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Luigi Mangione admite em tribunal ter matado o CEO Brian Thompson

Luigi Mangione comparece a uma audiência preliminar no Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova Iorque, em 11 de agosto de 2026
Luigi Mangione comparece a uma audiência preliminar no Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova Iorque, 11 de agosto de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
Publicado a Últimas notícias
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Mangione apresentou a confissão numa audiência marcada à pressa no tribunal federal de Manhattan, encerrando um dos dois processos ligados à morte de Thompson.

Luigi Mangione admitiu esta sexta-feira ter morto a tiro o presidente executivo da UnitedHealthcare, Brian Thompson, depois de comparecer no tribunal federal norte-americano para se declarar culpado.

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“Na manhã de 4 de dezembro, disparei sobre o senhor Thompson, em Manhattan, e ele morreu”, disse Mangione a um juiz federal.

Mangione também se declarou culpado de acusações federais de perseguição, admitindo sem rodeios que seguiu o executivo até uma conferência de investidores em 2024 e o matou a tiro na rua.

O norte-americano, de 28 anos, disse que chegou a usar um estratagema para obter informações sobre o evento, contactando antecipadamente a seguradora de saúde, fazendo-se passar por investidor de uma empresa avaliada em milhares de milhões de dólares.

A leitura da sentença de Mangione está marcada para 18 de dezembro. Quando a juíza distrital norte-americana Margaret M. Garnett perguntou se este percebia que podia passar o resto da vida na prisão, Mangione respondeu de forma neutra: “Sim”.

Mangione apresentou a declaração numa audiência marcada à pressa no tribunal federal de Manhattan, resolvendo um dos dois processos que enfrenta em ligação com a morte de Thompson.

Luigi Mangione comparece a uma audiência preliminar no Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova Iorque, 11 de agosto de 2026
Luigi Mangione comparece a uma audiência preliminar no Tribunal Criminal de Manhattan, em Nova Iorque, 11 de agosto de 2026 AP Photo

Os advogados de Mangione procuram agora que o processo distinto por homicídio no estado de Nova Iorque seja arquivado, invocando a proibição de ser julgado duas vezes pelo mesmo crime.

“O senhor Mangione assumiu plenamente a responsabilidade pela morte de Brian Thompson”, afirmou à porta do tribunal a advogada de defesa Karen Friedman, argumentando que o cliente não deve enfrentar duas ações penais por um ‘único acontecimento trágico’.

Imagens de videovigilância da emboscada mostraram um atirador mascarado a alvejar Thompson, de 50 anos, pelas costas.

Segundo a polícia, na munição estavam escritas as palavras “delay, deny, depose”, imitando uma expressão usada para descrever a forma como as seguradoras evitam pagar indemnizações.

Esse pormenor e as revelações de que, nos escritos privados de Mangione, as seguradoras de saúde eram atacadas como gananciosas, transformaram o caso num ponto central do debate sobre o setor e tornaram Mangione uma figura de referência para alguns dos seus críticos.

Autocolantes são exibidos num poste em frente ao tribunal federal de Manhattan no dia de uma audiência de Luigi Mangione, 14 de agosto de 2026
Autocolantes são exibidos num poste em frente ao tribunal federal de Manhattan no dia de uma audiência de Luigi Mangione, 14 de agosto de 2026 AP Photo

Esta sexta-feira, Mangione disse ao tribunal que perseguiu Thompson “depois de anos a suportar dores intensas provocadas por uma fratura na coluna e a enfrentar os obstáculos do sistema de seguros de saúde”.

De acordo com a polícia e a própria seguradora, Mangione nunca foi cliente da UnitedHealthcare.

Licenciado pela Universidade da Pensilvânia e oriundo de uma família abastada do Maryland, foi detido cinco dias após o tiroteio, quando foi visto num McDonald’s na Pensilvânia.

Thompson dirigia uma das maiores seguradoras de saúde dos Estados Unidos, mas era pouco conhecido fora do setor.

Formado em contabilidade, trabalhava há 20 anos na empresa-mãe, a UnitedHealth Group Inc., e tornou-se diretor executivo da sua divisão de seguros, a UnitedHealthcare, em 2021. Tinha dois filhos, que frequentavam o ensino secundário quando o pai foi morto.

Tanto o processo federal como o estadual podem resultar numa pena de prisão perpétua para Mangione. No início deste ano, um juiz federal rejeitou acusações adicionais que o poderiam ter exposto a uma eventual pena de morte.

Mangione tinha contestado a perspetiva de dois julgamentos, dizendo em fevereiro a um juiz: “É o mesmo julgamento duas vezes. Um mais um são dois. Duplo julgamento, por qualquer definição de bom senso”.

Pela legislação de Nova Iorque, uma ação penal estadual pode, em teoria, ser impedida se o processo federal for resolvido primeiro.

As garantias do estado contra o duplo julgamento aplicam-se se um júri tiver sido empossado numa acusação anterior, como um processo federal, ou se esse processo terminar com uma declaração de culpa. Os processos de Mangione implicam acusações diferentes decorrentes do mesmo conjunto de atos.

Numa carta enviada no mês passado, os procuradores estaduais opuseram-se à possibilidade de uma declaração de culpa no processo federal anular o processo do estado.

Membros da comunicação social aguardam em fila à porta do tribunal federal de Manhattan no dia de uma audiência de Luigi Mangione, 14 de agosto de 2026
Membros da comunicação social aguardam em fila à porta do tribunal federal de Manhattan no dia de uma audiência de Luigi Mangione, 14 de agosto de 2026 AP Photo

Garnett já impôs alguns reveses à defesa, incluindo a decisão, em janeiro, de permitir que os procuradores utilizassem como prova contra Mangione os objetos recolhidos na sua mochila aquando da detenção.

Entre esses objetos estava uma pistola impressa em 3D que, segundo os investigadores, correspondia à utilizada para matar Thompson, e um caderno em que, de acordo com as autoridades, Mangione descrevia a intenção de matar um executivo de uma seguradora.

Em junho, os advogados de Mangione disseram que iriam invocar uma defesa psiquiátrica no processo estadual, mas recuaram um dia depois.

Esse tipo de defesa, que implicaria alegar que sofria de perturbação emocional extrema no momento do crime, não é permitido em tribunal federal.

Outras fontes • AP, AFP

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