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Guerra no Irão impulsiona corrida europeia a energia solar, bombas de calor e elétricos

Homem a instalar painéis solares num telhado
Homem instala painéis solares num telhado Direitos de autor  Bill Mead via Unsplash.
Direitos de autor Bill Mead via Unsplash.
De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
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A guerra contra o Irão tornou-se um motor para as tecnologias verdes, levando os europeus a procurar alternativas menos voláteis ao petróleo e ao gás.

A aposta na energia verde surge mais forte do que nunca, à medida que a guerra contra o Irão continua a expor os riscos generalizados da dependência dos combustíveis fósseis.

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O Brent, referência mundial para os preços do petróleo, já disparou mais de 50% desde o início do conflito no Médio Oriente, tendo atingido 116 dólares (cerca de 100,92 euros) por barril nas primeiras negociações desta semana.

Grande parte desta volatilidade é atribuída ao encerramento praticamente total do estreito de Ormuz, um dos maiores pontos de estrangulamento de combustíveis fósseis do mundo, por onde passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo. Isto significa que perto de 20 milhões de barris estão a ser bloqueados todos os dias.

A Europa já está a sentir as consequências, com o preço de referência do gás natural holandês TTF a disparar cerca de 70% - colocando março de 2026 a caminho de registar a maior subida mensal dos preços do gás na Europa desde setembro de 2021.

Com a escalada dos preços da energia a ameaçar penalizar ainda mais os europeus em dificuldades, vários países estão a registar uma mudança visível para tecnologias verdes.

Cansadas de serem reféns dos combustíveis fósseis

No Reino Unido, que historicamente apresenta uma das taxas de adoção mais baixas da Europa, as vendas de bombas de calor nas três primeiras semanas de março aumentaram 51% face ao mesmo período do mês anterior - segundo a empresa de energia Octopus Energy.

As vendas de painéis solares também subiram 54%, com muitos proprietários a instalarem sistemas maiores, com 12 painéis em vez dos habituais 10, enquanto as vendas de carregadores para veículos elétricos (VE) avançaram 20%.

"Estamos a assistir a uma mudança profunda: as pessoas deixam de apenas perguntar e começam a agir. As famílias britânicas estão cansadas de ser reféns dos preços globais dos combustíveis fósseis", afirma Rebecca Dibb-Simkin, da Octopus Energy.

"Ao optarem pela energia solar e por bombas de calor, estão a tornar-se as suas próprias centrais elétricas, fixando custos baixos e protegendo as suas carteiras a longo prazo".

Acelera a transição para veículos elétricos

Dados da Comissão Europeia mostram que o preço médio da gasolina aumentou 12% em toda a UE, para 1,84 euros por litro, entre 23 de fevereiro e 16 de março.

Este aumento despertou um forte interesse nos veículos elétricos (VE), com a plataforma francesa de venda online de carros usados Aramisauto a ver as vendas de VE quase duplicarem entre meados de fevereiro e 9 de março.

De acordo com a Reuters (fonte em inglês), a Olx, sediada em Amesterdão, refere que os pedidos de informação sobre VE dispararam nas suas plataformas em França, Roménia, Portugal e Polónia, com um crescimento «a acelerar de forma consistente de semana para semana em todos os mercados».

Na Noruega, o Finn.no, o maior mercado de carros usados do país, já vê os veículos elétricos ultrapassarem os modelos a gasóleo como tipo de combustível mais vendido no site.

Transição impulsionada pela energia solar

A empresa alemã de energias renováveis Enpal BV disse à Bloomberg (fonte em inglês) que os pedidos de informação sobre painéis solares e bombas de calor aumentaram cerca de 30% desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, enquanto a empresa solar 1KOMMA5° GmbH reportou quase uma duplicação do interesse na energia solar.

No Reino Unido, a fornecedora de energia E.ON (fonte em inglês) apurou que o interesse na energia solar subiu 23% entre 23 de fevereiro e 1 de março e disparou mais 63% entre 2 e 8 de março.

«É mais importante do que nunca ajudar as pessoas a controlar o uso de energia e a reduzir as faturas», afirma Chris Norbury, diretor executivo da E.ON (fonte em inglês) no Reino Unido.

"Os consumidores estão a demonstrar um forte interesse na energia solar e no armazenamento em baterias como solução, e este produto aumenta as poupanças que podem ser alcançadas ao gerar e armazenar energia em casa".

Perfurações no Mar do Norte vão baixar as faturas de energia?

Em plena vaga de tecnologias verdes, multiplicam-se os apelos para reforçar a aposta nos combustíveis fósseis.

No início deste mês, o tabloide britânico Daily Express publicou uma manchete de primeira página intitulada "Get Drilling To Stop Soaring Bills", instando o Reino Unido a abrir novas licenças de exploração no Mar do Norte.

Contudo, uma análise da Universidade de Oxford concluiu que um Reino Unido totalmente abastecido por energias renováveis poderia permitir às famílias poupar até 441 libras (510 euros) por ano nas faturas de energia.

Em comparação, maximizar a extração de petróleo e gás no Mar do Norte permitiria às famílias poupar apenas entre 16 libras (19 euros) e 82 libras (95 euros) por ano, e isso dependeria de as receitas fiscais serem distribuídas pelos agregados familiares para compensar as suas faturas de energia.

O investigador Anupam Sen, coautor da análise, afirmou que a ideia de «esgotar» o Mar do Norte para tornar o Reino Unido mais seguro do ponto de vista energético e reduzir de forma significativa as faturas das famílias é «pura fantasia».

Vários especialistas sublinham também que os preços do petróleo e do gás são definidos nos mercados globais e não incluem descontos específicos para os consumidores britânicos, e que o gás extraído em águas do Reino Unido pode ser exportado para quem oferecer mais, pelo que o aumento da produção interna não deverá reduzir os custos de forma significativa.

Em contraste, a revolução das energias renováveis em Espanha tem ajudado a manter as faturas de energia em níveis baixos, mesmo com a escalada dos preços do gás.

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