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Quem é Enrique Riquelme, o rival de Florentino Pérez na liderança do Real Madrid?

Enrique Riquelme, em criança, numa foto partilhada no seu Instagram
Enrique Riquelme em criança, numa fotografia partilhada no Instagram Direitos de autor  @enriqueriquelmev / Instagram
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De Javier Iniguez De Onzono
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Embora se apresente como "empreendedor desde o primeiro minuto", Riquelme Jr. conta com o aval do império empresarial do pai, ligado à construção desde o nascimento. Foi membro da direção do Real Madrid na era de Ramón Calderón.

Empresariado madrileno e direção do clube de futebol mais antigo da cidade assistem já, formalmente, à encenação de um David contra Golias contemporâneo, mas com um pré-aval de 187 milhões de euros em vez de uma funda como arma brandida pelo concorrente menor, Enrique Riquelme, na batalha pelo Real Madrid.

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Este empresário natural de Alicante conseguiu ultrapassar os exigentes requisitos para se candidatar à presidência do clube, ocupada quase sem interrupções por Florentino Pérez desde 2000: a junta eleitoral do Real Madrid oficializou este domingo a sua candidatura. É a primeira vez desde 2006 que Pérez, um dos magnatas mais poderosos de Espanha, terá rival numa eleição no clube.

"Hoje é um dia muito importante para o Real Madrid: depois de 20 anos, volta a poder votar-se", declarou, desafiante, Riquelme este fim de semana perante os meios de comunicação desportivos. "Peço aos sócios que não tenham medo, que tenham coragem".

Dono de empresa energética e membro da direção de Ramón Calderón

O proprietário da energética Cox Energy nasceu há 37 anos na localidade levantina que dá nome à empresa e é sócio do clube desde criança, um fator sem dúvida útil para quem quer chegar à presidência, já que os estatutos exigem uma antiguidade mínima de 20 anos como sócio para poder concorrer.

O candidato não começou do zero nas suas aventuras empresariais. O pai, Enrique Riquelme de la Torre, conhecido como "El Cantetro", dedicou-se inicialmente à construção e fundou uma central de betão na localidade alicantina de Algorfa pouco antes do nascimento de Riquelme Júnior. Hoje tem um grupo empresarial, Empresas del Sol, com postos de combustível, parques de estacionamento e centros comerciais, do qual o filho também faz parte.

O filho estudou num colégio da rede Fomento, ligado ao Opus Dei e com presença (além de segregação de género) em várias províncias de Espanha. Apesar de ter formação em gestão de empresas, nunca chegou a licenciar-se na universidade.

Com 20 anos, em plena eclosão da crise imobiliária, mas já com um apartamento em seu nome, Riquelme Jr. muda-se para o Brasil e, mais tarde, para o Panamá, para seguir o exemplo do pai e montar outra fábrica de betão; fá-lo, porém, com um empréstimo de 115 000 euros debaixo do braço, segundo o "El País", e dando o imóvel como garantia.

O jornal "ABC", de que Florentino Pérez se demarcou há um par de semanas, quando anunciou as eleições, por publicar informação contrária aos seus interesses, publicou em agosto de 2021 uma entrevista com o candidato, em que este se define como "empreendedor desde o primeiro minuto", apesar de ter herdado os negócios e a fortuna do pai.

Um dado adicional a ter em conta sobre este último: Riquelme de la Torre também integrou a direção do clube entre 2006 e 2009, durante a presidência de Ramón Calderón, a única vez desde 2000 em que Florentino não dominou o topo da estrutura do Real Madrid.

Quanto ao candidato à presidência, na sua etapa panamiana, Riquelme alia-se a um empresário local, Lenin Sucre, e consegue posicionar-se para fornecer materiais de construção ao Canal do Panamá, antes de se expandir para o setor das renováveis, em pleno "boom" após a crise imobiliária. Em 2015, funda a Cox Energy após apresentar uma proposta numa licitação na Guatemala e lança o projeto solar Rainbow 50, expandindo-se pela região, em países como o México (onde está cotada), o Chile e a Colômbia.

Amigo de Banderas e apoio de Nadal

Na vida pessoal, Riquelme é conhecido como "amigo de Antonio Banderas, Paula Echevarría ou Lionel Messi" e é descrito como um apaixonado pelo boxe pela "Vanity Fair", publicação que o associa ao patrocínio da empresa do tenista aposentado Rafa Nadal.

Falta saber se a rede empresarial e de contactos forjada em três décadas e duas gerações pelos Riquelme será suficiente para derrotar Florentino Pérez, um dos presidentes mais populares junto dos adeptos do Real Madrid. Calcula-se que o também presidente da construtora ACS detenha uma fortuna de algo mais de 3 100 milhões de euros.

O seu nome e o desta segunda empresa, de acordo com o "El Confidencial", constam das listagens de clientes da Análisis Relevante investigadas pela UDEF no caso Tíbet, que envolve o ex-presidente Zapatero.

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