este último, por seu lado, aproveitou a visita para criticar o primeiro-ministro Pedro Sánchez, a quem acusou de tentar "branquear-se" à sombra do pontífice.

Discurso: paz, complexidade e recado à polarização

Na primeira intervenção oficial em Espanha, Leão XIV evitou os grandes títulos fáceis e optou por um tom reflexivo que não fugiu aos temas incómodos. Elogiou a trajetória histórica do país como espaço de encontro entre culturas e religiões, citando a escola de tradutores de Afonso X e cidades como Córdova e Toledo como exemplos de convivência.

Sem nomear ninguém em concreto, deixou um aviso direto: "Convido todos, por amor à verdade, a abandonar as narrativas divisivas e polarizadoras da vossa realidade social e história, para passar das simplificações estéreis à apreciação fecunda da complexidade".

Agradeceu também a Espanha a sua posição nos conflitos internacionais. O programa da viagem inclui 21 atos em seis dias e quatro destinos, mas este primeiro discurso no Palácio Real já marcou o tom do que se espera: um papa disposto a falar de política internacional sem rodeios.

Elogiou o compromisso de Espanha com o direito internacional e o multilateralismo, numa referência que muitos interpretaram como um apoio implícito à posição espanhola em relação a Gaza, à Ucrânia e ao acolhimento de migrantes.

Felipe VI, por seu lado, foi mais explícito do que é habitual no que toca aos abusos dentro da Igreja, sublinhando a necessidade de reparação e de apoio às vítimas, na primeira vez que o rei abordou o tema de forma tão direta perante um pontífice.

Abusos, agenda social e o que ainda está pela frente

O Vaticano confirmou que Leão XIV se irá reunir com vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja durante a sua estadia em Espanha, embora sem especificar datas nem locais, após as críticas suscitadas pela ausência inicial destes encontros na agenda oficial.

Várias associações exigem que não se trate de um gesto simbólico, mas de um compromisso real: "Não queremos uma fotografia com o Papa: queremos direitos e reparação para todas as vítimas", resumiram em comunicado conjunto.

Esta tarde, o pontífice visitará o centro Cedia da Cáritas Madrid, onde passará algum tempo com pessoas sem-abrigo, antes de protagonizar a primeira grande concentração multitudinária na Plaza de Lima, com mais de 240 mil jovens inscritos. Na segunda-feira, dia 8, falará perante as Cortes Gerais, um facto sem precedentes na história parlamentar espanhola.

Depois seguirá para Barcelona, onde celebra missa na Sagrada Família e inaugura a Torre de Jesus Cristo, que fará do templo de Gaudí a estrutura religiosa mais alta do mundo. O encerramento da viagem será nas Canárias, onde Leão XIV visitará centros de acolhimento de migrantes em Gran Canária e Tenerife, gesto interpretado como continuação da linha do seu predecessor Francisco.

Segundo estimativas da Conferência Episcopal Espanhola, a viagem representa um investimento de cerca de 25 milhões de euros, embora o retorno económico possa superar os 150 milhões. Plataformas de reservas como a Booking.com já registaram subidas de 52 % nas pesquisas de alojamento em Barcelona e de 46 % em Madrid.

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