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Giorgia Meloni: "União Europeia atual é colosso burocrático que sufoca crescimento"

Giorgia Meloni participa na assembleia da Confindustria
Giorgia Meloni participa na assembleia da Confindustria Direitos de autor  Roberto Monaldo/LaPresse via AP
Direitos de autor Roberto Monaldo/LaPresse via AP
De Andrea Barolini
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A primeira-ministra italiana discursou na assembleia da Confindustria, criticando a União Europeia pelas “demasiadas regras” e pela abordagem “ideológica”, apelando a fazer “menos e melhor”.

"A principal e enorme fragilidade que nos diz diretamente respeito é a atual configuração da União Europeia, um gigante burocrático que demasiadas vezes sacrificou a competitividade e o crescimento em nome de abordagens ideológicas e tecnocráticas", disse a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni na intervenção na assembleia da Confindustria, na manhã de terça-feira, 26 de maio.

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Elogios de Giorgia Meloni à Confindustria: "graças a vós, Itália é pátria do belo"

A chefe do governo e líder do partido Fratelli d'Italia tomou a palavra no Centro de Congressos "La Nuvola", em Roma, perante uma plateia particularmente numerosa: entre os presentes estavam, entre outros, o Presidente da República, Sergio Mattarella, e o presidente do Senado, Ignazio La Russa.

Intervenção de Giorgia Meloni na assembleia da Confindustria, em 26 de maio de 2026

"Digo-o para lá das formalidades: penso que a presença do chefe de Estado hoje recorda a toda a nação, mais uma vez, a importância do papel que a indústria italiana desempenha, não só do ponto de vista económico, mas também histórico, identitário, cultural e de reputação", acrescentou Meloni. Dirigiu-se depois diretamente à associação dos industriais e ao seu presidente, Emanuele Orsini, elogiando "o trabalho, porque se Itália é universalmente reconhecida como pátria do belo, do bom e do bem feito, isso deve-se, como sempre, às nossas empresas e aos trabalhadores".

Críticas à UE: regras a mais, demasiada burocracia, iniciativa económica sufocada

Seguiram-se as críticas às instituições europeias, acusadas por Meloni de terem "exagerado" na regulamentação: "A Europa mostrou-se imparável na capacidade de multiplicar as regras sobre todos os aspetos da vida comum, mas foi míope quando se tratou de fazer ouvir a sua voz na vida global", disse a primeira-ministra italiana.

"Se simplificarmos", acrescentou, "se tornarmos mais rápidos os processos administrativos, podemos relançar o investimento e aumentar as oportunidades de crescimento. Se a regra é a liberdade, tudo o que não é expressamente proibido em nome de um interesse superior já protegido deve ser permitido sem amarras nem entraves, que têm como única consequência a de sufocar a iniciativa económica".

Na opinião da primeira-ministra, é preciso fazer "menos e melhor" e "lutar para recolocar a política no centro das instituições europeias", porque "cabe à burocracia acompanhar as orientações da política, não substituí-la". "As sínteses a que a política chega, mesmo após debates longos e complexos, devem depois ser respeitadas e aplicadas, não voltar a ser postas em causa ou até invertidas".

Pedido de Meloni e da Confindustria: "suspender o sistema ETS"

Também houve críticas ao sistema de comércio de licenças de emissão de CO2 conhecido pela sigla ETS (Emissions Trading System), que, segundo Meloni, constitui "um imposto paradoxal" e deveria ser "suspenso". Na mesma linha posicionou-se o próprio Orsini, para quem a via de uma revisão do mecanismo não é viável "porque sabemos que os tempos europeus para uma reforma eficaz são demasiado longos".

O presidente da Confindustria advertiu: "Se em Itália e na Europa não formos capazes de um esforço comum, perderemos a nossa indústria, ou seja, 15% do Produto Interno Bruto e milhões de postos de trabalho". Daí a proposta ao governo e às partes sociais para "trabalhar em conjunto" na identificação de medidas capazes de gerar 20 mil milhões de euros para reinvestir, "sem aumentar a dívida pública, em crescimento, saúde e educação".

Confirmado relançamento do nuclear civil e o compromisso com a defesa

Meloni propôs então um "estaleiro comum" à Confindustria para "uma reforma conjunta da burocracia em Itália", antes de confirmar a intenção de relançar o nuclear "com reatores modulares". Sobre este último ponto, prometeu que "até ao verão serão aprovados os decretos de aplicação necessários para o enquadramento político". "Não tenho dúvidas de que é um objetivo ao nosso alcance e importante para a nossa competitividade. Estou muito determinada neste ponto", disse Meloni.

No que respeita, por fim, à defesa, a primeira-ministra explicou que não pretende mudar de rumo "embora saiba muito bem como o tema é impopular em Itália. Penso também que um líder sério deve dizer a verdade. A verdade é que, se não sabemos defender-nos, se pedimos a outros que garantam a nossa segurança, pagaremos isso em termos de autonomia e de capacidade de defender os nossos interesses nacionais".

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