Os drones Shahed, de fabrico iraniano, são um dos principais UAV de ataque de longo alcance usados pela Rússia contra a Ucrânia. Introduzidos em 2022, passaram depois a ser produzidos no próprio país, com a designação Geran.
Os drones Shahed tornaram-se a arma preferida da Rússia desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia por parte de Moscovo, em fevereiro de 2022.
Lançados em grande número, são utilizados para atacar alvos militares e residenciais, infraestruturas energéticas e civis, bem como para saturar as defesas antiaéreas ucranianas em ataques massivos.
Devido ao som característico, um zumbido alto semelhante ao de um corta-relvas, são frequentemente apelidados de "mopeds" na Ucrânia.
Shahed-136 ou Geran-2?
O drone de ataque de longo alcance e uso único Geran-2 — frequentemente descrito como drone kamikaze — é, na prática, uma versão fabricada na Rússia do Shahed-136, concebido no Irão.
Moscovo montou linhas de montagem internas para os drones Geran-2 em 2023, um ano depois do início da guerra em larga escala contra a Ucrânia.
Os drones “Geran”, ou “gerânio”, são produzidos numa fábrica no Tatarstão, na Rússia. Desde que a produção interna foi lançada, Moscovo intensificou os ataques contra a Ucrânia, chegando a lançar centenas de drones numa única noite — mais do que os utilizados em alguns meses inteiros nas fases iniciais da guerra.
Características do Geran-2
Os drones Geran voam a cerca de 180 km/h, mas a sua autonomia pode chegar aos 2000 quilómetros. Podem transportar uma carga relativamente elevada de 50 quilos de explosivos.
Embora os mísseis balísticos e de cruzeiro russos sejam muito mais rápidos e tenham um poder destrutivo superior, custam milhões de euros e existem apenas em quantidades limitadas.
Um drone Shahed/Geran custa entre 25 mil e 40 mil euros, ou seja, uma fração ínfima do preço de um míssil balístico.
Componentes do drone Geran
Apesar das sanções da UE que proíbem as exportações diretas, centenas de componentes produzidos por empresas europeias continuam a ser utilizados em drones russos.
Ao analisar os restos carbonizados de drones Geran-2 abatidos, os serviços de informações militares ucranianos identificaram os componentes que constituem este modelo.
Segundo uma investigação conjunta divulgada em fevereiro pelo consórcio jornalístico Organised Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), o número total de componentes é de centenas, mas apenas algumas dezenas são de origem russa.
Muitos são fabricados por empresas dos Estados Unidos e da China, mas mais de uma centena provém de cerca de 20 empresas europeias. Entre os itens identificados contam-se microchips, recetores, transístores, diodos, antenas e uma bomba de combustível.
A UE proíbe a exportação direta de muitos destes componentes para a Rússia. No entanto, os dados comerciais analisados para o estudo revelam que foram efetuados 672 envios de componentes sancionados, produzidos por estas empresas europeias, que foram encaminhados para o país entre Janeiro de 2024 e Março de 2025.
Os envios tiveram origem em 178 empresas, sobretudo na China e em Hong Kong.
Geran-5
Desde que iniciou a produção interna, a Rússia tem vindo a aperfeiçoar os drones Geran, aumentando a altitude a que podem voar, tornando-os mais resistentes a interferências e equipando-os com ogivas mais potentes.
Todas as variantes surgidas desde então são mais letais do que as versões anteriores.
Em maio, a Rússia apresentou o drone de ataque Geran-5, propulsado a jato. Com cerca de 6 metros de comprimento e uma envergadura de até 5,5 metros, as suas dimensões são semelhantes às de um pequeno míssil alado.
O Geran-5 é propulsionado por um motor a jato Telefly, fabricado na China.
A carga útil do drone consiste numa ogiva de 90 quilos e o alcance declarado é de cerca de 1000 km, com uma velocidade de cruzeiro entre 450 e 600 km/h.
De acordo com os serviços de informações militares ucranianos, o Geran-5 pode ser lançado a partir de plataformas aéreas, como os aviões de ataque Su-25.
Além da ogiva principal, o drone pode transportar mísseis ar-ar R-73 com cabeças de guiamento por infravermelhos.
Segundo relatos, o Geran-5 também depende de microeletrónica ocidental. Os microchips identificados têm origem em países como a Alemanha e os Estados Unidos.
Taxas de interceção dos Geran
Em 2025, Moscovo atacou cidades ucranianas em 357 das 365 noites do ano, o que significa que a Ucrânia teve apenas oito noites sem ataques.
Perante estes ataques em massa, cada vez mais extensos e potencialmente mais mortíferos, à medida que a Rússia moderniza os drones do tipo Shahed, a Ucrânia tem vindo a reforçar o seu sistema de defesa antiaérea, em particular as capacidades de interceção dos Geran.
Num dos maiores ataques russos, a 23 de maio, no qual Moscovo lançou 600 drones, 36 mísseis balísticos, mísseis hipersónicos Kinzhal e Zircon, bem como mísseis balísticos de alcance intermédio Oreshnik, as forças ucranianas conseguiram interceptar a esmagadora maioria dos projéteis.
A taxa de interceção dos drones Shahed ultrapassou os 91%.