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Energia solar poupa 3 mil milhões de euros à Europa em março: que país lidera?

O técnico da CP Solar, Mark Munyua, inspeciona painéis solares no telhado de uma empresa em Nairobi, no Quénia, em 1 de setembro de 2023.
Mark Munyua, técnico da CP Solar, inspeciona painéis solares no telhado de uma empresa em Nairobi, Quénia, 1 de setembro de 2023. Direitos de autor  Copyright 2023 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2023 The Associated Press. All rights reserved
De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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Uma nova análise conclui que a capacidade solar da Europa pode permitir ao continente poupar 67,5 mil milhões de euros até ao final do ano, caso o preço do gás se mantenha elevado.

A energia solar está a ajudar a livrar a Europa dos custos pesados das importações de combustíveis fósseis, numa altura em que a guerra contra o Irão faz disparar os preços do petróleo e do gás.

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O Brent, referência mundial para os preços do petróleo, já subiu mais de 50 % desde o início do conflito no Médio Oriente, tendo atingido 107 euros por barril na manhã de ontem (31 de março).

O preço de referência do gás natural holandês TTF também disparou cerca de 70 %. Março de 2026 caminha assim para registar a maior subida mensal dos preços do gás na Europa desde setembro de 2021.

Grande parte desta escalada é atribuída ao encerramento de facto do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo.

Mas uma nova análise da SolarPower Europe revela que aproveitar a energia do sol tem permitido à Europa poupar mais de 100 milhões de euros por dia desde 1 de março, o que já se traduz em poupanças superiores a 3 mil milhões de euros. Se os preços do gás se mantiverem elevados, os especialistas estimam que as poupanças totais em 2026 poderão chegar aos 67,5 mil milhões de euros.

Europa instada a maximizar o seu potencial solar

O relatório defende que a capacidade solar já está a funcionar como um “importante amortecedor” face ao choque energético provocado pela guerra.

Só nos primeiros 20 dias de março, a análise – baseada em dados de preços do gás da Rystad Energy – concluiu que a produção de eletricidade solar poupou à UE 2 mil milhões de euros que, de outra forma, teriam sido gastos em importações de combustíveis fósseis.

Segundo os analistas, a energia solar fez baixar em quase um terço o custo total de satisfazer as necessidades energéticas da UE. Apesar disso, pela primeira vez em dez anos, o mercado solar europeu começa a encolher.

Gráfico que mostra as poupanças anuais e acumuladas da produção de eletricidade solar na UE.
Gráfico que mostra as poupanças anuais e acumuladas da produção de eletricidade solar na UE. SolarPower Europe.

“É altura de tirar lições não de uma, mas de duas crises energéticas”, afirma Walburga Hemetsberge, diretora-executiva da SolarPower Europe (fonte em inglês).

“Mas o crescimento da energia solar na Europa estagnou numa altura em que os benefícios são maiores do que nunca. A tarefa urgente dos decisores políticos é agora maximizar tudo o que a energia solar pode fazer pela Europa.”

Hemetsberge apela aos governos para que criem redes elétricas mais flexíveis, apostem mais no armazenamento de energia e aprofundem a eletrificação em toda a economia.

Apesar de enfrentarem uma “onda de desinformação”, as bombas de calor também permitiram poupar 20 mil milhões de euros em 2025 e deverão gerar poupanças de 5,3 mil milhões de euros entre janeiro e abril deste ano.

Como as renováveis estão a proteger a Europa da subida do preço do gás

Vários países europeus já tinham demonstrado os benefícios de transformar os seus sistemas energéticos, apostando em tecnologia verde antes da guerra contra o Irão.

Desde 2019, a Espanha duplicou a capacidade eólica e solar, acrescentando mais de 40 GW ao seu mix energético. Para se ter uma ideia, uma central com capacidade de 1 GW pode abastecer cerca de 876 mil agregados familiares durante um ano, assumindo um consumo médio anual de 10 000 kWh de eletricidade por casa.

“O crescimento da energia eólica e solar em Espanha reduziu em 75 % a influência das centrais fósseis caras no preço da eletricidade desde 2019”, afirmou o think tank energético Ember num relatório publicado no ano passado.

“Esta redução das horas em que o preço da eletricidade estava indexado ao custo da produção a gás foi mais rápida do que noutros países dependentes do gás, como Itália e Alemanha.”

Nos mercados elétricos europeus, é o produtor mais caro em funcionamento para satisfazer a procura – normalmente uma central a combustíveis fósseis – que define o preço grossista horário da eletricidade. Mas, à medida que aumenta a produção a partir de tecnologias de baixo custo, como a eólica e a solar, o gás e o carvão são afastados e os combustíveis fósseis passam a determinar o preço com menos frequência.

Ventos recorde ajudaram também o Reino Unido a bater um novo máximo de produção renovável, apesar das alegações de “fantasia” de que o país precisa de perfurar o mar do Norte em busca de petróleo.

Em 26 de março, a produção de energia eólica britânica atingiu um novo máximo de 23 880 megawatts, energia suficiente para alimentar 23 milhões de casas.

“Durante este período recorde, o vento forneceu mais de metade da eletricidade britânica, e é muito significativo que, mais cedo no mesmo dia, a eólica e a solar de baixo custo tenham expulsado o gás caro do nosso sistema energético – a produção a gás caiu para o nível mais baixo em quase dois anos, representando apenas 2,3 % da nossa eletricidade”, afirma Tara Singh, da RenewableUK.

“É isto que a transição energética significa na prática e mostra porque precisamos de continuar a desenvolver uma carteira ambiciosa de novos projetos de energia limpa, agora e nos próximos anos.”

Que país da UE lidera a corrida às renováveis?

Em 2025, a eólica e a solar geraram, pela primeira vez, mais eletricidade na UE do que os combustíveis fósseis, um “marco importante” na transição para energia limpa, segundo os especialistas.

Um relatório da Ember concluiu que a energia eólica e solar representaram um recorde de 30 % da eletricidade da UE, ultrapassando os combustíveis fósseis por apenas um ponto percentual.

Em 2024, a Áustria liderou como o país com a maior taxa de utilização de eletricidade verde (90 %), impulsionada sobretudo pelas suas 16 centrais hidroelétricas.

A Suécia surgiu logo a seguir, com 88 %, alimentada sobretudo por vento e água, enquanto a Dinamarca ficou em terceiro lugar, com 80 % da energia a vir de fontes renováveis.

Seguiram-se a Geórgia (68,4 %), Portugal (65,8 %), Espanha (69,7 %) e Croácia (58 %). Malta ficou em último lugar, com apenas 10,7 % de utilização de energia renovável.

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