Foram expostos endereços de email de cerca de 140 pessoas que afirmam ter sido abusadas pelo proprietário do Harrods, devido a um “erro humano” ao enviar uma atualização mensal às vítimas.
A Polícia Metropolitana de Londres pediu desculpa depois de ter divulgado inadvertidamente os endereços de correio eletrónico de pessoas que se apresentaram para denunciar alegados abusos sexuais cometidos pelo magnata Mohamed Al Fayed.
A força atribuiu o incidente a “erro humano”, explicando que os agentes enviaram uma atualização mensal por correio eletrónico às vítimas em que os endereços de 143 pessoas ficaram visíveis para outros destinatários em vez de ocultos. Um número adicional de pessoas também recebeu essa mensagem.
Um grupo que representa vítimas classificou o incidente como “chocante”.
Em comunicado, a Polícia Metropolitana afirmou: “O problema foi identificado rapidamente e foram tomadas medidas imediatas”, acrescentando que todas as pessoas afetadas já foram contactadas.
A força policial pediu desculpa e acrescentou: “O incidente está a ser investigado com caráter prioritário e estamos a rever os nossos processos para ajudar a evitar que uma quebra semelhante volte a ocorrer”.
A Polícia Metropolitana comunicou o caso à autoridade britânica de proteção de dados, o Information Commissioner's Office.
Quem foi Mohamed Al Fayed?
Nascido no Egito, Mohamed Al Fayed tornou-se conhecido sobretudo como o multimilionário proprietário do Hotel Ritz em Paris, do clube de futebol Fulham e dos famosos grandes armazéns londrinos Harrods. Era também pai de Dodi Al Fayed, que morreu num acidente de automóvel em 1997 ao lado da princesa Diana.
Após a sua morte, em 2023, aos 94 anos, centenas de mulheres acusaram Al Fayed de violação, agressão sexual e tráfico de pessoas. Muitos dos alegados crimes dizem respeito ao período em que foi proprietário do Harrods.
Embora algumas queixas tenham sido apresentadas contra ele antes da sua morte, nunca chegou a enfrentar acusações.
No início deste mês, pelo menos cinco mulheres que afirmam ter sido vítimas de Al Fayed foram formalmente reconhecidas pelo Ministério britânico do Interior como vítimas de escravatura moderna.
A Polícia Metropolitana continua a investigar as denúncias contra Al Fayed, bem como pessoas que possam ter facilitado ou permitido os abusos. Até agora, seis pessoas foram interrogadas, mas não houve detenções.