Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

País europeu promete dar eletricidade grátis a famílias em vez de parar eólicas

Turbinas eólicas alinham-se num parque eólico em Soenke-Nissen-Koog, no mar do Norte, em Bordelum, ao nascer do sol de terça-feira, 9 de março de 2021.
Aerogeradores erguem-se num parque eólico em Soenke-Nissen-Koog, no mar do Norte, em Bordelum, ao nascer do sol de terça-feira, 9 de março de 2021. Direitos de autor  (c) Copyright 2021, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten
Direitos de autor (c) Copyright 2021, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten
De Liam Gilliver
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

A rede energética europeia, envelhecida e sem investimento suficiente, leva a que enormes quantidades de energia renovável sejam desperdiçadas todos os anos

O argumento a favor das energias renováveis é hoje mais forte do que nunca, numa altura em que a guerra contra o Irão continua a expor os riscos da dependência dos combustíveis fósseis.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O petróleo Brent, referência mundial para o preço do crude, recuou ontem de manhã (26 de março) com o aumento das esperanças de desescalada, mas o preço do barril já ultrapassou os 100 dólares (cerca de 86,38 euros) várias vezes desde o início do conflito. Antes da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, o barril custava menos de 63 euros.

Grande parte desta subida é atribuída à quase paralisação do estreito de Ormuz, um dos principais pontos de estrangulamento do comércio mundial de combustíveis fósseis, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta.

Analistas alertam que o preço do petróleo não voltará imediatamente ao normal quando a guerra terminar, sobretudo se mais infraestruturas energéticas forem atacadas.

Daí a subida acentuada dos preços dos combustíveis e da energia em toda a Europa, que está a alimentar pedidos para abrir novas licenças de exploração no mar do Norte.

Mas uma análise da Universidade de Oxford conclui que maximizar a extração de petróleo e gás naquela região pouparia às famílias britânicas, no máximo, 82 libras (95 euros) por ano. Um Reino Unido abastecido integralmente com energias renováveis poderia, pelo contrário, reduzir as faturas anuais em até 441 libras (510 euros) por agregado.

Quanta energia renovável desperdiça a Europa?

Apesar de as tensões geopolíticas tornarem a energia verde mais atraente, a Europa continua a desperdiçar milhares de milhões em eletricidade gerada por parques eólicos e solares.

No ano passado, o Reino Unido desperdiçou impressionantes 1,47 mil milhões de libras (cerca de 1,78 mil milhões de euros) ao mandar parar turbinas eólicas e pagar a centrais a gás para entrarem em funcionamento.

Só ontem, o desperdício de energia eólica custou ao país mais de 1,31 milhões de libras (cerca de 1,5 milhões de euros). Cerca de 95 091 libras (109 831 euros) correspondem ao desligar de turbinas (restrições de produção), enquanto o restante resulta da compra de energia a outros produtores, muitas vezes assente em combustíveis fósseis.

Na Alemanha, os custos de compensação pela limitação da produção de energia renovável atingiram 435 milhões de euros no ano passado. Embora represente uma descida de 22% face a 2024 (554 milhões de euros), o número ilustra a dimensão do desperdício de energia verde em toda a Europa.

As taxas de limitação da produção atingiram máximos históricos em vários países da UE, incluindo Espanha e França, nos primeiros nove meses de 2025, o que reforçou os apelos para eliminar estrangulamentos e modernizar as infraestruturas energéticas no continente.

Porque desperdiça a Europa tanta energia renovável?

Quando o vento sopra com demasiada força, a rede elétrica fica muitas vezes inundada com mais energia renovável do que aquela de que precisa.

“Isto cria uma espécie de hora de ponta na rede e a eletricidade não consegue chegar aonde é necessária”, explica a empresa britânica Octopus Energy. “Como resultado, pagamos para voltar a produzi-la – muitas vezes com combustíveis fósseis poluentes – e ainda para desligar as turbinas eólicas.”

Reforçar a rede será a forma mais eficaz de reduzir a eletricidade desperdiçada, mas trata‑se de um processo caro e complexo. A rede europeia foi concebida inicialmente em função do carvão e, mais tarde, do gás, o que significa que está pensada para transportar eletricidade a partir de grandes centrais concentradas.

Muitos parques eólicos situam‑se em zonas remotas e no mar alto, o que torna mais difícil escoar a eletricidade que produzem.

Especialistas avisam que a rede elétrica europeia se está a tornar cada vez mais o principal obstáculo ao cumprimento das metas de neutralidade carbónica (“Net Zero”). Um estudo da Aurora Energy Research, publicado em 2025, defende uma rápida expansão da rede para responder às listas de espera para ligação, à congestão e à limitada capacidade de interligação entre países.

Segundo o relatório, os custos de gestão da congestão na Europa aproximaram‑se dos 9 mil milhões de euros em 2024, enquanto 72 TWh de energia, sobretudo renovável, foram reduzidos ou desperdiçados devido a estrangulamentos. Este valor é aproximadamente equivalente ao consumo anual de eletricidade da Áustria.

Apesar de o investimento na rede ter aumentado 47% nos últimos cinco anos, para cerca de 70 mil milhões de euros anuais, os especialistas alertam que continua aquém do necessário.

Energia gratuita é a solução?

Num contexto de apelos para modernizar a envelhecida rede europeia, o Departamento britânico para a Segurança Energética e Net Zero apresentou planos para fornecer eletricidade com desconto às famílias em dias de muito vento.

“Por vezes há vento a mais para a nossa rede envelhecida conseguir gerir, sobretudo na Escócia e no leste de Inglaterra”, escreveu o governo na rede X (antigo Twitter).

“Em vez de pagarmos aos parques eólicos para desligarem, estamos a testar um novo sistema em que as pessoas que vivem perto destas zonas sobrecarregadas recebem eletricidade mais barata – ou mesmo gratuita.”

Greg Jackson, diretor‑executivo da Octopus Energy, que há muito defende reformas para oferecer energia mais barata em vez de cortar na produção eólica, considera que os projetos‑piloto são “muito pouco eficazes”, embora se tenha mostrado “satisfeito” com o anúncio.

“Alterações permanentes permitiriam comprar um carro elétrico, uma bomba de calor ou baterias para usar eletricidade quando está barata – ou até construir um centro de dados”, afirma

“Tudo isto deslocaria a procura de forma muito mais eficaz do que qualquer teste. Aliás, sem medidas deste tipo, os projetos‑piloto podem revelar‑se bastante ineficazes.”

Jackson apela agora ao governo para que torne a proposta permanente, dando aos consumidores confiança para investirem na eletrificação.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

"De repente, a independência energética parece prática": europeus estão a construir mini parques solares em casa

Onde ficam as cidades mais e menos poluídas da Europa?

Estados Unidos podem perder mais na guerra com o Irão por desprezo de Trump às renováveis