O presidente russo respondeu assim à primeira mensagem pessoal do homólogo ucraniano desde o início da guerra. Zelenskyy considera "fraca" a resposta de Putin.
"Neste momento não faz sentido encontrar-me com Zelenskyy", disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em resposta a uma carta do líder ucraniano.
Na quinta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, publicou uma carta aberta, considerada a primeira mensagem pessoal dirigida a Putin desde o início da invasão em grande escala. No documento, o presidente ucraniano propôs um encontro pessoal, afirmando que está preparado para um "cessar-fogo total".
Putin, porém, viu na carta "sinais de falta de respeito" – em particular porque Zelensky aludiu à idade do presidente russo, de 73 anos, e ao tempo que leva no poder.
"Não se percebe se isto é uma forma de criar condições para um encontro pessoal e negociações ou de criar um clima em que seja simplesmente impossível realizar quaisquer encontros pessoais. É antes o segundo caso", declarou Vladimir Putin.
Falando no Fórum Económico de São Petersburgo, o presidente russo afirmou que, em princípio, "nunca recusou um encontro" com Zelenskyy, mas que "a Rússia precisa de acordos e não de conversas estéreis". "Que trabalhem os peritos, que elaborem soluções e depois poderemos encontrar-nos", disse o presidente russo.
Ao mesmo tempo, Vladimir Putin admitiu que apenas leu a carta "de relance" e, durante a intervenção em São Petersburgo, não mencionou uma única vez o nome do autor da carta.
«Resposta fraca»
"Infelizmente, a parte russa volta a escolher a guerra": assim reagiu às palavras de Putin o presidente da Ucrânia. Zelensky classificou a reação de Putin como uma "resposta fraca" que "desiludiu muita gente no mundo".
"Ele não quer mudar nada, não quer admitir que a sua guerra só agrada a ele e àqueles que dela extraem dinheiro. Isso significa que deve haver menos dinheiro na Rússia e mais pressão sobre a Rússia", concluiu Volodymyr Zelenskyy.
Propostas de um encontro pessoal entre os presidentes dos dois países surgiram várias vezes nos últimos quatro anos, mas até agora não passaram das intenções.
Vladimir Putin declarou anteriormente que as hostilidades só podem terminar quando "a Rússia cumprir as suas tarefas", entre as quais o controlo das regiões orientais da Ucrânia e importantes limitações militares e políticas em relação a Kiev.
A Ucrânia e os seus aliados consideram estas condições totalmente inaceitáveis.